O passar do tempo

Recebi numa lista de ciências da informação o artigo abaixo.

Ele é a reflexão muito interessante de Aldo de A. Barreto, pesquisador do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT sobre a velocidade do tempo.

Vale a pena ler.

O passar do tempo

O tempo esta passando tão depressa que parece até que o tempo tem cada vez menos tempo para passar. Este foi um mote para publicitar uma Cia. de Seguros anos atrás, mas serve para exemplificar a velocidade com que sentimos o passar do tempo nesta contemporaneidade.

A velocidade nas nossas transações correntes trazida pela internet, principalmente após a socialização da web em 1995 é certamente uma das razões para isso. A informação que, antigamente, pautava nossa vida vinha no compasso do navio ou do cavalo. O Brasil é um país de informação tardia pela sua condição de colônia. O deslocar da família real portuguesa de Lisboa para o Brasil em 1808 trouxe como apêndice a Imprensa Regia viajando em navio da frota de nome “Medusa” aquela senhora que tem cobras na cabeça. Dizem as línguas mais afiadas esta é a razão dos dotados com o escrever terem aversão a espelhos e pedras.

Na vagarosidade de 1808, o jornalista Hipólito José da Costa imprimia na Inglaterra o Jornal “Correio Brasiliense” e cada edição despachada de navio para o Brasil chegava com as últimas notícias três meses após a impressão e saída da Europa. Eram conteúdos tardios, pois, ao chegar outras já eram as temáticas do momento. No Brasil do início do século passado a informação chegava às grandes fazendas e depois era ia se adentrando ao interior no lombo de cavalos e burros.

Paul Virilio fala de velocidade da informação comparando-a com a evolução dos motores. O seu último motor e o mais veloz é o motor informático, da velocidade do tempo online, o tempo no entorno de zero. É o motor que coloca o homem em uma realidade do agir digital. A informação online modifica toda a afinidade com o real e permite vivenciar uma realidade potencial: da convivência sem presença física. Consente, também, uma velocidade que interatua em todas as condições de uma nova relação da informação, as trocas e o mercado.

Tudo isso nos traz a impressão de o tempo estar passando mais depressa que usava passar. Então, o físico alemão, W.O.Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100 km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida.

Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio. Ocorre que a partir de anos 1980, e de forma mais acentuada a partir de 1990 com a Internet, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo. E o passar do dia poderia ter então 16 horas ao contrario das 24 habituais. Era o que teorizava a sua Ressonância Schumann. Apesar disso os relógios atômicos continuam a marcar vinte e quatro horas para cada dia e os cientistas não endossam com vigor os achados da ressonância em suas condições práticas.

A sensação de um tempo indo mais rápido, contudo existe, e pode ser atribuída a uma forte indução ao consumo feito pelos meios massivos de comunicação que procuram pautar nosso cotidiano no futuro para seu próprio benefício de vendas. Quanto mais vende o comércio mais encomendas têm a indústria e todos têm mais dinheiro para atribuir às verbas publicitárias dos meios de comunicação. Na agenda do consumo programado vivemos sempre no futuro.

Assim, por um interesse mútuo dos meios, anúncios, consumo somos incentivados a viver sempre além do presente. Em outubro somos jogados para viver dezembro num jingobels de compras natalinas, em janeiro ante vivemos a alegria do carnaval de fevereiro; em março os chocolates da páscoa mais além, depois o dia das mães em maio, dos namorados em junho, dos pais em agosto, das crianças em outubro e já esta na hora de agendar o futuro natal de novo. Apressamos a chegada do futuro embora o tempo e as ressonâncias nada tenham a ver com isso.

Para os que não têm esta opção de consumo exacerbado, a parte mais desprovida da população, o tempo passa inexoravelmente a cada hora na aflição de um dia de 24 horas.

Para saber mais sobre Ressonância Schumann, clique aqui (em espanhol)

Aldo de A. Barreto
Pesquisador sênior do Cnpq Pesquisador titular do IBICT no Rio de Janeiro.
Blog: http://avoantes.blogspot.com/
Url pessoal: http://aldo.barreto.name/

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