Alan Moore, heróis, cinema, quadrinhos e política

AlanMoore

Alan Moore é um dos mais importantes escritores de fantasia que pude ler.

Sua produção literária vai da fantasia aos quadrinhos. Seu impacto na produção de histórias em quadrinhos foi enorme.

Seu trabalho sempre levou os quadrinhos para o terreno da literatura de diferentes gêneros. Obras que superam a infantilidade e predominante no meio. Obras que explorando a ficção, a história, a sexualidade e a fantasia, levaram seis leitores ao ganho de maturidade e de consciência que boas obras literárias produzem.

A Alan Moore sempre criticou os filmes baseados em suas criações. Seu feeling para os estúdios sempre ligou seu “sentido aranha” com algo como “vai dar merda”.

Na declaração do meme deste post, sua crítica vai de encontro direto à crítica ao monopólio dos estúdios de cinema e redes de TVs (e streaming) e o licenciamento de personagens, não mais como histórias, mas fundamentalmente como marcas. Estas marcas se emancipam da suas funções narrativas para virar qualquer coisa vendável ou monetizável. Pode ser capas de caderno, embalagens de shampoos, camisetas, copos e tudo mais que se imaginar. É como a maldição da imortalidade, que em tantas narrativas, heróis e vilões buscam por fim a agonia, que os condena a eternidade, arrastando consciências à um processo de infantilização na cabeça das pessoas.

Dias atrás assisti o Comic Book Men, programa na TV a cabo da  na rede AMC. O programa é sobre a loja de quadrinhos Jay and Silent Bob´s Secret Stash do Kevin Smith. É uma espécie de podcast televisivo misturado com programas de balcão tipo “Trato Feito” (do canal History). Me assombrou. Pois parecia uma conversa que eu teria com amigos aos 14 ou 16 anos de idade. Não aos 40 anos.

Por isso a importância da crítica de Moore. Ler suas obras como Do Inferno (Veneta), A Voz do Fogo (Veneta), V de Vingança (Panini), Watchmen (Panini), Lost Girls (Devir), Monstro do Pântano, entre outras de suas incursões na narrativa gráfica e na literatura levam a transição entre a fase da juventude e a idade adulta.

De algum modo as obras de autores Neil Gaiman, Jiro Taniguchi, Joe Sacco, Antônio Atarriba, Art Spiegelman, Marjane Satrapi e muitos outros que fazem algo parecido. São um tipo de transição entre um momento que hoje os estúdios de filmes com câmeras trêmulas e tremidas (e muito chatas) não querem que seja realizada.

É um investimento pesado, da grande indústria que investe pesadamente num modelo que se parece com um loop temporal, sempre retornando ao começo, para as novas gerações. E isso não me parece nada bom.

A reflexão de Alan Moore sobre a relação da política internacional e a mentalidade mundial, sua infantilização permanente pelos grandes estúdios torne-se um processo em cascata em youtubers, podcasts, blogs e demais meios de reverberação de fãs do universo de ficção, fantasia e quadrinhos. Estamos num mundo que logo mais fará os roteiros de Black Mirror serem apenas comédia.


Veja o documentário do Canal ARTE (em espanhol) clicando aqui.

CRÉDITOS DO MEME: “En La Cabeza de Alan Moore” (La Contracultura – Arte Espanha)
Via: Cultura Nerd, Quadrinhos e um pouco de Justiça!
www.torredevigilancia.com

Consumo mundial de cobre

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O página noticiosa da BBC em português fez uma boa reportagem sobre o aumento da cotação mundial do cobre. Uma matéria que analisa as tendências futuras do consumo do metal para a industria mundial. Os dados da reportagem são significativos sobre o consumo:

“A China atualmente consome cerca de metade do cobre refinado do mundo e, naturalmente, qualquer notícia positiva sobre as tendências de consumo de metais na China terá um impacto imediato sobre seu preço.
A chamada ‘chinodepedência’ tem sido há anos a principal causa do aumento ou queda do preços do cobre. O país lidera as importações desse metal, com 49%, seguido por Japão (18%) e Coreia do Sul (6,7%). O Brasil vem em oitavo, com 1,6%.”

E prossegue dando dados sobre os produtores:

“O Chile é o principal produtor de cobre do mundo e respondeu por 28% das exportações de 2016, segundo dados compilados pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês), dos EUA. O Peru é o segundo, com 19%, seguido pela Indonésia, com 7,9%. O Brasil aparece em sétimo, com 4%.”

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Vale a pena ler o texto completo da matéria “Como o preço do cobre disparou – e o que a China e os carros elétricos têm a ver com isso” da jornalista Cecília Barría

Karl Marx sobre o desenvolvimento social e a universalidade dos clássicos

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“É possível a existência de Aquiles ao aparecer a pólvora e o chumbo? A Ilíada inteira é compatível com a máquina impressora? Não desaparecem, necessariamente, os cantos, as lendas, e a Musa diante da regreta do tipógrafo? Não se desvanecem as condições necessárias da poesia épica? (…)

O difícil não é compreender que a arte grega e a epopeia se achem ligadas a certas formas de desenvolvimento social, mas que ainda possam proporcionar gozos estéticos e sejam consideradas, em certos casos, como norma e modelos inacessíveis. (…)

Um homem não pode voltar a ser criança sem retornar à infância. Mas não se satisfaz com a ingenuidade da criança e não deve aspirar a reproduzir, em um nível mais elevado, a sinceridade da criança? Não revive, na sua natureza infantil, o caráter próprio de cada época em sua verdade natural? Por que a infância social da humanidade, no mais belo do seu florescimento, não deveria exercer uma eterna atração, como uma fase desaparecida para sempre? Há meninos mal educados e meninos envelhecidos. Muitas nações antigas pertencem a esta categoria. Os gregos eram meninos normais. O encanto que encontramos em sua arte não está em contradição com o caráter primitivo em que essa arte se desenvolveu. É, ao contrário, sua produção; poder-se-ia dizer melhor que se acha indissoluvelmente ligada ao fato de que as condições sociais imperfeitas em que nasceu, e nas quais forçosamente tinha que nascer, não poderiam retornar nunca mais.”

Karl Marx, Contribuição à Crítica da Economia Política (1848)

A revolução industrial e o trabalho infantil – Depoimentos

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Foto de Lewis W. Hine

A revolução industrial sem dúvida causou um impacto na sociedade só similar revolução agrícola no período neolítico. Seu impacto mudou a forma da humanidade produzir o mundo em que vivemos.  A massificação da produção industrial, a redução das distâncias através das novas formas de transportes mais rápidas, o desenvolvimento de mecanismos de comunicação mais ágeis são exemplos significativos.

É sempre bom lembrar que isso teve um preço. Nos relatos documentais abaixo, sistematizados pelo site História em Cartaz, podemos ver quais foram as condições desta industrialização e como se deu a acumulação da riqueza dos empresários capitalistas na sociedade industrial nascente.
LEIA OS DEPOIMENTOS SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO DAS CRIANÇAS
Fonte dos depoimentos: História em Cartaz

Depoimento de Jonathan Downe ao Comitê Parlamentar sobre o Trabalho Infantil, 6 de junho de 1832 (Inglaterra):
“Quando eu tinha sete anos fui trabalhar na fábrica do Sr. Marshalls na cidade de Shrewsbury. Se uma criança estava sonolenta, o inspetor tocava no ombro da criança e dizia: ‘venha aqui’. Em um canto no quarto havia uma cisterna cheia de água. Ele levantava o menino pelas pernas e imergia na cisterna. Depois do banho, ele mandava a criança de volta para o trabalho.”

Trecho da biografia de Robert Blincoe, publicado no jornal The Lion por John Brown, 15 de janeiro de 1828:
“A primeira tarefa dada a Robert Blincoe foi a de apanhar o algodão que caía no chão, embaixo do tear mecânico.
Aparentemente, nada poderia ser mais fácil, mas ele estava muito apavorado pelo movimento giratório e pelo barulho da maquinaria, ele também não suportou o pó e a fumaça que o deixavam sufocado. Ele logo se sentiu doente e constantemente parava de trabalhar, pois suas costas doíam de tanto agachar. Blincoe achava que era livre para sentar e descansar, mas logo descobriu que isso era estritamente proibido nas fábricas têxteis. O seu inspetor, Sr. Smith, lhe disse que tinha que ficar em pé […].”

Depoimento de John Birley ao jornal The Ashton Chronicle, 19 de maio de 1849:
“Nosso turno era das cinco da manhã até nove ou dez da noite; e, no sábado, até às onze e, frequentemente, até às doze horas da noite. E ainda nos faziam vir no domingo para limpar a maquinaria. Não havia tempo para café-da-manhã, não se podia sentar durante o jantar e não nos davam nenhum tempo para tomar chá. Nós chegávamos à fábrica às cinco horas da manhã a trabalhávamos até aproximadamente as oito ou nove horas, quando nos traziam o nosso café-da-manhã, que consistia em mingau de aveia com bolo e cebolas para dar mais sabor a comida. O jantar consistia em bolo de aveia e leite […] Nós bebíamos o leite e com o bolo em nossas mãos voltávamos a trabalhar, sem sentar.”