75 anos de Gilberto Gil

A música brasileira é uma constelação de estrelas, de todos os tamanhos e magnitudes. Há até buracos negros, que ocultos, são descobertos por acaso e mostram a música e a poesia em todas as suas faces.

Gilberto Gil, gênio baiano, mestre do tropicalismo e fabuloso criador de canções.  Hoje ele completa 75 anos de vida.

Sua obra esteve presente em várias questões em vestibulares e no ENEM.

Em 1973, Gil fez um show para estudantes da USP:

Na descrição do vídeo, um curto registro da história do show.

“Em março de 1973, o estudante de geologia Alexandre Vannuchi Leme foi torturado e assassinado pelo governo militar que dominava o Brasil. Laís Abramo, que era conhecida de Gilberto Gil convenceu o cantor a fazer um show em protesto contra a morte do estudante. A apresentação foi marcada para 26 de Maio, um sábado à tarde. Gil canta durante mais de duas horas, inicialmente tentando aliviar o clima pesado, com músicas como “Chiclete com Banana”, “Senhor Delegado”, “Eu quero um samba” , mas o público que mais – pede “Cálice” . Gil desconversa, diz que não se lembra bem da letra, mas um estudante pega um pedaço de papel e escreve a letra e entrega para Gil, que não tem então como não cantá-la. O interessante é que tudo isto está registrado em áudio, inclusive vários trechos de diálogo entre Gil e os estudantes presentes.”

Um relato deste momento está no livro Cale-se de  Caio Túlio Costa.

Escutar e conhecer a história de Gil é conhecer uma época. Escute o mestre Gilberto Gil.

 

Universidade pública: cobrar mensalidades? NÃO!

Leiam abaixo uma postagem que a professora Tatiana Roque desmontando as falsificações contra as universidades públicas. O fato que a pior universidade pública ainda é melhor que média das universidades privadas. Os congelamento dos recursos, que vão se aprofundar com a aplicação das leis de ajuste fiscal, vão buscar incentivar a prática de cobrança de taxas e mensalidades nas instituições públicas. Um atentado contra o direito a educação pública e gratuita.
Leiam a postagem da professora Tatiana Roque:
“Sempre que você ouvir dizer que a universidade pública é para os mais ricos, observe quem é considerado rico no Brasil. No gráfico abaixo, usado para corroborar a tese de que a universidade pública reproduz as desigualdades, é usada uma classificação oficial de 2013, considerando rico quem ganha mais de mil reais por mês.


A universidade pública tem muitos problemas que precisam ser resolvidos urgentemente, mas cobrar mensalidades não é uma solução. Em qualquer lugar do mundo onde se faz pesquisa há grande investimento público. Nas universidades onde há pesquisa, o ensino é melhor. Logo, ensino de qualidade necessita de investimento público. Que a gente se concentre em pensar sobre como tais investimentos devem ser feitos para que a sociedade possa acompanhar melhor seus efeitos, para que enxergue a universidade pública como um bem comum. Nesse ponto, aí sim, no que diz respeito à comunicação com o lado de fora e ao engajamento da sociedade como um todo, é verdade que fazemos pouco.”

Tatiana Roque, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

ENEM 2017: O significado da redução do número de inscritos

O portal UOL divulgou que “Enem tem mais de 6,5 milhões de inscritos; nº é inferior ao do ano passado“.

O que isso significa?

Me parece que duas medidas do governo Temer tiveram impacto decisivo na redução das inscrições.

Em primeiro lugar o fim da certificação do Ensino Médio que a prova oferecia para pessoas que não puderam concluir os estudos nas escolas e supletivos. Bastava atingir um patamar mínimo na prova que o governo concedia o certificado de conclusão do Ensino Médio. Agora é preciso fazer outra prova do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos – ENCCEJA. Aqui, veremos uma redução significativa do acesso a certificação, pois o ENCCEJA tem uma divulgação muito menor que o ENEM na mídia.

Em segundo lugar, o que impactou as inscrições foi um novo e abrupto reajuste da taxa de inscrição. O valor passou de R$ 35,00 em 2014 para R$ 63,00 em 2015, no segundo governo Dilma, por exigência do Ministro Joaquim Levy e agora no governo Temer chegou R$ 82,00.

Sem dúvidas, o aumento do preço da inscrição é um fator que excluí jovens e adultos que querem tentar uma chance de acesso ao ensino superior.

