ENEM 2017: O significado da redução do número de inscritos

O portal UOL divulgou que “Enem tem mais de 6,5 milhões de inscritos; nº é inferior ao do ano passado“.

O que isso significa?

Me parece que duas medidas do governo Temer tiveram impacto decisivo na redução das inscrições.

Em primeiro lugar o fim da certificação do Ensino Médio que a prova oferecia para pessoas que não puderam concluir os estudos nas escolas e supletivos. Bastava atingir um patamar mínimo na prova que o governo concedia o certificado de conclusão do Ensino Médio. Agora é preciso fazer outra prova do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos – ENCCEJA. Aqui, veremos uma redução significativa do acesso a certificação, pois o ENCCEJA tem uma divulgação muito menor que o ENEM na mídia.

Em segundo lugar, o que impactou as inscrições foi um novo e abrupto reajuste da taxa de inscrição. O valor passou de R$ 35,00 em 2014 para R$ 63,00 em 2015, no segundo governo Dilma, por exigência do Ministro Joaquim Levy e agora no governo Temer chegou R$ 82,00.

Sem dúvidas, o aumento do preço da inscrição é um fator que excluí jovens e adultos que querem tentar uma chance de acesso ao ensino superior.

Também dificulta para estudantes que estão nas series iniciais do ensino médio realizarem as provas como treineiros.

A redução das inscrições evidenciam um problema de exclusão e de redução das expectativas de progresso na vida dos estudantes.

 

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2 pensamentos sobre “ENEM 2017: O significado da redução do número de inscritos

  1. Mantiveram, por 14 anos, o valor de R$35, enquanto o custo por aluno era muito maior. Hoje os reajustes são altos pois não houve reajustes por 14 ANOS. Talvez se alterassem as taxas de acordo com o custo do aluno durante todos esses anos, não haveria motivos para pagar, neste ano, 82 reais.

    • Olá Mateus:
      Penso diferente. O que é normal.
      Tarifas públicas não são e não podem ser calculadas pelos custos. Isso é a fórmula de abordar questões de uma empresa privada.
      Quando se fala de serviço público, o trato não é igual.
      O ENEM não é um serviço vendido por alguém.
      É o meio pela qual um cidadão deve passar para chegar ao seu direito de continuar seus estudos.
      Já existe as isenções. Mas os critérios não são totalmente claros.
      A questão é: será que não seria melhor usar recursos públicos que são usados, por exemplo na publicidade governamental ou no pagamento de juros para o sistema financeiro para subsidiar um Exame que dá acesso a direitos.

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