9/11 – Exibição de “Verdade 12.528” – um documentário de Paula Sacchetta e Peu Robles no Memorial da Resistência

Cartaz oficial do documentário "Verdade 12.528" de Paula Sacchetta e Peu Robles.

Cartaz oficial do documentário “Verdade 12.528” de Paula Sacchetta e Peu Robles.

No sábado, dia 9/11/2013 Às 14h15 haverá apresentação gratuita do filme Verdade 12.528 de Paula Sacchetta e Peu Robles no Memorial da Resistência (- Largo General Osório, 66 – São Paulo, SP – Próximo a Estação da Luz – Metro e CPTM).

Vejam o trailer do filme:

Quer saber mais? Mais abaixo está o release oficial do evento que incluí um debate com diretores do filme.

Você pode ler a entrevista realizada pelo jornalista Leo Sakamoto em seu blog no portal UOL: “Verdade 12.528? mostra que a ditadura não é página virada”.  Também pode ler a página oficial do filme no site da produtora João e Maria: Verdade 12.528.

Recomendo fortemente.

Esse filme é projeto independente que contou com arrecadação colaborativa de amigos e apoiadores ousados que botaram a mão no bolso para viabilizar o projeto. Ousado por ser firme na busca pela verdade, instrumento de luta pela memória e pela justiça frente aos crimes da ditadura, cujo punição segue sendo mais do que necessária.

Estarei lá e convido todos a aparecerem por lá. Quem quiser ajudar na divulgação pode divulgar o evento nas redes sociais.

Apareçam lá!

RELEASE DO EVENTO:

Memorial da Resistência – ex-sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, centro de torturas da Ditadura Militar, hoje espaço de preservação da memória dos que resistiram à Ditadura.

No dia 9/11, Memorial da Resistência de São Paulo
fará exibição de documentário sobre a Comissão da Verdade
e terá Conversa Clínica Pública da Clínica do Testemunho
do Instituto Projetos Terapêuticos

Este Sábado Resistente contará com duas atividades que têm uma relação essencial nas questões relacionadas ao debate sobre Memória, Verdade e Justiça que tem tomado conta do país, com o estabelecimento da Comissão Nacional da Verdade.

Primeiramente, com a exibição do recém-lançado documentário “Verdade 12.528”, de Paula Sacchetta e Peu Robles, seguida da Conversa Pública do Projeto Clínica do Testemunho do Instituto Projetos Terapêuticos de São Paulo, um dos cinco selecionados pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça para participar 
do projeto de reparação psicológica aos afetados pela ditadura civil e militar de 1964-1985.

Verdade 12.528
O documentário de Paula Sacchetta e Peu Robles aborda as questões básicas sobre como manter viva a memória dos que tombaram durante a ditadura e de que maneira contornar os impedimentos legais trazidos pela Lei da Anistia, promulgada em 1979,  prosseguindo com os trabalhos de resgate e reconstrução deste período.
O filme também evidencia como resquícios da ditadura civil-militar que tomou conta do país por 21 anos continuam presentes em nossa sociedade, debatendo o papel da Comissão Nacional da Verdade na busca de algumas destas respostas.

Clínica do Testemunho
O Instituto Projetos Terapêuticos compõe, junto com outras quatro instituições de quatro capitais brasileiras, as “Clínicas do Testemunho”, promovidas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Esta iniciativa visa oferecer apoio e acompanhamento aos anistiados, anistiandos e familiares afetados pela violência de Estado durante a ditadura civil-militar de 1964-1985 no Brasil.

A atividade consistirá de uma Conversa Clínica Pública: uma proposta para intervir sobre o silenciamento nos espaços coletivos ao criar um campo de circulação da palavra, em que várias vozes são escutadas por muitos ouvintes pareados na experiência sobre questões que dizem respeito à relação entre a violência de Estado e a subjetividade.

PROGRAMAÇÃO
14h: Boas vindas – Karina Teixeira (Memorial da Resistência de São Paulo)
Coordenação –  Milton Bellintani (diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política)

14h15 – 15h10: Exibição do documentário “Verdade 12.528”

15h15 – 16h15: Conversa Publica do Projeto Clínica do Testemunho do Instituto Projetos Terapêuticos:
– Maria Beatriz Vannuchi (Psicanalista e analista institucional, coordenadora do Núcleo de Atendimento de Famílias, integrante do Núcleo de Investigação e Pesquisa do Instituto Projetos Terapêuticos; terapeuta da Clínica do Testemunho).
– Maria Marta Azzolini (Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e professora no curso ‘Clínica Psicanalítica, Conflito e Sintoma’; terapeuta da Clínica do Testemunho).
– Rodrigo Blum (Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante do Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise, professor convidado do Centro de Estudos Psicanalíticos; terapeuta da Clínica do Testemunho) .

16h15 – 17h30: Debate do público com os psicanalistas da Clínica do Testemunho e os diretores do documentário:
– Paula Sacchetta (Jornalista e diretora do documentário “Verdade 12.528”. Ganhadora do 34º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria revista, com reportagem sobre a Comissão da Verdade publicada na revista Caros Amigos em 2012).
– Peu Robbles (Economista, fotógrafo e diretor do documentário “Verdade 12.528”).

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.

Crimes da Ditadura Brasileira: o caso do atentado Riocentro

O jornal O Globo publicou uma interessante matéria sobre o caso atentado Riocentro .

O Caso Riocentro foi uma ação de terrorismo organizada por agentes do governo militar e organizações de direita contra o processo de mobilização pelo fim da ditadura militar.

A ideia dos terroristas do Exército eram criar situações de caos no país para justificar a manutenção da ditadura militar.

A matéria do jornal O Globo investiga uma prova do crime: a agenda do sargento que morreu ao fazer a montagem das bombas no Riocentro.

Leia um trecho:

RIO – Deixar que a bomba explodisse em seu colo não foi o único erro do sargento Guilherme Pereira do Rosário na noite de 30 de abril de 1981, no Riocentro. O “agente Wagner” do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército (DOI I), principal centro de tortura do regime militar no Rio, também levava no bolso uma pequena agenda telefônica, contendo nomes reais, e não codinomes, e respectivos telefones, de militares e civis envolvidos com tortura e espionagem. Quatro deles eram ligados ao “Grupo Secreto”, organização paramilitar de direita que desencadeou uma série de atos terroristas na tentativa de deter a abertura política.

Havia ainda nomes-chave da polícia fluminense, como o chefe de gabinete do secretário de Segurança e o chefe da unidade de elite policial da época, o Grupo de Operações Especiais, mais tarde Departamento Geral de Investigações Especiais, setor especializado em explosivos que tinha a responsabilidade de investigar justamente atentados a bomba como os patrocinados pelos bolsões radicais alojados na caserna.

Trinta anos depois do atentado que vitimou o próprio autor e feriu gravemente o então capitão Wilson Machado, O GLOBO localizou a agenda e identificou metade dos 107 nomes e telefones anotados pelo sargento. De oficiais graduados a soldados, de delegados a detetives, Rosário tinha contatos em setores estratégicos, como o Estado-Maior da PM e a chefia de gabinete da Secretaria de Segurança, além de amigos ligados a setores operacionais, como fábrica de armamento e cadastros de trânsito.

Para ler a matéria completa vá até o jornal O Globo. Dica do blog Tijolaço.

Um artigo de Rui Martins: A nossa suja história

Montagem com fotos de desaparecidos políticos da ditadura militar brasileia

Foi minha filha Julie quem me deu o tema para esta coluna, logo depois do almôço, quando falávamos das mentiras da Tepco no Japão, das tantas mortes na Líbia e do futuro de Kadhafi. Ela ainda está traumatizada por ter ouvido de um primo, numa reunião familiar na última viagem ao Brasil, que a ditadura militar tinha sido uma boa coisa para o País.

