Coreias em conflito

Coreias em conflito

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Coreia do Norte bombardeia o Sul e reacende tensão entre países, cuja paz nunca foi assinada; professor da USP explica que região tem importância ‘geopolítica fundamental’
Ronaldo Pelli

Foto de um norte-coreano na Zona Desmilitarizada entre
as Coreias do Norte e do Sul – Foto de Kok Leng Yeo / CC

Não é só no Rio que a população ficou apreensiva por conta da iminência de uma guerra. O mundo está de olho também em um outro conflito, tão ou mais complicado quanto o entre traficantes e policiais: o embate entre as duas Coreias. O assunto chegou a ser um dos assuntos mais comentados na internet.

A tensão começou na terça-feira (23), quando uma ilha na Coreia do Sul foi atingida por mísseis norte-coreanos, deixando quatro mortos – dois civis e dois militares – e cerca de 20 feridos. Em seguida, os chineses, aliados do Norte, enviaram mensageiros a Seul para evitar retaliações. Os EUA, aliados do Sul, começaram a fazer manobras em frente à cidade litorânea sul-coreana de Taean, gesto que foi mal interpretado pelos do Norte. Nesta terça-feira, por meio de sua imprensa oficial, a Coreia do Norte afirmou que sua usina de enriquecimento de urânio possui “milhares” de centrífugas e está em processo de construir um reator nuclear de água leve. Mesmo que se apresente como um projeto para fins pacíficos, o clima é tenso.

“O conflito entre as duas Coreias tem importância geopolítica fundamental”, explicou o coordenador do Laboratório de Estudos da Ásia da USP, Angelo Segrillo, que enuncia as razões de o mundo inteiro estar de olho na península:

“Primeiro, é um dos conflitos não resolvidos do tempo da Guerra Fria que persistem nestes tempos pós-Guerra Fria. Segundo, o conflito não se limita às duas Coreias. Ele envolve diretamente as duas maiores potências atuais (EUA e China) que apoiam cada uma um dos lados, sendo que os EUA têm um acordo de proteção militar com a Coreia do Sul. Terceiro, além destes quatro, o conflito envolve quase que automaticamente (por proximidade) o Japão, o que aumenta o potencial das contendas saírem de controle por excesso de lados importantes envolvidos.”

As duas Coreias guerrearam de 1950 a 1953, fruto da divisão ocorrida após a Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria vigente: o norte se tornou comunista e o sul, capitalista. Mas, diferentemente do que acontece em outros conflitos dessa natureza, a guerra não terminou com um armistício, mas uma trégua, que dura em tese até hoje.

“Não apenas os países estão tecnicamente em guerra (uma situação altamente anômala e perigosa nos tempos atuais), mas representam dois sistemas diferentes: capitalismo e socialismo”, conta Segrillo, lembrando que mesmo com o fim da União Soviética não representou o fim de todos os países comunistas. “Assim, a grande questão que dividiu o mundo na Guerra Fria (divisão capitalismo/socialismo) não terminou no período pós-Guerra Fria e dificulta a resolução do conflito.”

Outro fator que dificulta nesse processo de paz é a constante invasão do território coreano, por China e Japão, e a forte influência que países como EUA e URSS exerceram sobre as Coreias, por conta da Guerra Fria.

“Isto marcou profundamente os coreanos e torna especialmente os norte-coreanos muito sensíveis ao conflito. Eles querem a reunificação do país sob a única forma independente que veem (isto é, sem a intromissão dos EUA)”, explica o professor Segrillo.

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