Centenário da revolução da Revolução Mexicana • 1910 – 2010

Está entre meus objetivos escrever bastante no próximo ano acerca da Revolução Mexicana de 1910.

É a segunda revolução do século XX (a primeira foi a Revolução Russa de 1905).

Com toda certeza será um tema de enorme importância. Colóquios, seminários, debates e palestras serão promovidos. Livros serão publicados. Documentários e filmes serão lançados.

E estará na pauta inclusive dos vestibulares e do próprio ENEM, pela influência sobre os acontecimentos em curso no México hoje e na América Latina (particularmente Honduras, Venezuela, Equador e Bolívia).

UM SONHO CENTENÁRIO

Publico um texto que sintetiza um pouco a visão de uma das mais importantes figuras da revolução, Pacho Villa (1878-1923), líder do exército nortista na revolução.

Pancho Villa, em primeiro plano

Foi registrado pela mão de um dos mais importantes jornalistas do século passado.

John Reed
, foi em sua época o jornalista mais bem pago do mundo.

Jonh Reed

Esteve entre os revolucionários mexicanos, cobriu a I Guerra Mundial nos Balcãs e escreveu o livro Dez dias que abalaram o mundo, mais importante relato da Revolução Russa de 1917, cujo prefácio é de ninguém menos que Vladimir Ilich Lenin, o principal lider da revolução de outubro.

É o único não soviético enterrado na Praça Vermelha em Moscou, como um dos heróis da revolução de 1917.

Isso é curriculo o bastante para ser lido. Mas ele ainda se divertiu muito no mundo. Seu estilo abriu o caminho para o New Journalism, o estilo de fazer jornalismo como literatura.

SONHO DE PANCHO VILLA

Não deixa de ser interessante conhecer o apaixonado sonho, a quimera que anima a esse lutador ignorante “que não tem bastante educação para ser presidente do México”. Contou-me uma vez com essas palavras: “Quando se estabelecer a Nova República, não haverá mais exército no México. Os exércitos são os maiores apoios da tirania. Não pode haver ditador sem seu exército. Poremos o exército para trabalhar. Serão estabelecidas em toda a República colônias militares, formadas por veteranos da revolução. O Estado lhes dará posse de terras agrícolas e criará grandes empresas industriais para dar-lhes trabalho. Trabalharão três dias na semana e trabalharão duro, porque o trabalho honrado é mais importante do que lutar e só um trabalho assim produz bons cidadãos. Nos outros dias receberão instrução militar, e por sua vez instruirão todo o povo, para ensiná-lo a lutar. Então se a Pátria for invadida, tomando-se apenas o telefone do Palácio Nacional na Cidade do México, em meio dia se levantará todo povo mexicano em seus campos e fábricas, bem armado, equipado e organizado para defender seus filhos e lares. Minha ambição é viver minha vida numa dessas colônias militares cercado de meus queridos companheiros, que sofreram tanto e tão profundamente ao meu lado. Creio que desejaria que o governo estabelecesse uma fábrica de curtume, onde pudéssemos fazer boas selas e freios, pois sei como fazê-los; o resto do tempo, desejaria trabalhar na minha granjazinha, criando gado e semeando milho. Seria magnífico, creio, ajudar a fazer do México um lugar feliz”.

Trecho do livro México Rebelde de Jonh Reed
Págs. 161-162 – Edições Zumbi – 1959
Tradução: Mary Leite de Barros

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