Vale nota, professor?! – Por Antônio Ozaí

Uma exelente reflexão sobre o lugar da escola, das provas e o sentido da educação.

Para que estudamos? Para tirar notas? Ou para aprender?

Leiam o artigo do professor Antônio Ozaí  da Universidade Estadual de Maringá e editor da Revista Espaço Acadêmico.

Vale nota, professor?!

“… viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar conteúdos mas também ensinar a pensar certo. Daí a impossibilidade vir a tornar-se um professor crítico se, mecanicamente memorizador, é muito mais um repetidor cadenciado de frases e de idéias inertes do que um desafiador”. (Paulo Freire, 1997: 29)

“Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino de conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar”. (Id.: 37)

Paulo Freire (1921-1997)
Educadores críticos como Paulo Freire nos ajudam a refletir sobre a prática docente. Mas, toda reflexão embute um certo sofrer; e este sofrimento é ainda maior quando identificamos que a teoria pedagógica, isto é, os fundamentos e modelos que incorporamos, contribuem para aumentar as dificuldades presentes no processo de ensino-aprendizagem. Entre a teoria e a prática há uma distância nem sempre fácil de percorrer. Assim, ainda que nossas certezas teóricas nos levem a assumir uma determinada postura como educadores, somos desafiados cotidianamente pela realidade da sala de aula. A título de analisarmos os desafios e angústias da prática docente, adotemos alguns exemplos hipotéticos:
  1. O (a) professor (a) “X” ministra aulas para duas turmas, em horários seguidos. Ele (a) aplica a prova para primeira turma e esta, no intervalo, passa as questões (e respostas) para a segunda turma. Posteriormente, o (a) professor (a) fica sabendo do ocorrido, e irado (a), afirma que a prova será anulada para ambas as turmas. Os alunos, é claro, não aceitam. O que fazer?
  2. Numa certa manhã gélida o (a) professor (a) dirige-se à escola para ministrar aula e, lá chegando, se vê diante do seguinte fato: seus alunos mataram a aula para estudar a matéria do (a) outro (a) professor (a), que aplicou a prova na aula seguinte. O que fazer?
  3. A aula do (a) professor (a) “Y” é interrompida pelo (a) professor (a) “Z” para informar aos alunos sobre a disponibilidade de monitoria em sua disciplina. Os alunos escutam-no atenciosamente, mas não esboçam reação nem fazem perguntas. Não contente em apenas “dar o recado”, o (a) professor (a) “Z” adota um tom de ameaça velada e sugere aos alunos que procurem a monitoria e façam um “estoque de notas”.

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