Sobre a ocupação humana das Américas

Ilustração do índios Botocudos (WIKIMEDIA COMMONS)

A revista Galileu traduziu um artigo da Eureka Alert muito interessante e que tende a exigir a reavaliação de boa parte da narrativa sobre a colonização da América do Sul.

Há diferentes teorias sobre a colonização do continente Americano.

Algumas afirmam colonização humana tem cerca de 60.000 anos. Outras trabalham com uma data muito menor, de 12.000 anos.

Na arqueologia brasileira isso é um debate vivo intenso. E de certo modo, um fator de constrangimento para o desenvolvimento de teorias.

A teoria mais tradicional é aquela que explica a migração de povo nômades durante uma era glacial que criou uma ponte intercontinental no Estreito de Bering entre onde hoje entre a Rússia e o Alasca. Dai a explicação da fisionomia indígena brasileira com traços mongólicos.

Mas o surgimento de novas provas podem indicar uma ocupação mais antiga e mais complexa.

Pesquisa genética revela que DNA de índios botocudos é da Polinésia

Descoberta reforça tese de que os polinésios participaram do povoamento da América e desembarcaram no continente séculos antes do que os europeus

Na época da colonização portuguesa, diversos grupos indígenas que ocupavam as regiões onde hoje se encontram os estados de Minas Gerais e Espírito Santo receberam o nome genérico de “botocudos”, em referência aos botoques que utilizavam para ornamentar o rosto – aqueles grandes discos de madeira que alargavam a boca e as orelhas. Apesar de terem sido muito numerosos naquela época, hoje estão praticamente extintos.

Um artigo publicado na última quinta-feira (23/10) na revista Current Biology revelou os resultados obtidos a partir de testes genéticos realizados nos crânios de dois índios botocudos, que viveram por volta de 1800. Os pesquisadores não encontraram no DNA nenhum traço de ancestralidade de americanos nativos, mas sim de grupos originários da Polinésia.

“As populações humanas primitivas exploraram extensivamente o planeta”, disse a autora Anna-Sapfo Malaspinas ao site EurekAlert. “As versões de apostila dos eventos da colonização humana – o povoamento das Américas, por exemplo – precisam ser reavaliadas utilizando dados genômicos”, afirmou. A pesquisadora também colaborou com outro artigo publicado na mesma edição do periódico que oferece uma explicação embasada na genética e na arqueologia ao mistério dos genes polinésios dos botocudos do Brasil.

O estudo analisou o DNA de 27 indivíduos do povo nativo da Ilha de Páscoa, os rapanui. As descobertas mostraram que o material genético desta população é 76% polinésio, 8% americano nativo e 16% europeu. Por meio de padrões de mistura de genes, notou-se que entre os anos 1300 e 1500 houve um contato intenso entre os rapanui e os habitantes da América do Sul, há cerca de 19 a 23 gerações. A mistura com os europeus só foi ocorrer séculos mais tarde, por volta de 1850.

Os cientistas acreditam que quem empreendia as viagens de barco eram as pessoas da ilha, pois para eles era garantido que rumando para o leste chegariam ao continente; a missão era muito mais difícil para os americanos, que teriam de encontrar uma porção de terra relativamente pequena no meio do oceano. O trajeto de cerca de 3000 quilômetros poderia levar de duas semanas a dois meses para ser percorrido.

A Ilha de Páscoa está localizada na extremidade leste do triângulo polinésio, formado também pelas ilhas da Nova Zelândia e do Havaí. Evidências arqueológicas indicam que o povoamento do território ocorreu por volta de 1200, quando de 30 a 100 indivíduos da Polinésia chegaram ali em canoas, entre eles homens, mulheres e crianças. Vivendo em uma das localidades mais isoladas do planeta a ser habitada por seres humanos, esta população construiu nos séculos seguintes cerca de 900 moais, as famosas estátuas de pedra, com algumas chegando a pesar 82 toneladas.”

Quer saber mais sobre o assunto?

Você também pode ler o ótimo artigo “História da ocupação humana das Américas fica cada vez mais confusa” do jornalista Reinaldo José Lopes para editoria de ciências do jornal Folha de S. Paulo.

Outro sugestão é o documentário Jornada Humanas – As Américas:

A versão da migração pelo Estreito de Bering é explicada nesse vídeo-documentário “Jornada a 10.000 a.C” do canal History;

O mito da meritocracia

O mérito vem de onde? O pequeno vídeo abaixo produzido pelo canal QuatroV explica bem como é enganoso esse conceito.

A definição do dicionário para Meritocracia diz que é  predomínio numa sociedade, organização, grupo, ocupação etc. daqueles que têm mais méritos“.
O vídeo explica como esses méritos se desenvolvem na sociedade a partir das condições sociais.
Fica claro que uma meritocracia numa sociedade desigual, será o aprofundamento da desigualdade.

