Para entender a Cracolândia em São Paulo

No Blog da Cidadania encontrei esse vídeo. É uma produção espanhola, feita no Brasil. Lá o blog apresenta o problema:

Quem não vive na capital paulista e vê as notícias sobre a revoada de almas esquecidas que ainda resistem nos bairros de Campos Elíseos e Luz, onde a Caixa de Pandora da Cracolândia paulistana vem sendo aberta após décadas de descaso, talvez não entenda por que os governos do Estado e da cidade de São Paulo adotaram medida tão impressionantemente desastrada.

A ação que espalhou pela maior cidade sul-americana uma legião de verdadeiros mortos-vivos vai formando mini guetos na porta de cada um dos que acharam que poderiam deixar aquele desastre social crescer sem jamais serem afetados.

A diáspora de viciados que as forças policiais sob comando do governador e do prefeito de São Paulo provocaram gerou o que a imprensa vem chamando de “procissão do crack”. Como a operação se limitou a espantar aquelas pessoas da Cracolândia, a PM está tendo que escoltar pelas ruas da cidade grupos de até cem pessoas cada.

As regiões que estão recebendo aqueles que vão sendo tratados como dejetos humanos, reclamam. Segundo o jornal Estado de São Paulo, moradora da outra cidade, do outro país, do outro mundo contíguo ao gueto da loucura reclamou de que “Antes, eles ficavam escondidos. Agora, ninguém tem sossego” E pediu que as autoridades encontrem “algum lugar para levá-los”.

Eis o que acontece com São Paulo. Essa é a mentalidade de uma parcela enorme da sociedade paulista. Os favorecidos pela sorte querem simplesmente ignorar os dramas sociais que uma governança voltada exclusivamente para os mais ricos gerou.

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É uma denúncia dura e contundente do que se esconde na operação de limpeza da região da Luz patrocinada pela prefeitura de São Paulo e pela Polícia Militar.

É bom lembrar que a maioria das subprefeituras da cidade estão sob comando de coronéis da PM reformados (aposentados). Eles são a principal base de sustentação do prefeito Gilberto Kassab (PSD), como explica Adriano Diogo.

É a especulação imobiliária que prepara uma operação desagregadora para a cidade, sem solucionar os problemas existentes, na verdade, o que fazem é empurrar os problemas para outras partes da cidade.

SP: usineiros incentivam crack para cortadores trabalharem 14 horas – Ricardo F. Santos

Em algumas plantações de cana-de-açúcar no interior do Estado de São Paulo, existem alguns funcionários que, sonho de qualquer usineiro, conseguem trabalhar cerca de 14 horas por dia sem interrupção. O segredo da produtividade é pequeno, barato e cada vez mais fácil de conseguir: o crack. As consequências para o ‘superfuncionário’, porém, são conhecidas: após poucos anos, uma saúde devastada e, não raro, a morte.

Esse é um dos usos crescentes da droga que mais surpreenderam a Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo. A comissão, formada por 29 parlamentares, fez um levantamento inédito sobre a proliferação do entorpecente no Estado, e o apresentou nesta terça-feira.

Segundo o deputado estadual Donisete Braga (PT), as regiões onde a prática é mais comum são Ribeirão Preto, Vale do Ribeira, Pontal, São José do Rio Preto e Alta Paulista, onde há forte indústria sucroalcooleira. “Os funcionários fazem uso da droga para agregar valor físico e aumentar a produção”, explicou, acrescentando que, em geral, os trabalhadores são pagos pela produtividade. “Após quatro ou cinco anos, são afastados, demitidos.” Como a maioria não possui vínculo formal de trabalho, os trabalhadores nada recebem depois da prestação do serviço, e resta-lhes apenas a saúde debilitada pelo crack.

“Há uma liberação do consumo de crack por parte das usinas”, afirmou Braga. “Essa prática acontece com plena conivência dos empresários e das autoridades”, completou o deputado Major Olímpio (PDT-SP).

As informações compiladas pelo levantamento, afirmou Braga, são o primeiro passo para acabar com essa situação. Segundo o parlamentar, a partir delas será possível fiscalizar e acompanhar o uso da droga no Estado, e definir ações de erradicação. A pesquisa feita pela Assembleia abordou políticas públicas, investimentos e programasde combate a drogas, e foi respondida por 325 dos 645 municípios do Estado, que concentram 76% da população.

Fonte: Portal Terra

A droga, o tráfico e a lavagem do dinheiro – Andreu Camps

Em 24 de fevereiro de 1995, a imprensa espanhola publicou a notícia que o Tribunal de Justiça da União Européia decidiu que a lei sobre o controle de trocas na Espanha era contraditória com a diretriz da própria União Européia – UE, que liberalizava o movimento de capitais.

Essa lei autorizava a sair da Espanha até 40 mil dólares sem autorização prévia. A diretriz européia ‘Liberaliza” o montante das somas que podem sair sem controle representa, sem dúvida, uma arma temível para facilitar a lavagem de dinheiro da droga e da fraude. Esta decisão do Tribunal de Justiça europeu foi tomada no momento em que os antigos responsáveis pela luta anti-terrorista na Espanha, responsabilizados por terem constituído os GAL1 são acusados de terem enviado clandestinamente à Suíça cerca de 1,6 milhão de dólares para pagar seus capangas. A sentença do tribunal europeu reduz a nada as conseqüências penais da lei que eles transgrediram. Este episódio mostra de uma maneira exemplar a ligação existente entre a “liberalização” do sistema financeiro e a multiplicação de toda ordem de delitos de lavagem de dinheiro “sujo” e fraudes.

Essa relação entre o funcionamento do sistema financeiro internacional, o tráfico e a lavagem de dinheiro da droga está no centro do problema da droga que se tenta apresentar como sendo uma questão entre os que defendem a legalização (em diferentes níveis ou completamente) e os que defendem sua proibição. Existe um ponto comum entre os porta-vozes desta cruzada moderna: trata-se de retirar a responsabilidade maior que o sistema financeiro internacional, e portanto os diferentes governos, têm no desenvolvimento deste tráfico que tomou proporções monstruosas. Esse tráfico está na origem de inúmeras tragédias para setores inteiros da população submetidos ao seu flagelo, enquanto os diferentes governos utilizam politicamente e tiram proveito financeiro.

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Condições, fuga da realidade e absurdos

Discuti o tema em sala de aula nas turmas de Santo André e Guarulhos. É sempre uma discussão boa.

O uso de drogas na nossa sociedade é algo verdadeiramente questionável.  Perder os sentidos, desligar-se da realidade ou ver a realidade deformada pela ação de substâncias entorpecentes.

Não existe uma resposta única. Há casos e casos. Alguns são de covardia, onde encarar a realidade é tão doloroso que é mais fácil fugir dela. Outros falta de noção simplesmente, onde a incapacidade de dicernimento leva a pessoa a fazer isso sem pensar em nada. Aqui entra aqueles que seguem o embalo dos “amigos” sem consciência do que estão fazendo.
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