Egito: “O mais belo dia de nossas vidas”

Trechos do depoimento dado por Suheir e Ahmad, um jovem casal morador no Cairo ao jornal francês Informations Ouvrières .


Quarta-feira, 26 de janeiro:

Queríamos ir à manifestação na praça Tahrir. Precisávamos atravessar a ponte 6 de Outubro, pois moramos do outro lado do rio Nilo. Sobre a ponte, encontramos uma barreira feita por policiais de uniforme. Outros estavam de moto. Lançaram gás lacrimogêneo contra nós.
Quinta-feira, 27 de janeiro:

Vimos passar diante de nossas janelas dezenas de indivíduos sobre cavalos e camelos. Eram os camelos da polícia. Os homens estavam armados com bastões.
Sexta-feira, 28 de janeiro:

Não havia mais telefones funcionando. Dois dias antes, o governo cortou a Internet. Isso pode parecer pouco, mas é muito grave. Era impossível se comunicar.Correu o boato de pilhagem em diversos bairros. No nosso, Mohandessine, todos os rapazes se organizaram para proteger a entrada das residências. Nos armamoscom bastões e facas para garantir nossa segurança. Nessa sexta, soubemos que houve depredaçõesno Museu Nacional de Antiguidades, que está na praça Tahrir. Fui com Ahmad para a praça.Manifestantes haviam cercado o prédio para protegê-lo de roubos e de pilhagens.

Sábado, 29 de janeiro:

Meu irmão, que mora em Guiza, me disse que o Comitê de Defesa do qual ele fazia parte deteve quatro ônibus que iam para o centro da cidade, repletos de criminosos e de presos por delitos comuns, que o governo havia acabado de libertar para que fossem fazer pilhagens e se enfrentar com os manifestantesna praça Tahrir.Os condutores dos onibus tinham carteiras de policiais. Eles confessaram que estavam realizandouma missão… Mubarak organiza o caos e pretende se manter no poder pelo temor do caos!
Quarta-feira, 1º de fevereiro:

Esse dia, quando estávamos em mais de dois milhões de pessoas na manifestação, foi verdadeiramente o mais belo dia de nossas vidas. Homens verificavam se os que entravam na praça não tinham armas. Havia gente vinda de todos os lados.O clima se parecia ao primeiro perfume de liberdade. As pessoas se falavam, sorriam. Alguns distribuíam água, outros, sanduíches. Havia muitas mulheres e moças. Uma grande fraternidade reinava sobre a praça. Foi um dia maravilhoso. Jamais conhecemos tal sentimento de liberdade.Todos gritavam: “Fora Mubarak!”.Alguns lançaram: “Parta Mubarak, Tel-Aviv espera”. Nos primeiros dias, as pessoas abraçavamos militares dizendo: “Somos uma única mão”. Mas, depois, a confiança se quebrou. As pessoas se organizaram elas mesmas para se defender contra os apoiadores do regime.

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