Terminando o curso colegial, tem estudado a História recente e me surpreendeu, pois, enquanto tomávamos o café preto sem açúcar, fez um simples mas profundo comentário:

Veja só papai: na França, existem ruas, placas comemorativas com o nome de Jean Moulin, herói da resistência à ocupação nazista. Quando estive em Barcelona, vi que o povo espanhol não esquece dos que lutaram contra o ditador Franco. Mas, no Brasil, ninguém fala nos anos da ditadura, minhas primas nem sabem disso, é como se nunca tivesse acontecido. Mas foram vinte anos !

Coincidentemente, tinha lido ontem, uma entrevista da jovem e brilhante jornalista Ana Helena Tavares com um dos nossos heróis da resistência à ditadura militar, Carlos Eugênio Paz, na qual ele fala nessa falha histórica, pela qual nossos cinco ditadores são chamados de presidentes e seus nomes são imortalizados em obras públicas.

É verdade, o Brasil está empurrando para debaixo do tapete sua suja História, talvez por vergonha mas principalmente porque muitos de seus atores, que participaram do golpe e justificaram a ditadura, estão vivos e têm força suficiente, até no STF, para tentar apagar da memória da jovem geração nossas páginas vergonhosas.

E minha filha citou como exemplo a experiência suíça. Durante anos, os manuais escolares, os jornais, os políticos suíços esconderam o papel da Suíça durante a Segunda Guerra, disfarçado sob o manto de uma pretensa neutralidade.

Porém, pressionado pelo peso da verdade, o governo foi obrigado a criar uma Comissão histórica independente, composta também de historiadores estrangeiros, presidida pelo suíço Jean François Bergier, para se revelar os anos ocultos.

E muita coisa dolorosa se soube, desde os judeus entregues aos nazistas nas fronteiras, ficando seus bens retidos nos bancos suíços, à lavagem do ouro roubado dos bancos centrais dos países ocupados pelos nazistas. Com esse ouro lavado e trocado em dinheiro, os nazistas podiam importar tungstênio e matérias primas da Espanha e Portugal para fabricar suas armas de guerra. E, enfim, foi o próprio presidente suíço quem fez solenemente sua mea culpa.

Argentinos e espanhóis desenterram suas vergonhas e estremecem diante das revelações de adoções por famílias de militares dos filhos das jovens opositoras mortas sob a tortura. O exercício da memória é a única maneira de se restabelecer a honra de um país. O Chile teve também seu momento de penitência, ao se revelarem oficialmente os crimes de Pinochet, velho decadente fingindo-se de gagá, com seu passado de traição e assassinatos.

É verdade minha filha, o Brasil nunca poderá ser um país de respeito enquanto não lavar a sujeira dos seus vinte anos de ditadura, enquanto não soubermos os nomes dos torturadores e assassinos, alguns dos quais sobreviveram ao retorno da democracia como políticos e parlamentares.

Enquanto os livros escolares não falarem de resistentes como Marighella, Lamarca e de tantos outros que tornaram possível a democracia de hoje. Será também preciso se retirar dos ditadores, desde Castelo Branco a Figueiredo, passando por Médici, Costa e Silva e Geisel, a citação e referência de terem sido nossos presidentes.

É preciso se contar a verdade para as novas gerações estudiosas, que terão vergonha se o Brasil for o único país do mundo a acobertar a vergonha dos seus anos sujos de ditadura, de falta de liberdade, de torturas e assassinatos. E nesse quadro, é muito normal surgirem declarações abjetas como essas do deputado Bolsonaro, apoiadas pelo pessoal dos anos sujos. Declarações que nunca serão punidas.

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, é líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado dos Emigrantes, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o Expresso, de Lisboa, Correio do Brasil e agência BrPress.

Fonte:  Correio do Brasil