Viver é mesmo perigoso. Podiam nos explicar melhor o quanto.

Qual o perigo das tecnologias? As mudanças tecnológicas fazem as pessoas mudarem seu comportamento. Mas temos as dimensões do impacto das tecnologias?

O artigo abaixo públicado originalmente na revista Ciência Hoje é uma boa reflexão.

Um diálogo problemático

O acidente radioativo de Fukushima evidencia a precariedade na divulgação dos riscos associados às tecnologias presentes em nosso cotidiano. Jean Remy Guimarães comenta a conturbada relação entre a ciência nuclear, a mídia e a população.

Por: Jean Remy Davée Guimarães

Um diálogo problemáticoA falta ou o desencontro de informações faz com que a população não conheça totalmente os riscos da tecnologia nuclear e da radioatividade. (foto: Ming Xia/ CC BY-NC-SA 2.0)
Não deve ser fácil explicar como funciona um transistor, um antibiótico ou um aparelho de raios X. Seja como for, usufruímos dos três sem fazer muitas perguntas, satisfeitos com o fato de eles simplesmente funcionarem – ou quase sempre. Essas são tecnologias familiares, fazem parte de nosso dia a dia e, embora haja riscos associados a sua fabricação e uso, não os percebemos ou os ignoramos, porque consciente ou inconscientemente avaliamos que seus benefícios superam os riscos.

Temos dificuldade em avaliar os riscos de uma tecnologia porque normalmente temos contato apenas com seu produto final. Devido à globalização, o design e a fabricação de qualquer bem estão hoje dispersos por vários países. Esses processos envolvem pessoas e locais que jamais conheceremos e técnicas que ninguém pode dominar em seu conjunto, porque são numerosas e complexas demais. Portanto, avaliamos facilmente os benefícios imediatos que uma tecnologia nos traz, mas dependemos de terceiros para avaliar seus riscos globais e aqueles que nós próprios corremos, em longo prazo, por utilizá-la.

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Direito a creche e pré-escola

A foto mostra uma pré-escola em Feira de Santana (BA), ligada a uma associação de moradores.

Déficit de vagas públicas nas pré-escolas e creches é algo gritante.

O pior é que é que a saída para a maior parte das prefeituras, responsáveis por esse nível de educação é sempre a mais amarga: transferência de dinheiro público para “estabelecimentos privados” através convênios.

Além disso, inúmeras “escolinhas” proliferam.

E para a maioria dos pais e mães jovens ficam sem vaga. E são obrigados a contar com a ajuda de parantes ou a pagar para pessoas “cuidarem” dos filhos.

Essa situação é terrível para quem tem de trabalhar, estudar e ainda ficar com a cabeça nos filhos.

É urgente uma política universalização da pré-escola e das creches, mas públicas e com qualidade e com educadores bem remunerados.

O Estado de São Paulo publicou a questão do acesso as pré-escolas: “Universalização da pré-escola esbarra na falta de mais de 100 mil professores“.

Exposição gratuita: “O Mundo Mágico de Escher” em SP

Dica do meu amigo Mateus Potumati da revista + SOMA para a galera de São Paulo ou que vai passar por São Paulo.

A exposição “O Mundo Mágico de Escher”, que apresenta a obra do artista gráfico holandês, estreia no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo no dia 19 de abril.

Com 95 obras, entre gravuras originais, desenhos e fac-símiles, a exposição – que já passou pelos CCBBs do Rio de Janeiro e de Brasília – é a mostra mais completa sobre o artista já realizada no Brasil.

Maurits Cornelius Escher (1898 – 1972) ficou famoso por suas litografias com ilusões de ótica que brincavam com noções de perspectiva, em obras como “Cascata” (acima). O acervo do da coleção do Haags Gemeentemuseum, que mantém o Museu Escher, na cidade de Den Haag, na Holanda – ocupará todo o prédio do CCBB-SP, que terá também um espaço para experiências interativas que exemplificam os princípios aplicados nas obras e de intervenções óticas.

Segundo Pieter Tjabbes, curador da mostra coordenada pela Art Unlimited, essa é uma das poucas chances de ver a obra de Escher fora da Holanda. “As gravuras são muito frágeis e o Haags Gemeentemuseum, que emprestou as obras originais, depois desta exposição, não poderá exibi-las por mais de quatro anos”, explica.

SERVIÇO:

Exposição “O Mundo Mágico de Escher”, em São Paulo

Quando: a partir do dia 19 de abril, de terça a domingo, das 9h às 20h

Onde: CCBB – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro (clique no link para ver o mapa)

Quanto: entrada franca

Informações: 11 3113.3651 / 11 3113.3652

Site: www.bb.com.br/cultura


Estudantes nas ruas por mais recursos para educação!

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) fizeram uma manifestação no dia 24/3  em Brasília para pedir mais investimentos na Educação.

À tarde, os estudantes foram recebidos pela presidenta Dilma Rousseff, para discutir as principais reivindicações do movimento estudantil.

Publico algumas fotos que estão publicadas no UOL Educação. As fotos são bem legais.  Fazia tempo que a UBES e a UNE não colocavam a galera nas ruas para reivindicar os direitos dos estudantes.

Fotos de Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O geógrafo Milton Santos

Milton Santos era geógrafo. Nascido na Bahia, na cidade de Brotas de Macaúbas, na chapada diamantina. Formado em direito, dedicou sua vida ao estudo da geografia e nesse terreno fez uma grande contribuição a pensamento brasileiro. Estudando as transformações do espaço pelos impactos do modo de produção capitalista e da globalização na vida humana. Seus livros são excelentes e não são difíceis de serem lidos.

Milton Santos era negro. Me lembro, quando participei da campanha pela Liberdade de Mumia Abu-Jamal, do relato o professor Everaldo de Andrade, na época, estudante da Pós-Graduação em História Econômica da USP me relatou como foi discutir como Milton Santos, isso foi 1999. Ele disse que o professor, mesmo doente, seguia trabalhando na sua sala no prédio da História e Geografia da USP. Ficou lá conversando e discutindo com o Milton Santos e ele se prontificou a se somar a campanha em defesa da vida do jornalista negro estadunidense exigindo sua liberdade frente a injustiça que era manter um inocente no corredor da morte.

Publico abaixo uma crônica do cineasta Sílvio Tendler sobre o Milton Santos publicada pelo jornal Brasil de Fato que vale a pena ser lida.

DEZ ANOS SEM MILTON SANTOS

Por Silvio Tendler, cineasta, diretor de Os anos JK, Jango Utopia & barbárie, entre outros documentários

No inicio de 2001 entrevistei o professor Milton Santos. A riqueza do depoimento do geógrafo me obrigou a transformá-lo no filme “Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá”. Lá pelas tantas o professor critica a “neutralidade” dos analistas econômicos dizendo que eles defendiam os interesses das empresas que serviam.

Dez anos depois o cineasta Charles Ferguson em seu magnífico filme “Inside Job” esmiúça em detalhes a fala de Milton Santos e revela a promiscuidade nos Estados Unidos entre bancos, governo e universidades. Revela a ciranda entre universitários que servem a bancos e empresas financeiras, vão para o governo, enriquecem nesse trajeto, não pagam impostos, escrevem pareceres milionários para governos estrangeiros induzindo a adotarem políticas que favoreçam o sistema financeiro internacional. Quebram aplicadores e fundos de pensão incentivando a investirem em papéis, que já sabiam, com antecedência, micados. E quando são demitidos das instituições financeiras partem com indenizações milionárias. Acertadamente este filme ganhou o Oscar de melhor documentário de 2011.

Na outra ponta da história está o filme “Biutiful” do Mexicano Alezandro Gonzalez Iñarritu, rodado em Barcelona e narra a vida dos fodidos, das vitimas do sistema financeiro internacional: africanos e chineses que vão para a Espanha para escapar da fome e do desemprego e se submetem a condições de vida sub-humanas. O trabalho do ator Javier Bardem rendeu o prêmio de melhor ator do Festival de Cannes de 2010.

São filmes para ninguém botar defeito e desconstroem as perversidades do mundo em que estamos vivendo.

Em discurso recente em Wisconsin, solidário aos trabalhadores que lutam contra novas gatunagens, o colega estadunidense Michael Moore declarou:

Vou repetir. 400 norte-americanos obscenamente ricos, a maior parte dos quais foram beneficiados no ‘resgate’ de 2008, pago aos bancos, com muitos trilhões de dólares dos contribuintes, têm hoje a mesma quantidade de dinheiro, ações e propriedades que tudo que 155 milhões de norte-americanos conseguiram juntar ao longo da vida, tudo somado. Se dissermos que fomos vítimas de um golpe de estado financeiro, não estamos apenas certos, mas, além disso, também sabemos, no fundo do coração, que estamos certos.

Mas não é fácil dizer isso, e sei por quê. Para nós, admitir que deixamos um pequeno grupo roubar praticamente toda a riqueza que faz andar nossa economia, é o mesmo que admitir que aceitamos, humilhados, a ideia de que, de fato, entregamos sem luta a nossa preciosa democracia à elite endinheirada. Wall Street, os bancos, os 500 da revistaFortune governam hoje essa República – e, até o mês passado, todos nós, o resto, os milhões de norte-americanos, nos sentíamos impotentes, sem saber o que fazer“.