Primeiros passos da história em filmes (Paleolítico e Neolítico)

• 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO  (Stanley Kubrick, 1968)
Filme de ficção cientifica. Mas seus primeiro 16 minutos fazem uma espécie de demonstração do salto evolutivo do nosso antepassado primata para o surgimento da humanidade, com a reflexão de um primata diante da necessidade, para pensar no seu meio e nas formas de ampliar sua força e capacidade de transformação da natureza. Foi criticado por antropólogos. Mas ainda sim, apresenta uma ideia importante sobre o processo da evolução humana. Veja o trecho:

 

• GUERRA DO FOGO (Jean-Jacques Annaud, 1982)
A Guerra do Fogo conta a saga de uma tribo e seu líder, Naoh, que tenta recuperar o precioso fogo recém-descoberto e já roubado.
Na história, o personagem parte para uma jornada através dos pântanos e da neve, onde encontra outras tribos, em estágios diferentes de evolução e desenvolvimento cultural. Os sons e a linguagem embrionária do filme são criações do escritor Anthony Burgess, o mesmo de Laranja Mecânica. O filme foi duramente criticado por antropologos que estudam o desenvolvimento humano, por erros nareconstituição da pré-história. Mas isso não invalida em nada o filme, para entendermos elementos do desenvolvimento humano no paleolíco (idade da pedra lascada) e no neolitico (idade da pedra polida) no caminho para o domínio do fogo pela humanidade. Nesse sentido o filme é uma aula que vale ser assistida. Veja trailler:

• 10.000 a.C. (Roland Emmerich, 2008)
No geral, esse filme é ruim. Cheio de coisas “sem-pé-nem-cabeça”. Ou seja, para ser bem claro: não leve o filme a sério. Mas há passagens nele que são bem interessantes. Uma delas é a ideia trabalho colaborativo na caçada de mamutes. Há também a caçada humana, por parte de uma civilização que escravizava povos de outras regiões. Na história também mostra-se a questão dos estágios culturais diferentes entre povos que viviam numa mesma época. Veja trailler:

Filme completo:

A realidade do sistema penitenciário: ‘Carandiru’ a ‘Prisioneiras’: entrevista com Drauzio Varella

No inicio do ano de 2017 uma crise penitenciária nacional com dezenas de mortes. O assunto saiu da pauta dos meios de comunicação. Mas a questão continua atual e dramática.

No Brasil, podemos nas canções do RAP ouvir a realidade de quem foi privado de liberdade. Mas provavelmente o mais importante narrador do problema é um médico. Drauzio Varela. Desde 1989 esse médico, professor, escritor e comunicador, dedica-se a atuar como médico voluntário no sistema penitenciário.

Autor dos livros como “Estação Carandiru“, que expõe a sua experiência na antiga penitenciária do Carandiru em São Paulo. Em “Carcereiros” ele mostra a realidade dos profissionais do sistema penitenciário. E seu último livro “Prisioneiras” sobre a realidade das mulheres no sistema prisional.

Há ainda outras obras sobre saúde, literatura infanto-juvenil e relatos de viagens.

Nexo Jornal fez uma entrevista muito interessante expondo algumas opiniões de alguém que acompanha o sistema penitenciário de perto. Vale muito assistir. E ler esses seus livros.

Isso não significa concordar com todas as opiniões sobre todos os assuntos, evidentemente. No vídeo formula sua opinião internações compulsórias de dependentes químicos. Questão que foi usada pelo prefeito da cidade de São Paulo na operação higienista. O autor desautorizou o prefeito e a prefeitura.

Outro assunto que o Drauzio Varela em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, foi a crítica a “onda antivacina”, iniciativa de pais que recusam vacinar seus filhos numa onda obscurantista contra a saúde pública e ciência.

História do Brasil – Colônia, por Boris Fausto

Boris Fausto foi professor e procurador da USP. Entre seus livros está uma obra fundamental “A Revolução de 1930”, essencial para entender as transformações ocorridas no final da República Velha, que vão levar ao regime de Getúlio Vargas.

Para os estudantes, seu trabalho fundamental é “História do Brasil”, obra de síntese da história brasileira. Livro de grande porte, com mais de 600 páginas editado pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) é uma de referência para os formuladores das questões do ENEM e dos principais vestibulares. O livro custa R$ 105,00. Edições usadas podem ser encontradas no site Estudante Virtual a preços mais acessíveis. Há uma edição concisa (reduzida) bem mais barata que ajuda o estudante a ter o domínio da maior parte das informações necessárias para encarar o vestibular.

Em 2002 a TV Educação, canal de TV do Ministério da Educação fez uma fabulosa produção com o próprio  Boris Fausto narrando os principais pontos do livro, com muitas ilustrações. Coisa de primeira.

A cada aula de história do Brasil, vamos explorar os diferentes episódios. Hoje publico o primeiro: Brasil Colônia. Assistam pois vale a pena.

História da América Latina – série de documentários

Navegando num dos sites mais legais da internet, o Archive.org, procurando livros sobre a história das nações das Américas encontrei essa produção documental produzida em 2010.

É uma série de 13 episódios chamada “La História de América Latina”. Está em espanhol. Mas com atenção e dedicação é possível compreender o que é dito. E para quem optou pelo espanhol como  prova de língua estrangeira no ENEM, já vira um pequeno treino.

O primeiro episódio conta a ocupação e o surgimento das cidades e civilizações  originárias (pré-colombianas) no território das Américas.

A séria pode baixar para assistir no celular ou na TV no link do “La História de América Latina” onde você pode assistir toda a série.

No youtube também estão os episódios. Publico abaixo o vídeo do primeiro episódio: “La Historia de América Latina – 01 – Imaginarios Latinoamericanos”: