Society (Sociedade) – por Eddie Vedder

Canção solo de Eddie Vedder (vocalista do Perl Jam), parte da trilha sonora do filme “Na Natureza Selvagem” (“Into The Wild”) sobre a vida de Christopher McCandless.

Tradução (via Vagalume)

Sociedade

É um mistério para mim

Nós temos uma ganância com a qual concordamos

Você pensa que você tem que querer mais do que precisa

Até você ter isso tudo, você não estará livre


Sociedade, essa raça louca

Espero que você não esteja tão só sem mim


Quando você quer mais do que possui

Você pensa que precisa

E quando você pensa Mais do que você quer

Seus pensamentos Começam a sangrar

Acho que preciso Encontrar um lugar maior

Pois quando você tem Mais do que você pensa

Você precisa de mais espaço


Sociedade, essa raça louca

Espero que você não esteja tão só sem mim

Sociedade, realmente loucos

Espero que você não esteja tão só sem mim


Existe esses que pensam que mais é menos, menos é mais

Mas se menos é mais, como você pode continuar pontuando?

Significa que a cada ponto que você marca, sua pontuação cai

Meio que parece estar começando do topo

Você não pode fazer isso


Sociedade, essa raça louca

Espero que você não esteja tão só sem mim

Sociedade, realmente loucos

Espero que você não esteja tão só sem mim


Sociedade, tenha pena de mim

Espero que não fica com raiva, se eu não concordar

Sociedade, realmente loucos

Espero que você não esteja tão só sem mim

na-natureza-selvagem

O Retorno de Karl Marx – Roberto Vital Anav

Capa

Acaba de chegar as livrarias o livro do economista e professor Roberto Vital Avav publicado pelo selo editorial Serpente e pela Fundação Perseu Abramo  o livro “O Retorno de Karl Marx – a redescoberta de Marx no século XXI”.

Tive a honra de escrever o pequeno prefácio da edição que publico abaixo para incentivar a galera a ler a obra de conjunto (veja aqui onde comprar).

 

Prefácio de O Retorno de Karl Marx – Roberto Vital Avav

MARX DE VOLTA? PARA O FUTURO!

Em 7 de outubro de 1989 uma manifestação de jovens foi duramente reprimida pela polícia da República Democrática Alemã, mais conhecida como Alemanha Oriental. A repressão funcionou como uma faísca num estopim. A partir deste dia, manifestações convulsionaram e levariam ao desmoronamento da divisão imposta pelos acordos de Yalta e Potsdam entre as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial. Nas ruas gritavam “um só povo, uma só Alemanha”.

A queda do Muro de Berlim em 9 novembro de 1989, foi algo muito além da superação da divisão física do mapa da nação alemã.

Segundo o ideólogo conservador Francis Fukuyama, conselheiro do presidente dos EUA, Ronald Reagan, tratava-se do “Fim da História”. Muitos acreditaram na ladainha e literalmente mudaram de lado. Trocaram o socialismo pelo Mercado. “Renovaram-se”. Os entulhos do muro caiam sobre a cabeça de muitos, como se o “socialismo” acabasse e Marx fosse definitivamente relegado às entranhas da Terra no cemitério de Highgate, junto com outros gênios como Douglas Adams e Malcolm McLaren (1)

A queda do Muro de Berlim e o desmoronamento da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), dois anos depois, não soterraram o socialismo.

Ao contrário. Os entulhos deste desabamento empurrado pelas massas populares soterraram o sarcófago da burocracia parasitária que há muito trabalhava pela restauração do “mercado”, nas nações onde a propriedade dos meios de produção havia sido expropriada. Em sua maioria, os membros dessas burocracias não tiveram dúvidas de mudar de lado e tornarem-se os melhores alunos do Fundo Monetário Internacional, ainda que, no seu seio, militantes fiéis ao socialismo tenham buscado o caminho da resistência, da defesa dos direitos e das conquistas.

Nesta obra do professor, economista e militante Roberto Vital Anav, temos um esforço de retomada do marxismo através do próprio Marx, como numa filosófica caminhada peripatética (2) a pela atualidade da obra do revolucionário alemão.

O leitor não encontrará neste livro um mapa turístico, mas sim um roteiro, descortinando fundamentos das obras do autor do Manifesto do Partido Comunista e d’O Capital.

Leve e didático, sem ser débil ou infantil, o livro é um bom ponto de partida para quem quer ver a atualidade do marxismo. Ele caminha da filosofia até a economia, expondo os diferentes conceitos e categorias mestras, bem como sua atualidade no entendimento da presente crise capitalista em que vivemos.

O grande historiador dos EUA, Howard Zinn, fez sua incursão na dramaturgia na obra “Marx in Soho”, traduzida no Brasil na peça de teatro “Marx na Zona” pelo dramaturgo e escritor amazonense Márcio Souza. Na versão brasileira desta peça, Marx ressuscita na atualidade, na Zona Franca de Manaus, decide tomar uma cerveja com o público e enfrentar aqueles que dizem que ele está morto, a partir dos fatos da realidade. Howard Zinn, quando escreveu essa peça de teatro, a fez para levar Marx aos estudantes dos EUA, que desconheciam o barbudo alemão. Sem dúvida, Roberto Anav faz o mesmo percurso: uma ressurreição de Marx para aqueles que mal o conhecem. É um verdadeiro diálogo com seu método, seu esforço de armar as novas gerações com um “mapa da mina” do barbudo revolucionário. “O Retorno de Karl Marx” é material de estudo, porém não para obtenção de galardões acadêmicos. Há muito sabemos que “a academia é o túmulo do marxismo”. O marxismo presta-se a ser guia do caminho para a ação e transformação da nossa realidade.

Não é obra para um estudo vulgar, pasteurizado e dócil, mas tampouco é hermética e impenetrável.

É uma obra que toma partido. Que convoca Marx para reforçar, com seus ensinamentos sempre úteis, a linha de frente de combate hoje, pelos direitos sociais ameaçados pela burguesia e pelo imperialismo, no Brasil, nos EUA, na China, na Europa e no mundo inteiro.

Vibrante e jovem, será um daqueles livros que frequentará as mochilas dos jovens que enfrentam as injustiças e a repressão nas manifestações pela educação, pelo passe livre e pelos direitos sociais e queimam bandeiras do imperialismo yankee, com o que elas representam.

Armamento de boa qualidade para a nova geração de militantes estudantis, sindicais, populares e políticos, que, depois de anos de políticas de conciliação de classes, reencontrarão em suas páginas noções para superar aquilo que, num tempo recente, buscou-se esquecer: a dinâmica do funcionamento da sociedade capitalista, baseada na propriedade privada dos grandes meios de produção, na exploração do homem pelo homem, promotora da destruição sem precedentes nas forças produtivas com suas crises constantes.

Um livro para a educação militante para a luta de classes. Armamento e munição para o combate pelo futuro, um bom testemunho de que, enquanto houver exploração e opressão social, a obra marxista seguirá viva, sempre pronta e útil à educação para o combate pela supressão de ambas, na via da emancipação dos trabalhadores.

Alexandre Linares

(1) Douglas Adams (1952-2001), popular escritor britânico de ficção científica, sua principal obra é “O Guia do Mochileiro das Galaxias”, “Malcolm McLaren, artista multimídia e idealizador da banda Sex Pistols.

(2) Seguindo o exemplo dos grandes filósofos gregos da antiguidade que ensinavam caminhando.

75 anos de Gilberto Gil

A música brasileira é uma constelação de estrelas, de todos os tamanhos e magnitudes. Há até buracos negros, que ocultos, são descobertos por acaso e mostram a música e a poesia em todas as suas faces.

Gilberto Gil, gênio baiano, mestre do tropicalismo e fabuloso criador de canções.  Hoje ele completa 75 anos de vida.

Sua obra esteve presente em várias questões em vestibulares e no ENEM.

Em 1973, Gil fez um show para estudantes da USP:

Na descrição do vídeo, um curto registro da história do show.

“Em março de 1973, o estudante de geologia Alexandre Vannuchi Leme foi torturado e assassinado pelo governo militar que dominava o Brasil. Laís Abramo, que era conhecida de Gilberto Gil convenceu o cantor a fazer um show em protesto contra a morte do estudante. A apresentação foi marcada para 26 de Maio, um sábado à tarde. Gil canta durante mais de duas horas, inicialmente tentando aliviar o clima pesado, com músicas como “Chiclete com Banana”, “Senhor Delegado”, “Eu quero um samba” , mas o público que mais – pede “Cálice” . Gil desconversa, diz que não se lembra bem da letra, mas um estudante pega um pedaço de papel e escreve a letra e entrega para Gil, que não tem então como não cantá-la. O interessante é que tudo isto está registrado em áudio, inclusive vários trechos de diálogo entre Gil e os estudantes presentes.”

Um relato deste momento está no livro Cale-se de  Caio Túlio Costa.

Escutar e conhecer a história de Gil é conhecer uma época. Escute o mestre Gilberto Gil.

 

Universidade pública: cobrar mensalidades? NÃO!

Leiam abaixo uma postagem que a professora Tatiana Roque desmontando as falsificações contra as universidades públicas. O fato que a pior universidade pública ainda é melhor que média das universidades privadas. Os congelamento dos recursos, que vão se aprofundar com a aplicação das leis de ajuste fiscal, vão buscar incentivar a prática de cobrança de taxas e mensalidades nas instituições públicas. Um atentado contra o direito a educação pública e gratuita.
Leiam a postagem da professora Tatiana Roque:
“Sempre que você ouvir dizer que a universidade pública é para os mais ricos, observe quem é considerado rico no Brasil. No gráfico abaixo, usado para corroborar a tese de que a universidade pública reproduz as desigualdades, é usada uma classificação oficial de 2013, considerando rico quem ganha mais de mil reais por mês.


A universidade pública tem muitos problemas que precisam ser resolvidos urgentemente, mas cobrar mensalidades não é uma solução. Em qualquer lugar do mundo onde se faz pesquisa há grande investimento público. Nas universidades onde há pesquisa, o ensino é melhor. Logo, ensino de qualidade necessita de investimento público. Que a gente se concentre em pensar sobre como tais investimentos devem ser feitos para que a sociedade possa acompanhar melhor seus efeitos, para que enxergue a universidade pública como um bem comum. Nesse ponto, aí sim, no que diz respeito à comunicação com o lado de fora e ao engajamento da sociedade como um todo, é verdade que fazemos pouco.”

Tatiana Roque, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

ENEM 2017: O significado da redução do número de inscritos

O portal UOL divulgou que “Enem tem mais de 6,5 milhões de inscritos; nº é inferior ao do ano passado“.

O que isso significa?

Me parece que duas medidas do governo Temer tiveram impacto decisivo na redução das inscrições.

Em primeiro lugar o fim da certificação do Ensino Médio que a prova oferecia para pessoas que não puderam concluir os estudos nas escolas e supletivos. Bastava atingir um patamar mínimo na prova que o governo concedia o certificado de conclusão do Ensino Médio. Agora é preciso fazer outra prova do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos – ENCCEJA. Aqui, veremos uma redução significativa do acesso a certificação, pois o ENCCEJA tem uma divulgação muito menor que o ENEM na mídia.

Em segundo lugar, o que impactou as inscrições foi um novo e abrupto reajuste da taxa de inscrição. O valor passou de R$ 35,00 em 2014 para R$ 63,00 em 2015, no segundo governo Dilma, por exigência do Ministro Joaquim Levy e agora no governo Temer chegou R$ 82,00.

Sem dúvidas, o aumento do preço da inscrição é um fator que excluí jovens e adultos que querem tentar uma chance de acesso ao ensino superior.

Também dificulta para estudantes que estão nas series iniciais do ensino médio realizarem as provas como treineiros.

A redução das inscrições evidenciam um problema de exclusão e de redução das expectativas de progresso na vida dos estudantes.

 

Origens sociais do Dia das Mães

Por Alexandre Linares

​Ontem ouvi a história da origem do dia das mães no século XIX. Foi um pequeno programa da Rádio USP (em SP 93,7 ou pela internet pelo aplicativo Jornal USP).
A ativista Ann Maria Reeves Jarvis, que fundou em 1858 os Mothers Days Works Clubs com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Uma denuncia da subnutrição infantil e materna, dos baixos salários e da péssimas condições de vida.

Ela fez um movimento para evidenciar e exigir solução para a condição de miséria das mães.

Após sua morte sua filha Ana Jarvis, fez um movimento por um feriado para as mães. A data acabou por ser institucionalizada no segundo domingo de maio para não ser um feriado. Pouco anos depois revoltada com a desvirtuação da data para fins comerciais, sua filha tentou acabar com a data, sem sucesso. 

A data do Dia das Mães acabou sendo, como tudo na nossa sociedade capitalista, transformada numa mercadoria. Ou melhor num marco de incentivo a consumo de mercadorias e apagando o conteúdo histórico e social original da data.

No Brasil a data foi instituída no governo Getúlio Vargas.