França

A Luta contra a “reforma” da Previdência: “Inimendável, Inegociável, Retirada!”

No dia 12 de outubro, dando continuidade às mobilizações de 7 de setembro, 3,5 milhões de trabalhadores e jovens franceses saíram às ruas contra a “reforma” da previdência que o presidente Sarkozy tenta impor. Desde então, as manifestações multitudinárias se repetiram e ganharam o apoio de 70% do povo francês.

Apesar da resistência, contudo, sexta, dia 22, Sarkozy fez aprovar a nova Lei previdenciária que, entre outras coisas, eleva a idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos de idade, atacando uma conquista histórica do proletariado francês, a chamada “aposentadoria de 1945”, em referência às grandes lutas operárias que se seguiram à desocupação do país, até então sob o tacão do exército nazista.

A Central Force Ouvriére (FO) levantou já nos primeiros dias das greves e manifestações a palavras de ordem “Inimendável, indgociável, retirada!“, no que foi acompanhada pelas demais centrais, mas os parlamentares do Partido Socialista e do Partido Comunista (que dirige a principal central do país, a CGT), com a concordância de partidos de esquerda sem representação parlamentar, como o NPA, preferiram se afundar na discussão de mais de 1.000 emendas apostas ao projeto de Sarkozy, na prática, legitimando a mesma.

Uma luta contra a União Européia que coloca o problema do poder

O confisco da “aposentadoria de 1945” faz parte da adequação do país à União Européia – UE, a qual foi recusada pela maioria da população quando há dois anos votou não à constituição da União. De fato, as presentes mobilizações se chocam diretamente com a UE e recolocam o problema da ruptura da França com o quadro estabelecido por ela.

Apesar da votação do projeto de Sarkozy, a luta não terminou. Estão previstas novas mobilizações para esta semana e é o próprio governo que se encontra em xeque pois o movimento coloca progressivamente a questão do poder político no país. Nesse sentido, se convoca nesse momento uma Conferência Nacional de Delegados de Unidade dos Trabalhadores que pretende dar continuidade ao movimento pela Retirada.

Ao mesmo tempo, o movimento encabeçado pela LKP nas últimas colônias francesas de Guadalupe e Martinica, que protagonizou poderosa greve geral em 2009, está anunciando uma paralisação geral para o fim do mês de outubro. Também daí vem uma poderosa pressão sobre o Estado francês e suas instituições.

O movimento operário e juvenil, malgrado a decisão do parlamento, ainda não deu a palavra final.

Encontro marcado: próxima explosão será na Inglaterra

A crise do capital que leva a medidas extremas de ataque às conquista populares não é, entretanto, um fenômeno francês. No mesmo momento das lutas na França os trabalhadores espanhóis também paralisaram suas atividades e saíram às ruas.

No fim da semana passada, o novo governo conservador na Inglaterra lançou um pacote de terra arrasada que corta 12 bilhões de euros do orçamento social e impõe medidas de produtividade ao que restar dos serviço público. A reação às medidas já começaram e um movimento à francesa pode eclodir a qualquer momento no país.

São questões que se colocam também no Brasil, onde o capital internacional já anunciou que uma nova “reforma” previdenciária é inevitável. Cabe a nós apoiarmos os companheiros europeus e nos espelhar neles para travar nosso combate no Brasil.

Eudes Baima, professor do curso de pedagogia da FAFIDAM – Universidade Estadual do Ceará (UECE). É também vice-presidente do Sindicato dos Docentes da UECE. Artigo publicado originalmente na página: www.sinduece.org.br

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