E arrematou com maestria e indignação:

…Falei com o meu coração, sobre os milhões de nossos compatriotas americanos que tiveram suas casas e empregos roubados por uma classe criminosa de milionários e bilionários. Foi na manhã seguinte ao Oscar, na qual o vencedor de melhor documentário por “Inside Job” estava ao microfone e declarou: “Devo começar por salientar que, três anos depois de nossa terrível crise financeira causada por fraude financeira, nem mesmo um único executivo financeiro foi para a cadeia. E isso é errado. “E ele foi aplaudido por dizer isso. (Quando eles pararam de vaiar discursos de Oscar? Droga!)

Esse ano celebramos os dez anos da morte do professor Milton Santos. Quem quiser ler “Por uma Outra Globalização” do Professor Milton Santos encontrará um diagnóstico perfeito do processo de globalização que gestou as mazelas descritas em “Inside Job” e “Biutiful”. Quem quiser reencontrá-lo em “Encontro Com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá”, estará celebrando a vida e o pensamento de um dos maiores pensadores do Século 20, capaz de ter antecipado muito do que estamos vivendo hoje. Sempre com seu sorriso nos lábios e o olhar que revelavam sua clarividência desde o primeiro momento em que começava a se manifestar.

Fonte:  jornal Brasil de Fato edição 420

Algo tão excêntrico quanto um Ornitorrinco

Como a evolução dos seres vivos é criativa.

Colocar dentes de sabre num herbívoro só para colocar medo nos predadores é uma sacada engraçada.

Matéria do jornalista e escritor Alessandro Grecco, autor do excelente livro “Homens de Ciência” (Conrad).

Ancestral de mamíferos com dentes de sabre é descoberto no Brasil

Animal herbívoro, que viveu há 260 milhões de anos, parece ser mistura de animais diferentes, diz descobridor

Alessandro Greco

O Tiarajudens eccentricus usava seus dentes de tigre dente de sabre para espantar predadores – Ilustração: Juan Cisneros

O sobrenome eccentricus já conta boa parte de quem é o Tiarajudens eccentricus, um herbívoro que viveu há 260 milhões do anos no Brasil. Descoberto por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Tiaraju, no interior do Rio Grande do Sul, ele tinha, apesar de comer apenas plantas, um par de dentes de tigre de sabre (um carnívoro ferrenho) do comprimento de lápis de cera, desses para crianças. As presas do eccentricus não são, no entanto, sua única, digamos, excentricidade. “Ficamos todos muito surpresos [com a descoberta], pois esta nova espécie reúne características muito inesperadas, causando inclusive a impressão de ser uma mistura de animais diferentes. Ele possui dentes incisivos similares aos de um ruminante e dentes molares que no seu conjunto lembram os de uma capivara. Contrastando com esta dentição típica de animal herbívoro, temos a presença de grandes dentes de sabre como os de um felino. Mais ainda, os molares não estão na maxila e sim no palato, algo nunca antes visto num quadrúpede.”, explicou ao iG Juan Carlos Cisneros, da UFPI, que liderou o trabalho.

A descoberta, relatada na edição de hoje do periódico científico Science, também traz uma das primeiras evidências da capacidade dos terapsídeos (grupo de animais do qual o Tiarajudens eccentricus faz parte e que deu origem aos mamíferos) de mastigar de forma eficiente os alimentos. “Isto mostra que algumas características que considerávamos típicas dos mamíferos e de seus ancestrais próximos (os cinodontes), tais como a mastigação, apareceram milhões de anos antes, no final da era Paleozoica.”, explicou Cisneros. A habilidade de mastigar, chamada oclusão dental, permitiu, por exemplo, que o eccentricus processasse plantas com grande quantidade de fibra e pudesse se expandir para novas nichos ecológicos.

O eccentricus também possui a mais antiga presença de dentes de sabre num herbívoro, característica que até então nunca havia sido observada num animal que não fosse um mamífero. “Hoje em dia, os únicos herbívoros com dentes de sabre são cervos que habitam a Asia (o veado-almiscareiro e o veado-d’água), que usam seus dentes de sabre para lutas territoriais entre os machos.”, afirmou Cisneros. O eccentricus, segundo os pesquisadores, talvez usasse os seus para assustar os predadores ou para, como os cervos, garantir seu espaço.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/ancestral+de+mamiferos+com+dentes+de+sabre+e+descoberto+no+brasil/n1238186207425.html