75 anos de Gilberto Gil

A música brasileira é uma constelação de estrelas, de todos os tamanhos e magnitudes. Há até buracos negros, que ocultos, são descobertos por acaso e mostram a música e a poesia em todas as suas faces.

Gilberto Gil, gênio baiano, mestre do tropicalismo e fabuloso criador de canções.  Hoje ele completa 75 anos de vida.

Sua obra esteve presente em várias questões em vestibulares e no ENEM.

Em 1973, Gil fez um show para estudantes da USP:

Na descrição do vídeo, um curto registro da história do show.

“Em março de 1973, o estudante de geologia Alexandre Vannuchi Leme foi torturado e assassinado pelo governo militar que dominava o Brasil. Laís Abramo, que era conhecida de Gilberto Gil convenceu o cantor a fazer um show em protesto contra a morte do estudante. A apresentação foi marcada para 26 de Maio, um sábado à tarde. Gil canta durante mais de duas horas, inicialmente tentando aliviar o clima pesado, com músicas como “Chiclete com Banana”, “Senhor Delegado”, “Eu quero um samba” , mas o público que mais – pede “Cálice” . Gil desconversa, diz que não se lembra bem da letra, mas um estudante pega um pedaço de papel e escreve a letra e entrega para Gil, que não tem então como não cantá-la. O interessante é que tudo isto está registrado em áudio, inclusive vários trechos de diálogo entre Gil e os estudantes presentes.”

Um relato deste momento está no livro Cale-se de  Caio Túlio Costa.

Escutar e conhecer a história de Gil é conhecer uma época. Escute o mestre Gilberto Gil.

 

Sobre a ocupação humana das Américas

Ilustração do índios Botocudos (WIKIMEDIA COMMONS)

A revista Galileu traduziu um artigo da Eureka Alert muito interessante e que tende a exigir a reavaliação de boa parte da narrativa sobre a colonização da América do Sul.

Há diferentes teorias sobre a colonização do continente Americano.

Algumas afirmam colonização humana tem cerca de 60.000 anos. Outras trabalham com uma data muito menor, de 12.000 anos.

Na arqueologia brasileira isso é um debate vivo intenso. E de certo modo, um fator de constrangimento para o desenvolvimento de teorias.

A teoria mais tradicional é aquela que explica a migração de povo nômades durante uma era glacial que criou uma ponte intercontinental no Estreito de Bering entre onde hoje entre a Rússia e o Alasca. Dai a explicação da fisionomia indígena brasileira com traços mongólicos.

Mas o surgimento de novas provas podem indicar uma ocupação mais antiga e mais complexa.

Pesquisa genética revela que DNA de índios botocudos é da Polinésia

Descoberta reforça tese de que os polinésios participaram do povoamento da América e desembarcaram no continente séculos antes do que os europeus

Na época da colonização portuguesa, diversos grupos indígenas que ocupavam as regiões onde hoje se encontram os estados de Minas Gerais e Espírito Santo receberam o nome genérico de “botocudos”, em referência aos botoques que utilizavam para ornamentar o rosto – aqueles grandes discos de madeira que alargavam a boca e as orelhas. Apesar de terem sido muito numerosos naquela época, hoje estão praticamente extintos.

Um artigo publicado na última quinta-feira (23/10) na revista Current Biology revelou os resultados obtidos a partir de testes genéticos realizados nos crânios de dois índios botocudos, que viveram por volta de 1800. Os pesquisadores não encontraram no DNA nenhum traço de ancestralidade de americanos nativos, mas sim de grupos originários da Polinésia.

“As populações humanas primitivas exploraram extensivamente o planeta”, disse a autora Anna-Sapfo Malaspinas ao site EurekAlert. “As versões de apostila dos eventos da colonização humana – o povoamento das Américas, por exemplo – precisam ser reavaliadas utilizando dados genômicos”, afirmou. A pesquisadora também colaborou com outro artigo publicado na mesma edição do periódico que oferece uma explicação embasada na genética e na arqueologia ao mistério dos genes polinésios dos botocudos do Brasil.

O estudo analisou o DNA de 27 indivíduos do povo nativo da Ilha de Páscoa, os rapanui. As descobertas mostraram que o material genético desta população é 76% polinésio, 8% americano nativo e 16% europeu. Por meio de padrões de mistura de genes, notou-se que entre os anos 1300 e 1500 houve um contato intenso entre os rapanui e os habitantes da América do Sul, há cerca de 19 a 23 gerações. A mistura com os europeus só foi ocorrer séculos mais tarde, por volta de 1850.

Os cientistas acreditam que quem empreendia as viagens de barco eram as pessoas da ilha, pois para eles era garantido que rumando para o leste chegariam ao continente; a missão era muito mais difícil para os americanos, que teriam de encontrar uma porção de terra relativamente pequena no meio do oceano. O trajeto de cerca de 3000 quilômetros poderia levar de duas semanas a dois meses para ser percorrido.

