“As origens do mal”

Como o imperialismo europeu transformou uma região pacífica
no mais famoso barril de pólvora geopolítica da atualidade.
Foto: Ahmad Gharabl/AF

A revista Carta na Escola, publicação focada para estudantes e professores dos mesmos editores da Carta Capita publicou em seu site um artigo muito bom do professor Edilson Adão Cândido da Silva com o título: “As origens do mal“.

O texto trabalha com as origens dos “fundamentalismos”. Num determinado momento ele levanta algumas questões e busca responder:

“Quem matou o Mahatma Gandhi? Quem matou Yitzhak Rabin? Quem matou Anwar Sadat? Cada um desses líderes foi morto pelo fundamentalismo intrínseco à sua própria religião.

Apesar de litígios religiosos serem antiquíssimos, é no século XX que o extremismo torna-se fenômeno comum. Temos notícias de atentados religiosos desde o fim do século XIX, quando a Irmandade Muçulmana lutava contra o domínio britânico no Egito. Mas o parâmetro contemporâneo para aquilo que se convencionou designar como “fundamentalismo” podemos encontrar na Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã converteu-se em uma teocracia xiita.

Contudo, é no cristianismo que residem os primórdios do fundamentalismo. Suas raízes estão ligadas ao protestantismo cristão norte-americano do século XIX, cuja leitura literal e dogmática da Bíblia difundia a crença de uma supremacia cristã e a não aceitação de outras verdades religiosas, fundamentos que tanto contribuíram para a formação da cultura Wasp (White, Anglo-Saxon and Protestant ou Branco, Anglo-Saxão e Protestante). Líderes norte-americanos passaram a se inspirar nesses preceitos para a orientação do modo de vida, num claro enfrentamento com a modernização da sociedade. Nessa linha, o homem deve pautar-se numa leitura ortodoxa da palavra de Deus, o Ser infalível que orienta todo o modus vivendi da sociedade. Para os fundamentalistas, qualquer interpretação da vida que não encontre uma justificativa bíblica deve ser refutada. A Bíblia não deve ser interpretada, como fazem os teólogos mais progressistas, mas simplesmente obedecida, pois é a verdadeira palavra de Deus: basta segui-la. A História, a Geografia e, principalmente, a Biologia nada acrescentam ao conhecimento. O evolucionismo deve ser banido como teoria e ser substituído plenamente pelo criacionismo – esta, sim, uma teoria embasada na palavra divina. O fundamentalismo consiste nesse comportamento de obediência extrema a um credo religioso, que não aceita conviver com outra perspectiva ou forma de explicação da vida. Há uma única verdade: Deus.

Na perspectiva fanática, portanto, a crença do outro está equivocada. Acontece que, quando o outro pensa da mesma forma, aflora a intolerância e a coexistência torna-se impossível. Resultado: conflitos e mortes. A origem disso é cristã, mas, nos dias de hoje, é o fundamentalismo islâmico o mais atuante de todos e seus feitos, os mais impressionantes.”

As revoluções em curso no Norte da África, na região também conhecida como Magreb nos colocam verdadeiras questões. Alguns chama de revoluções árabes outros de revoluções do twitter.  Não me parecem nem uma coisa nem outra. São revoluções contra a fome, contra o desemprego, contra a injustiça. Muito mais que revoluções democráticas, são verdadeiros processos revolucionários cujo raiz é a realidade social do povo trabalhador.

E isso é muito mais do que árabe, muito mais que democrática, muito mais que jovens usando facebook ou twitter. É uma revolução social.

E o que tem isso com o fundamentalismo? Bom, trata-se de entender antes de tudo que a ideia de fundamentalismo não é apenas árabe. Ao contrário, é antes de tudo cristão, ocidental. Recomendo a leitura do texto “As origens do mal” por inteiro, pois ajudará a todos a saberem mais desse tema tão importante para entender o mundo atual.

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