O povo Tasai

Costumo sempre falar em minhas aulas do Clã dos Tasai, comunidade encontrada em 1971 por dois antropólogos nas Filipinas. Sempre leio o texto em sala de aula. Hoje publico ele para vocês e incluo uma foto. Se tiver dificuldades com algumas palavras, não tenha dúvida: use um dicionário (seja físico ou virtual). Boa leitura.

OS TASAI

Em 1971 foi possível a dois antropólogos estudar, se bem que incompletamente, um grupo humano, até então desconhecido, habitando a floresta, num vale, a 1500 metros de atitude, no sul da ilha Mindanao, no arquipélago das Filipinas, situada, como se sabe, na zona equatorial, com um clima muito quente e regularmente chuvoso. Pelo vale corre um rio, ao qual afluem vários riachos. Na encosta, a 150 metros do rio, abre-se uma caverna natural, de 10 metros de largura por 10 de profundidade e 7 de altura, onde se abrigam 25 pessoas: 7 homens e 5 mulheres adultas e 13 crianças.

F0to dos Tasai reproduzida a partir da divugalçao do site Brasil Escola

São os Tasai. Vestem unicamente tangas de folhas de orquídeas e fios de palma. Não conhecem agricultura nem caça. São exclusivamente coletores: alimentam-se de tubérculos de inhame, bananas, gengibre, frutos de palmeira, bagas, cogumelos, mel, batráquios, crustáceos, insetos e peixes.


Os tubérculos são extraídos do solo com um pau aguçado; os batráquios (rãs, girinos), os crustáceos (caranguejos), os insetos e os próprios peixes são apanhados com a mão.

Quase toda essa alimentação provém do rio e de suas margens, e é recolhida pelas mulheres, a restante provém da floresta, onde vão buscá-las os homens, que também dela trazem a lenha para as duas fogueiras que se mantém acessas na caverna.

Fazem o fogo pelo costumado processo de friccionar rapidamente uma vara noutro pedaço de madeira até ser atingida a temperatura necessária para incendiar o musgo seco posto em redor do ponto de fricção.

Os seus poucos instrumentos são de pedra lascada, alguns com cabo de madeira atado.Não possuem vasilhame nem quaisquer utensílios de cozinha; os alimentos são ingeridos crus, assados na brasa ou cozidos dentro de um pedaço de bambu.

A sua deslocação não excede um raio de quatro quilômetros em volta da caverna, isto é,, um território com área de 50 quilômetros quadrados – dois por pessoa, que é alias, apenas o dobro do espaço mínimo que os etnólogos têm considerado como indispensável à sobrevivência de um homem no paleolítico.

Esse território não consideram uma coisa sua: não têm noção de propriedade. São eles que fazem parte desse pequeno mundo – como as árvores, o rio e os animais.

O seu trabalho consiste apenas na coleta dos alimentos e da lenha e no tosco fabrico dos poucos instrumentos; para tal chega-lhes a manhã. De tarde, descansam, conversam, enquanto as crianças brincam . Entre eles não há chefia alguma. Também não há, praticamente, problemas a resolver e decisões a tomar, pois todos os dias repetem os mesmos gestos, as mesmas tarefas.

Vivem todos juntos; mas não em promiscuidade: dividem-se em casais, cada um com seus filhos.

O casamento é exogâmico, ou seja, as moças saem do grupo para casar fora dele, e os rapazes buscam mulher também no exterior. Onde? Em clãs semelhantes, que vivem nas regiões próximas, e que os antropólogos não puderam conhecer.

Se o grupo aumenta muito, uma parte dele emigra, para fundar mais longe, outro clã, já que o território a que pertencem não poderia alimentar muita gente.

Não foi possível aos antropólogos visitantes encontrar sinais de crenças ou práticas religiosas – o que não quer dizer que de todo não as haja.

Também os Tasai não produzem quaisquer obras de arte – esculturas, pinturas ou desenhos.

FONTE: Resumo do relatório de carlos fernandes e frank lynch para a fundação panamin, condensado em “l’express”, 1103 de 20 de agosto de 1972. Retirado do livro “900 textos e documentos de História – Volume I” organizado por Gustavo Freitas e publicado em Portugal pela Plátano Editora.

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