Rambo: geopolítica, história e sociologia

John Rambo e sua faca multiuso, no primeiro filme da franquia.

Nesse carnaval o canal de TV por assinatura decidiu passar os três primeiros filmes da série RAMBO.

A história de John Rambo não é apenas uma franquia de filmes ruim que viraram brinquedos e desenhos animados. É verdade que o primeiro filme é bom em vários aspectos.

Rambo é um dos poucos filmes estadunidenses que conta a história da derrota do exército yankee na guerra do Vietnã pelas forças do General Giap, comandante militar das forças Vietcongs – Frente Nacional de Libertação do Vietnã.

Assistir a trilogia Rambo (o quarto filme é meio picareta) é antes de tudo assistir aulas de geopolítica dos anos 1970/1980. Entre o trauma dos EUA diante formidável vitória do povo vietnamita — um povo que derrotou o maior exército do mundo ocidental e a incursão dos EUA ao apoio das forças reacionárias fundamentalistas do Taliban no Afeganistão, temos nos três filmes uma narrativa de como os EUA refazem a própria história.

Rambo dando joinha no quarto filme da franquia.

O primeiro filme mostra o retorno de um militar das forças especiais em busca de algum destino após a derrota. Vagando pelas entranhas dos EUA é maltratado e pelo poder público (polícia), perseguido e por fim despertado como militar que decide explodir a cidade toda.

O segundo filme, já sob tutela direta do Departamento de Estado, inventa uma missão de resgate de soldados americanos aprisionados. É o pior de todos. É o que consagrou Rambo como “super-herói” que derrota uma divisão de uma exército com um arco e flecha e uma faca militar. Tudo isso para fazer os americanos esquecerem a derrota na guerra. Precisavam derrotar os vietnamitas na ficção.

Forças Vietcongs ocupando a embaixada dos EUA na Queda de Saigon.

O terceiro mostra Rambo indo combater soviéticos no Afeganistão ao lado de Osama Bin Laden. O terceiro filme da série Rambo ficou, após o 11 de setembro de 2001 proscrito da televisão. Era muito embaraçoso para o governo dos EUA explicar os recursos e a assessoria dada aos aos Talibans, chamados na época como “combatentes da liberdade”.

Fuga de americanos e colaboradores na embaixada em Saigon.

Assistir esses filmes é aprender como quem conta a história pode inventar estórias sobre a própria história. A manipulação é tamanha que é capaz de nos EUA ter gente que acredite que quem ganhou a guerra do Vietnã foram as forças estadunidenses.

Forças Vietcongs que derrotaram forças armadas dos EUA.

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