9 de julho: a história do Dia da Luta Operária na cidade de São Paulo

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Hoje é 9 de julho, completa-se 101 anos do assassinato de José Martinez, jovem sapateiro e militante operário anarquista. Baleado em 9 de julho, morto em 11 do mesmo mês, sua morte e a de outros trabalhadores e trabalhadoras (inclusive de crianças) é na cidade de São Paulo um marco na história, um estopim que fez massas de trabalhadores.

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Cotonifício Crespi, esquina da rua dos Trilhos com a rua ruas Visconde de Laguna na Mooca.

A greve teve início dias antes pela coragem das mulheres e homens tecelões do Cotonifício Crespi, no bairro da Mooca. A força dessa greve disposição fez o movimento avançar. A morte de de José Martinez em 9 de Julho foi detonador da generalização da greve expandindo-se por todos os Bairros da cidade e por outras partes do Brasil.

 

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Ladeira Porto Geral, no centro da cidade de São Paulo no cortejo fúnebre do jovem sapateiro José Martinez.

O Comitê de Defesa Proletária, órgão que reunia as lideranças dos sindicatos, associações e ligas operárias publicou uma lista de reivindicações:

– Que sejam postas em liberdade todas as pessoas detidas por motivo de greve;
– Que seja respeitado do modo mais absoluto o direito de associação para os trabalhadores;
– Que nenhum operário seja dispensado por haver participado ativa e ostensivamente no movimento grevista;
– Que seja abolida de fato a exploração do trabalho de menores de 14 anos nas fábricas, oficinas etc.;
– Que os trabalhadores com menos de 18 anos não sejam ocupados em trabalhos noturnos;
– Que seja abolido o trabalho noturno das mulheres;
– Aumento de 35% nos salários inferiores a $5000 e de 25% para os mais elevados;
– Que o pagamento dos salários seja efetuado pontualmente, cada 15 dias, e, o mais tardar, 5 dias após o vencimento;
– Que seja garantido aos operários trabalho permanente;
– Jornada de oito horas e semana inglesa;
– Aumento de 50% em todo o trabalho extraordinário.

A greve arranca conquistas importantes.

Hoje é feriado no Estado de SP. Eu defendo feriados pois eles devolvem aos trabalhadores tempo livre, poucas horas que os seus empregadores gostariam de explorar normalmente. Feriado é sempre uma conquista para quem trabalhar.

Historicamente o feriado estadual “comemora” a derrota da elite oligárquica paulista em 1932, na mal nominada “Revolução Constitucionalista”, na verdade uma tentativa de golpe contra o governo federal encabeçado naquele momento por Getúlio Vargas.

Eu prefiro lembrar dessa como uma homenagem a luta da classe trabalhadora por sua emancipação. A iniciativa da lei que determinou o 9 de julho como Dia da Luta Operária é do vereador Antônio Donato, do Partido dos Trabalhadores.

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Rambo: geopolítica, história e sociologia

John Rambo e sua faca multiuso, no primeiro filme da franquia.

Nesse carnaval o canal de TV por assinatura decidiu passar os três primeiros filmes da série RAMBO.

A história de John Rambo não é apenas uma franquia de filmes ruim que viraram brinquedos e desenhos animados. É verdade que o primeiro filme é bom em vários aspectos.

Rambo é um dos poucos filmes estadunidenses que conta a história da derrota do exército yankee na guerra do Vietnã pelas forças do General Giap, comandante militar das forças Vietcongs – Frente Nacional de Libertação do Vietnã.

Assistir a trilogia Rambo (o quarto filme é meio picareta) é antes de tudo assistir aulas de geopolítica dos anos 1970/1980. Entre o trauma dos EUA diante formidável vitória do povo vietnamita — um povo que derrotou o maior exército do mundo ocidental e a incursão dos EUA ao apoio das forças reacionárias fundamentalistas do Taliban no Afeganistão, temos nos três filmes uma narrativa de como os EUA refazem a própria história.

Rambo dando joinha no quarto filme da franquia.

O primeiro filme mostra o retorno de um militar das forças especiais em busca de algum destino após a derrota. Vagando pelas entranhas dos EUA é maltratado e pelo poder público (polícia), perseguido e por fim despertado como militar que decide explodir a cidade toda.

O segundo filme, já sob tutela direta do Departamento de Estado, inventa uma missão de resgate de soldados americanos aprisionados. É o pior de todos. É o que consagrou Rambo como “super-herói” que derrota uma divisão de uma exército com um arco e flecha e uma faca militar. Tudo isso para fazer os americanos esquecerem a derrota na guerra. Precisavam derrotar os vietnamitas na ficção.

Forças Vietcongs ocupando a embaixada dos EUA na Queda de Saigon.

O terceiro mostra Rambo indo combater soviéticos no Afeganistão ao lado de Osama Bin Laden. O terceiro filme da série Rambo ficou, após o 11 de setembro de 2001 proscrito da televisão. Era muito embaraçoso para o governo dos EUA explicar os recursos e a assessoria dada aos aos Talibans, chamados na época como “combatentes da liberdade”.

Fuga de americanos e colaboradores na embaixada em Saigon.

Assistir esses filmes é aprender como quem conta a história pode inventar estórias sobre a própria história. A manipulação é tamanha que é capaz de nos EUA ter gente que acredite que quem ganhou a guerra do Vietnã foram as forças estadunidenses.

Forças Vietcongs que derrotaram forças armadas dos EUA.

Sobre a ocupação humana das Américas

Ilustração do índios Botocudos (WIKIMEDIA COMMONS)

A revista Galileu traduziu um artigo da Eureka Alert muito interessante e que tende a exigir a reavaliação de boa parte da narrativa sobre a colonização da América do Sul.

Há diferentes teorias sobre a colonização do continente Americano.

Algumas afirmam colonização humana tem cerca de 60.000 anos. Outras trabalham com uma data muito menor, de 12.000 anos.

Na arqueologia brasileira isso é um debate vivo intenso. E de certo modo, um fator de constrangimento para o desenvolvimento de teorias.

A teoria mais tradicional é aquela que explica a migração de povo nômades durante uma era glacial que criou uma ponte intercontinental no Estreito de Bering entre onde hoje entre a Rússia e o Alasca. Dai a explicação da fisionomia indígena brasileira com traços mongólicos.

Mas o surgimento de novas provas podem indicar uma ocupação mais antiga e mais complexa.

Pesquisa genética revela que DNA de índios botocudos é da Polinésia

Descoberta reforça tese de que os polinésios participaram do povoamento da América e desembarcaram no continente séculos antes do que os europeus

Na época da colonização portuguesa, diversos grupos indígenas que ocupavam as regiões onde hoje se encontram os estados de Minas Gerais e Espírito Santo receberam o nome genérico de “botocudos”, em referência aos botoques que utilizavam para ornamentar o rosto – aqueles grandes discos de madeira que alargavam a boca e as orelhas. Apesar de terem sido muito numerosos naquela época, hoje estão praticamente extintos.

Um artigo publicado na última quinta-feira (23/10) na revista Current Biology revelou os resultados obtidos a partir de testes genéticos realizados nos crânios de dois índios botocudos, que viveram por volta de 1800. Os pesquisadores não encontraram no DNA nenhum traço de ancestralidade de americanos nativos, mas sim de grupos originários da Polinésia.

“As populações humanas primitivas exploraram extensivamente o planeta”, disse a autora Anna-Sapfo Malaspinas ao site EurekAlert. “As versões de apostila dos eventos da colonização humana – o povoamento das Américas, por exemplo – precisam ser reavaliadas utilizando dados genômicos”, afirmou. A pesquisadora também colaborou com outro artigo publicado na mesma edição do periódico que oferece uma explicação embasada na genética e na arqueologia ao mistério dos genes polinésios dos botocudos do Brasil.

O estudo analisou o DNA de 27 indivíduos do povo nativo da Ilha de Páscoa, os rapanui. As descobertas mostraram que o material genético desta população é 76% polinésio, 8% americano nativo e 16% europeu. Por meio de padrões de mistura de genes, notou-se que entre os anos 1300 e 1500 houve um contato intenso entre os rapanui e os habitantes da América do Sul, há cerca de 19 a 23 gerações. A mistura com os europeus só foi ocorrer séculos mais tarde, por volta de 1850.

Os cientistas acreditam que quem empreendia as viagens de barco eram as pessoas da ilha, pois para eles era garantido que rumando para o leste chegariam ao continente; a missão era muito mais difícil para os americanos, que teriam de encontrar uma porção de terra relativamente pequena no meio do oceano. O trajeto de cerca de 3000 quilômetros poderia levar de duas semanas a dois meses para ser percorrido.

A Ilha de Páscoa está localizada na extremidade leste do triângulo polinésio, formado também pelas ilhas da Nova Zelândia e do Havaí. Evidências arqueológicas indicam que o povoamento do território ocorreu por volta de 1200, quando de 30 a 100 indivíduos da Polinésia chegaram ali em canoas, entre eles homens, mulheres e crianças. Vivendo em uma das localidades mais isoladas do planeta a ser habitada por seres humanos, esta população construiu nos séculos seguintes cerca de 900 moais, as famosas estátuas de pedra, com algumas chegando a pesar 82 toneladas.”

Quer saber mais sobre o assunto?

Você também pode ler o ótimo artigo “História da ocupação humana das Américas fica cada vez mais confusa” do jornalista Reinaldo José Lopes para editoria de ciências do jornal Folha de S. Paulo.

Outro sugestão é o documentário Jornada Humanas – As Américas:

A versão da migração pelo Estreito de Bering é explicada nesse vídeo-documentário “Jornada a 10.000 a.C” do canal History;

Festa juninas: sincretismo entre o cristianismo e as tradições pagãs

Festa de Santo Antonio, de Nerival Rodrigues

A professora Joelza Ester Domingues produz o blog “Ensinar História” com dicas e materiais de apoio a professores e estudantes. Material de primeira qualidade.

Nessa semana ela postou um ótimo artigo, onde mostra como a manifestação da cultura popular herdada de Portugal medieval que veio ao Brasil pela colonização, remonta a ritos pagãos muito anteriores ao cristianismo. Um exemplo de como a Igreja apropriou-se de festas pagãs resignificando-as com uma nova roupagem e com novos significados.

Leiam o artigo completo aqui:  “FESTAS JUNINAS, CULTURA PAGÃ CRISTIANIZADA” de Joelza Ester Domingues.

Primeiros passos da história em filmes (Paleolítico e Neolítico)

• 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO  (Stanley Kubrick, 1968)
Filme de ficção cientifica. Mas seus primeiro 16 minutos fazem uma espécie de demonstração do salto evolutivo do nosso antepassado primata para o surgimento da humanidade, com a reflexão de um primata diante da necessidade, para pensar no seu meio e nas formas de ampliar sua força e capacidade de transformação da natureza. Foi criticado por antropólogos. Mas ainda sim, apresenta uma ideia importante sobre o processo da evolução humana. Veja o trecho:

 

• GUERRA DO FOGO (Jean-Jacques Annaud, 1982)
A Guerra do Fogo conta a saga de uma tribo e seu líder, Naoh, que tenta recuperar o precioso fogo recém-descoberto e já roubado.
Na história, o personagem parte para uma jornada através dos pântanos e da neve, onde encontra outras tribos, em estágios diferentes de evolução e desenvolvimento cultural. Os sons e a linguagem embrionária do filme são criações do escritor Anthony Burgess, o mesmo de Laranja Mecânica. O filme foi duramente criticado por antropologos que estudam o desenvolvimento humano, por erros nareconstituição da pré-história. Mas isso não invalida em nada o filme, para entendermos elementos do desenvolvimento humano no paleolíco (idade da pedra lascada) e no neolitico (idade da pedra polida) no caminho para o domínio do fogo pela humanidade. Nesse sentido o filme é uma aula que vale ser assistida. Veja trailler:

• 10.000 a.C. (Roland Emmerich, 2008)
No geral, esse filme é ruim. Cheio de coisas “sem-pé-nem-cabeça”. Ou seja, para ser bem claro: não leve o filme a sério. Mas há passagens nele que são bem interessantes. Uma delas é a ideia trabalho colaborativo na caçada de mamutes. Há também a caçada humana, por parte de uma civilização que escravizava povos de outras regiões. Na história também mostra-se a questão dos estágios culturais diferentes entre povos que viviam numa mesma época. Veja trailler:

Filme completo: