Acidentes, crimes e as condições de trabalho

Quando vejo uma notícia como essa me pergunto sobre a utilização das palavas e seus significados.

Acidentes acontecem. Mas quando o acidente é causado pelo descaso, pela vontade do lucro, deixa de ser acidente, passa a ser crime.

Mesmo a notícia sendo de uma fonte sindical, ela me parece insuficiente.

Nove trabalhadores, pessoas, seres humanos morreram. Eram filhos de alguma mãe? Eram pais de crianças? Eram namorados de alguém? Torciam para algum time? Gostavam de música? Sabiam contar piadas?

O que passou pela cabeça deles nos segundos entre entrarem e o espatifamento do elevador após os 80 metros de queda? Quais histórias passaram pelos olhos de cada um?

É muito triste. E não me parece acidente. Me parece crime premeditado.

Acidente mata nove operários em Salvador e escancara condições precárias nas obras da construção civil

Prevenção dos acidentes ainda é um dos desafios na área

Nove operários que trabalhavam na construção de um prédio no bairro de Itaigara, em Salvador, foram às novas vítimas fatais do descaso e descompromisso das construtoras que deveriam ser as responsáveis pela segurança dos trabalhadores.

Eles estavam em um elevador quando este despencou de uma altura de aproximadamente 80 metros. Segundo informações dos próprios operários, a capacidade do elevador era para no máximo oito pessoas.

“É visível a situação precária no local do acidente. Se você olhar o prédio, não há uma preocupação com a questão da segurança. Não há, por exemplo, tela de proteção, um dispositivo básico em todas as obras”, denuncia Edilson Almeida, secretário de Saúde e Meio Ambiente da Conticom, que está no local do acidente acompanhando o desfecho dos fatos.

“Inclusive, nós teríamos uma reunião marcada para esta tarde com o CPR (Comitê Permanente Regional – fórum de debate sobre normas de segurança para o setor da construção civil), que teve de ser adiada. Vamos reivindicar que ela ocorra o mais rápido possível para cobrarmos uma mais ação mais efetiva frente ao descaso e falta de compromisso com a prevenção dos acidentes. É preciso dar visibilidade para os riscos que correm a maioria dos operários. Com este boom de obras a situação que deveria melhorar só vem piorando”, desabafa Edilson.

O Sindicato local informou que vai denunciar o caso ao Ministério do Trabalho para que a obra seja embargada.

Escrito por: William Pedreira, do site da CUT Nacional.

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