A Ilha de Páscoa está localizada na extremidade leste do triângulo polinésio, formado também pelas ilhas da Nova Zelândia e do Havaí. Evidências arqueológicas indicam que o povoamento do território ocorreu por volta de 1200, quando de 30 a 100 indivíduos da Polinésia chegaram ali em canoas, entre eles homens, mulheres e crianças. Vivendo em uma das localidades mais isoladas do planeta a ser habitada por seres humanos, esta população construiu nos séculos seguintes cerca de 900 moais, as famosas estátuas de pedra, com algumas chegando a pesar 82 toneladas.”

Quer saber mais sobre o assunto?

Você também pode ler o ótimo artigo “História da ocupação humana das Américas fica cada vez mais confusa” do jornalista Reinaldo José Lopes para editoria de ciências do jornal Folha de S. Paulo.

Outro sugestão é o documentário Jornada Humanas – As Américas:

A versão da migração pelo Estreito de Bering é explicada nesse vídeo-documentário “Jornada a 10.000 a.C” do canal History;

Festa juninas: sincretismo entre o cristianismo e as tradições pagãs

Festa de Santo Antonio, de Nerival Rodrigues

A professora Joelza Ester Domingues produz o blog “Ensinar História” com dicas e materiais de apoio a professores e estudantes. Material de primeira qualidade.

Nessa semana ela postou um ótimo artigo, onde mostra como a manifestação da cultura popular herdada de Portugal medieval que veio ao Brasil pela colonização, remonta a ritos pagãos muito anteriores ao cristianismo. Um exemplo de como a Igreja apropriou-se de festas pagãs resignificando-as com uma nova roupagem e com novos significados.

Leiam o artigo completo aqui:  “FESTAS JUNINAS, CULTURA PAGÃ CRISTIANIZADA” de Joelza Ester Domingues.

Razões para a invenção da escrita

Um artigo de alto nível produzido pela BBC sobre as origens da escrita.

Feito por 

Leia a reportagem “A necessidade econômica que levou ao desenvolvimento da primeira forma de escrita” no site da BBC Brasil.

O mito da meritocracia

O mérito vem de onde? O pequeno vídeo abaixo produzido pelo canal QuatroV explica bem como é enganoso esse conceito.

A definição do dicionário para Meritocracia diz que é  predomínio numa sociedade, organização, grupo, ocupação etc. daqueles que têm mais méritos“.
O vídeo explica como esses méritos se desenvolvem na sociedade a partir das condições sociais.
Fica claro que uma meritocracia numa sociedade desigual, será o aprofundamento da desigualdade.

Quilombos resistem (reportagem do UOL TAB)

Uma extraordinária reportagem produzida pelo UOL Tab sobre os Quilombos. Vale muito a pena ler esse trabalho.

Plantação de maracujá no Quilombo de São Pedro, no Vale do Ribeira (SP).

 

(…)

Perto de 3.000 comunidades remanescentes de quilombos já foram reconhecidas pela Fundação Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, desde os anos 1990. Há comunidades em 24 Estados – Acre, Roraima e Distrito Federal são as exceções.

Cerca de 1.500 recorreram ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para obter o título de seu território, direito previsto na Constituição de 1988. Porém, somente 295 conquistaram a titulação até o momento as demais ainda esperam o desfecho dos processos.

As áreas quilombolas tituladas somam 7.548 Km², praticamente o quíntuplo do tamanho do município de São Paulo, mas uma fração pequena do território nacional, inferior a 0,1%.

Durante a escravidão, o quilombo era um refúgio onde os negros podiam se organizar e viver com alguma liberdade. Hoje, o quilombola sonha com o título da terra para formalizar a posse do que já é seu, pacificar conflitos, afastar as ameaças de grileiros e posseiros e o assédio de especuladores imobiliários. O quilombo também é uma alternativa de desenvolvimento econômico e de inserção digna de afrodescendentes na sociedade.

Leia reportagem completa clicando aqui.

Universidade pública: cobrar mensalidades? NÃO!

Leiam abaixo uma postagem que a professora Tatiana Roque desmontando as falsificações contra as universidades públicas. O fato que a pior universidade pública ainda é melhor que média das universidades privadas. Os congelamento dos recursos, que vão se aprofundar com a aplicação das leis de ajuste fiscal, vão buscar incentivar a prática de cobrança de taxas e mensalidades nas instituições públicas. Um atentado contra o direito a educação pública e gratuita.
Leiam a postagem da professora Tatiana Roque:
“Sempre que você ouvir dizer que a universidade pública é para os mais ricos, observe quem é considerado rico no Brasil. No gráfico abaixo, usado para corroborar a tese de que a universidade pública reproduz as desigualdades, é usada uma classificação oficial de 2013, considerando rico quem ganha mais de mil reais por mês.


A universidade pública tem muitos problemas que precisam ser resolvidos urgentemente, mas cobrar mensalidades não é uma solução. Em qualquer lugar do mundo onde se faz pesquisa há grande investimento público. Nas universidades onde há pesquisa, o ensino é melhor. Logo, ensino de qualidade necessita de investimento público. Que a gente se concentre em pensar sobre como tais investimentos devem ser feitos para que a sociedade possa acompanhar melhor seus efeitos, para que enxergue a universidade pública como um bem comum. Nesse ponto, aí sim, no que diz respeito à comunicação com o lado de fora e ao engajamento da sociedade como um todo, é verdade que fazemos pouco.”

Tatiana Roque, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.