Também dificulta para estudantes que estão nas series iniciais do ensino médio realizarem as provas como treineiros.

A redução das inscrições evidenciam um problema de exclusão e de redução das expectativas de progresso na vida dos estudantes.

 

Origens sociais do Dia das Mães

Por Alexandre Linares

​Ontem ouvi a história da origem do dia das mães no século XIX. Foi um pequeno programa da Rádio USP (em SP 93,7 ou pela internet pelo aplicativo Jornal USP).
A ativista Ann Maria Reeves Jarvis, que fundou em 1858 os Mothers Days Works Clubs com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Uma denuncia da subnutrição infantil e materna, dos baixos salários e da péssimas condições de vida.

Ela fez um movimento para evidenciar e exigir solução para a condição de miséria das mães.

Após sua morte sua filha Ana Jarvis, fez um movimento por um feriado para as mães. A data acabou por ser institucionalizada no segundo domingo de maio para não ser um feriado. Pouco anos depois revoltada com a desvirtuação da data para fins comerciais, sua filha tentou acabar com a data, sem sucesso. 

A data do Dia das Mães acabou sendo, como tudo na nossa sociedade capitalista, transformada numa mercadoria. Ou melhor num marco de incentivo a consumo de mercadorias e apagando o conteúdo histórico e social original da data.

No Brasil a data foi instituída no governo Getúlio Vargas.

O que explica a violência contra a mulher? – Cynara Menezes

Artigo essencial para entender a solução para diferentes problemas sociais passam de modo concreto, por fortalecer os serviços públicos.
Cynara Menezes mandou muito bem. E isso vale para outras questões também. A questão da criança e do adolescente, a questão do jovem, a questão do idoso… São como o exemplo dado na matéria.
É preciso romper com a “realpolitik” da preservação dos contratos de políticas privatizadoras. Sem medo.
Urge acabar com isso. Romper com essa lógica que esquece do povo pobre das periferias. Em São Paulo diria que isso começa pelo fim da política de entrega de serviços públicos para Organizações Sociais ou concessão à empresas privadas. Isso priva o povo de seus mais elementares direitos ao colocar o lucro como alicerce de políticas públicas.
É preciso de serviço público, com servidores qualificados, bem remunerados e com plenos em direitos. Sem isso a maior parte dos problemas do povo não terão solução. E não dá para esperar. É preciso o quanto antes. Agora. Já.

O que explica a violência contra a mulher?

Pesquisa mostra que serviços públicos precários aumentam a sensação de medo das mulheres.
por Cynara Menezes — publicado 08/08/2014 04:02, última modificação 08/08/2014 19:03

FONTE: http://www.cartacapital.com.br/revista/812/a-propria-sorte-3331.html

Ekaterina Nosenko/Getty Images
Violência

Falta de iluminação e policiamento, rede de transporte deficiente… Tudo aumenta o risco às mulheres

 Todos os dias, a auxiliar de limpeza Jaqueline Teixeira dos Santos, de 35 anos, sai de casa, no bairro de Heliópolis, na capital paulista, para ir à faculdade de Pedagogia. Em uma caminhada de 30 minutos, a passos rápidos, sobressalta-se a cada barulho ou estranho que cruza pelo caminho, mal iluminado e sem policiamento. Troca de calçada quando se depara com grupos de rapazes desconhecidos e evita usar roupas “chamativas”. Embora necessite para seus trabalhos na faculdade, prefere não levar o laptop.

A mais de 2 mil quilômetros dali, nas proximidades do Cabo de Santo Agostinho, cidade da região metropolitana do Recife, Madalena Barbosa, de 40 anos, abriu mão de trabalhar fora como técnica de enfermagem por causa da falta de transporte público perto de casa. A única opção a faria caminhar por um longo trecho na escuridão e sem proteção policial.

As duas situações ilustram o que uma pesquisa da ONG internacional ActionAid descobriu ao ouvir mulheres de baixa renda no Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Segundo as entrevistadas, não é, como sugerem os machistas, a maneira de se vestir, mas a má qualidade dos serviços públicos o principal facilitador para a violência contra a mulher. A falta de iluminação nas ruas é a queixa mais frequente, seguida da falta de policiamento e do transporte precário. Questões banais como o tempo de espera no ponto de ônibus influenciam na sensação de segurança. Se o ônibus vem logo, é tranquilo. Quanto mais a condução tarda e se fica sozinha no ponto, mais aumenta o medo.

A pesquisa recolheu depoimentos dramáticos sobre situações cotidianas. Entre eles o de uma adolescente de 15 anos do Cabo de Santo Agostinho, cidade que viveu, nos últimos anos, um crescimento populacional por conta das obras do Porto de Suape. “Quem me dera se pudesse ser livre, se pudesse viver sem medo, se as ruas fossem todas iluminadas na minha comunidade, se pudesse ir sozinha para o ponto de ônibus a qualquer horário. Quem me dera ter um policiamento bom, e que eu não precisasse ter medo dele. Como seria bom se me sentisse segura no ônibus e pudesse ir nele para a escola ou para qualquer outro lugar sem ter nenhum, nem um pouquinho de medo de nada”, resumiu a menina.

Os alarmantes números sobre os casos de estupro explicam o temor feminino ao andar em ruas ermas e mal iluminadas. Apenas no Distrito Federal acontecem, em média, dois estupros por dia, segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública em delegacias da capital em janeiro e fevereiro deste ano. O Ceará, outro estado que realizou idêntica apuração, chegou a número semelhante, com 66 casos entre janeiro e fevereiro. No ano passado, foram 536 estupros, ou dez por semana. Em todo o Brasil, informa o Ipea, estima-se que, a cada ano, 527 mil cidadãos sejam estuprados, 89% são mulheres.

“Causa espanto descobrir que muitos desses casos de assaltos e estupros poderiam ter sido evitados se iniciativas tão simples fossem tomadas, como aumentar a iluminação das ruas”, diz Ana Paula Ferreira, coordenadora da Equipe de Direito da Mulher da ActionAid no Brasil. “A precariedade dos serviços públicos aumenta a vulnerabilidade das mulheres e contribui para elas deixarem de estudar ou trabalhar movidas pelo medo.”

As pesquisadoras ficaram surpresas ao descobrir que, como as mulheres da zona rural, também aquelas das zonas urbanas levavam lanterna na bolsa para se locomover pela cidade. Ou usavam a lanterna do celular para iluminar o caminho. Em alguns lugares, como Passarinho, bairro de Olinda, Pernambuco, havia vários pontos sem iluminação. Em Upanema, no Rio Grande do Norte, o grupo organizou um “lanternaço” contra a iluminação precária e, no dia seguinte, a companhia de eletricidade apareceu para corrigir os problemas.

A falta de policiamento, outra queixa constante, esbarra em uma realidade chocante: segundo as mulheres ouvidas pela pesquisa, a maior parte dos casos de assédio nas ruas é protagonizada pelos próprios policiais. “O despreparo da polícia é enorme, ela não é treinada para acolher a mulher”, diz Ana Paula Ferreira. “É preciso aumentar o policiamento, mas eles têm, principalmente, de ser mais bem preparados. Se não qualificar, não vai adiantar nada.”

Um dos pontos mais importantes da campanha por “Cidades Mais Seguras Para as Mulheres” não se resume ao risco de assaltos e estupros provocado pela baixa qualidade dos serviços públicos. Há o prejuízo profissional e pessoal, com efeitos sobre a autoestima. Várias mulheres afirmaram ter deixado de sair para se divertir pela falta de transporte disponível ou por temerem o caminho a percorrer. Mais grave: muitas recusaram oportunidades de trabalho pela mesma razão.

“Minha filha Rayssa ganhou uma bolsa de estágio, mas nós não a deixamos aceitar porque seria no Recife e ela teria de voltar à noite por um caminho perigoso”, conta Madalena, a técnica de enfermagem que virou vendedora de salgadinhos por não querer encarar a escuridão. “Não tem um poste no caminho pelo qual ela teria de passar. Com luz, ao menos é possível enxergar o que está a 2 metros da gente.”

“Num lugar ermo, sem iluminação, a pessoa pode estar escondida e a gente não vê”, diz Jaqueline, chateada por não levar seu laptop para a faculdade. “Como eu trabalho de dia, poderia aproveitar o intervalo para me reunir com o grupo de colegas e adiantar os trabalhos. Sem o laptop, não dá.”

Na carta pública a ser divulgada, a ActionAid cobrará o empenho dos governos estaduais e federal, do Legislativo e dos prestadores de serviços públicos, como as companhias de energia elétrica. Poucas vezes os políticos tiveram diante de si a oportunidade de fazer (e realizar) promessas tão básicas.

*Reportagem publicada originalmente na edição 812 de CartaCapital com o título “À própria sorte”