As armas estão com os pobres?

Mc Leonardo

Todas as pessoas lembram sempre da favela quando o assunto é o problema das armas de fogo no Brasil.

Essa ligação é compreendida quando temos uma população desinformada e manipulada pela mídia.

Nas comparações que farei aqui usarei o Rio como exemplo, pois vivo aqui, mas imagino que é o retrato das principais cidades brasileiras.

Cada comércio tem alguém armado na porta, seja ele qual for, e essa segurança é feita na maioria das vazes de maneira irregular.

Os policiais são proibidos de fazer segurança particular armados, e mesmo assim fazem para poder complementar seus ridículos salários, fazendo com que em cada esquina tenha no mínimo uma arma dentro de uma ilegalidade.

Os bairros mais ricos gastam mais com segurança particular do que a própria cidade gasta para dar segurança para toda sua população.


As ruas Ataulfo de Paiva (Leblon) e Visconde de Pirajá (Ipanema) têm mais armas do que na favela da Rocinha, e falo somente das armas que estão a serviço da defesa do patrimônio dos comércios das principais ruas desses dois bairros, pois se for comparar com as armas que estão dentro dos apartamentos para segurança pessoal em todas as ruas do Leblon e Ipanema, esse número vai ser superior a mais de vinte favelas juntas (as vinte mais armadas).

AS armas que estão na mão do verejo da droga são consequência da falta de política voltada para o tráfico de armas no Brasil, o que facilitou e muito a chegada dessas armas de diversas partes do mundo na mão de quem nem conhece a cidade.

O discurso de que as armas do Estado tinham que se equiparar-se com as armas que estava na mão do varejo da droga foi a pior coisa que poderia ter acontecido para todo o estado.

Primeiro, é a fabricação e entrada legal de armas de grossos calibres no Brasil.

Segundo, é um despreparo para o manuseio por parte da imensa maioria de policiais que são obriugados a portá-las.

Terceiro, que acabou fortalecendo ainda mais o comércio ilegal dessas máquinas mortíferas por todo o território brasileiro.

O Governador do Rio de Janeiro quando fala das Unidades de Polícia Pacificadora (as chamadas UPPs) que foram instaladas nas favelas cariocas, sempre lembra que as UPPs foram elaboradas para combater as armas e o “poder paralelo” que fazia as comunidades reféns.

Queria lembrar que essa tal paficicação tão falada por ele está sendo feita somente com a presença de novas armas, já que outros órgãos governamentais não entram nas favelas depois da ocupação policial, fazendo com que a população continue refém do poder paraleo, pois a polícia está agindo dentro dessas comunidades de forma arbritária.

Todas as armas, sejam legais e ilegais, na mãos de pobres ou de ricos, estão a serviço mesmo que involuntariamente de um só poder, que é o do capital.

Mirar o problema das armas para dentro da favela é mais explícita de criminalização da pobreza, a mídia inescrupulosa faz e a população desinformada aplaude.

Mc Leonardo é presidente da APAfunk, cantor e compositor.

Artigo ublicado na edição de Junho de 20011 da revista Caros Amigos

Para quem não lembra do Mc Leonardo,  de armas ele entende (como diria meu amigo Amauri Gonzo) :

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s