Cântico dos cânticos

( fragmento )
Quão belos são os teus pés
nas sandálias que trazes, ó filha de príncipe!
As colunas das tuas pernas são como anéis
trabalhados por mãos de artista.
o teu umbigo é uma taça arredondada,
que nunca está desprovida de vinho.
O teu ventre é como um monte de trigo
cercado de lírios.
Os teus dois seios são como dois filhinhos
gêmeos duma gazela.
O teu pescoço é como uma torre de marfim.
Os teus olhos são como as piscinas de Hesebon,
que estão situadas junto da porta de Bat-Rabim.
O teu nariz é como a torre do Líbano,
que olha para Damasco.
A tua cabeça levanta-se como o monte Carmelo;
os cabelos da tua cabeça são como a púrpura
um rei ficou preso às suas madeixas.
Quão formosa e encantadora és,
meu amor, minhas delícias!
A tua figura é semelhante a uma palmeira.
Eu disse. Subirei à palmeira,
e colherei os seus frutos.
Os teus seios serão, para mim, como cachos de uvas,
e o perfume da tua boca como o das maçãs.

Salomão, a partir da versão deste site de Poesia.

Sobre Salomão e seus CânticosDe todos os livros bíblicos, o de Salomão (chamado de Salmos) é possivelmente uma das contribuições literárias mais importantes da cultura judaíco-cristã-islâmica.As três principais religiões monoteístas encaram Salomão como um dos seus.

Sou materialista convicto desde meus 14 anos.

Antes era materialista não muito convicto. Depois de ler o Testamento de Leon Trotsky e a Teses de Feuerbach do Marx me resolvi nos assuntos religiosos.

Na minha família sempre houve ecumenismo religioso que me deixava confuso. Catolicismo, Umbanda, Budismo e ainda tios evangélicos…

Trabalhando no comércio ambulante com meu pai soube que o respeito religioso é condição para vender. Lendo Voltaire descobri que tolerância religiosa é condição para a vida social. E trabalhando com professor aprendi que o respeito a religiosidade como uma questão privada e íntima é condição para se ensinar a ciência e fazer as pessoas não terem medo da própria ciência.

Descobri isso também lendo as histórias do Conan, o Bárbaro que sabiamente aprendia tudo sobre as religiões por onde caminhava e só citava as divindades locais para ter o mínimo de proteção. Esse era o resultado dele crer em Crow, o deus da montanha dos cimérios, que pouco se importava com os seus adeptos.

Quando li esse poema, trecho do Cântico dos Cânticos me lembrei de dois filmes importantes. Filmes que me marcaram muito.

O primeiro foi o “As minas do Rei Salomão” adaptação para o cinema do clássico livro da aventuras de Allan Quatermain, o aventureiro da África criado e escrito por Henry Rider Haggard. Esse filme eu assisti em 1985, no cinema. Foi a primeira vez que fui ao cinema com meu pai. Era legendado. Não entendi muito, mas dei muita risada das imagens.

O segundo foi o “Footloose – Ritmo Louco” sobre uma cidade ultra-religiosa nos EUA onde a música para dançar, a bebida e o direito de festas foi havia sido proibida. E numa polêmica com os jovens que queriam fazer festas, uma disputa rola com os poderes municipais até que o ator principal pega a bíblia e cita as festas de Salomão onde rolava música e vinho.

Independentemente das opiniões religiosas de cada um dos leitores, recomendo a leitura deste trecho pois ele é belo.

E como gosto de lembrar a máxima preferida de Marx:

“nada de humano me é estranho”.

Livro “As minas do Rei Salomão” – Tradução de Eça de Queiróz
http://www.gutenberg.org/files/22015/22015-h/22015-h.htm

Clipe de “Footloose – Ritmo Louco”

Quem quiser ver todos os poemas do site  Poesia de onde tirei esse pode acessar clicando aqui.

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1 comentário

Arquivado em Frases, Opinião, Pessoas

Uma resposta para “Cântico dos cânticos

  1. ari

    A frase que tu atribuis a Marx é na verdade de Terêncio Eu sou homem e nada do que é humano me é estranho. Duas frases de Marx são lapidares; A maior virtude do homem é a dúvida E tudo que é sólido se desmancha no ar. Corrija a postagem.

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