Calendário cósmico – Carl Sagan

Via wikipédia:

O Calendário Cósmico é uma escala na que o tempo de vida do universo é extrapolado a um calendário anual, ou seja, o Big Bang ocorreu o primeiro de janeiro cósmico, exatamente à meia-noite e o tempo presente é a meia-noite de 31 de Dezembro. Neste calendário, o sistema solar não é exibido até 09 de setembro, a vida na Terra vem a 30 desse mês, os dinossauros apareceram pela primeira vez em 25 de dezembro e as primeiras primatas em 30. Os mais primitivos Homo sapiens não chegaram até dez minutos antes da meia-noite do último dia do ano, e toda a história humana ocupa apenas os últimos 21 segundos. Nesta escala do tempo, a meia-idade humana são 0,15 segundos.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Calendário_cósmico

A teoria em evolução – David Quammen

Darwin Estava Errado? Não.
Os indícios da evolução são inegáveis.

Reconstrução digital do Ardipithecus ramidus moldado em resina, cujo original foi encontrado na região do Médio Awash, na Etiópia

A evolução por meio da seleção natural, a concepção fundamental de toda a obra de Charles Darwin, é uma teoria – uma teoria sobre a origem da adaptação, complexidade e diversidade dos seres vivos na Terra. Para os mais céticos e menos familiarizados com a terminologia científica, é grande a tentação de dizer que se trata de “apenas” mais uma teoria. No mesmo sentido, a relatividade, tal como descrita por Albert Einstein, não passa de uma teoria. A noção de que a Terra gira em torno do Sol, proposta por Copérnico em 1543, também é “apenas” uma teoria. A deriva continental é outra. A existência, estrutura e dinâmica dos átomos? Teoria atômica. Até mesmo a eletricidade é uma elaboração teórica, postulando a existência dos elétrons, minúsculas unidades de massa eletricamente carregadas e jamais vistas. Todas essas teorias são explicações que foram confirmadas, até certo ponto, por meio de observações e experimentos, e que os especialistas aceitam como fatos. É isso o que os cientistas querem dizer quando propõem uma teoria: não uma especulação vaga e pouco confiável, mas uma explicação capaz de dar conta das evidências. Eles adotam tais explicações de maneira provisória – considerando-as como a melhor concepção disponível da realidade, até que surjam dados conflitantes ou melhores.

Nós, que não somos cientistas, em geral concordamos na prática com eles. Ligamos nosso aparelho de TV na tomada da parede, nosso ano é medido pelo comprimento da órbita da Terra e, de muitas outras maneiras, levamos adiante nossa vida, confiando na realidade dessas teorias.

A teoria da evolução, porém, é um pouco diferente. Afinal, é uma concepção da vida tão fantástica e abrangente que alguns a consideram inaceitável, apesar da montanha de indícios comprobatórios. Quando aplicada à nossa própria espécie, Homo sapiens, ela parece ainda mais ameaçadora. Muitos cristãos fundamentalistas e judeus ultra-ortodoxos não se conformam com a idéia de os seres humanos descenderem de primitivos primatas, em contradição com suas leituras literais do Gênesis bíblico. O desconforto tem paralelo entre os criacionistas islâmicos que consideram uma verdade literal o relato da Criação em seis dias. Para o falecido Srila Prabhupada, do movimento Hare Krishna, Deus criou “os 8,4 milhões de espécimes vivos no princípio”, a fim de oferecer múltiplos patamares para a ascensão das almas reencarnadas.

Leia a matéria completa no site da National Geographic clicando aqui. Vale muito a pena.

Caranguejo Samurai

Seleção artificial: o caso do caranguejo samurai


Lendo um interessante artigo do biólogo “Caranguejo samurai e o futuro do homem” de Alysson Muotri.

Ele retoma algo que Carl Sagan já havia explorado num episódio de Cosmos que me lembro desde criança.

Procurando na internet achei a passagem do Carl Sagan sobre os caranguejos samurai:

Deixem-me contar-vos uma história sobre uma pequena frase musical da vida na Terra.

No ano de 1185, o imperador do Japão era um menino de 7 anos chamado Antoku. Ele era também o chefe nominal de um clã de samurais, os Heike, que travavam uma longa e sangrenta batalha com outro clã, os Genji, por ambos se acharem com direitos ancestrais ao trono imperial. O encontro naval decisivo entre os dois cIãs, com o imperador a bordo, deu-se em Danno-ura, no mar do Japão, a 24 de Abril de 1185. Os Heike eram numérica e tacticamente inferiores; muitos pereceram na batalha e os sobreviventes atiraram-se em massa ao mar, afogando-se. A senhora Nu, avó do imperador, decidiu que nem ela nem Antoku seriam capturados pelo inimigo. O que se seguiu vem contado na História dos Heike:

«O imperador tinha 7 anos, mas parecia muito mais velho. Era tão belo que parecia irradiar um halo de luz e o seu longo cabelo negro caía solto pelas costas abaixo. Com a surpresa e a ansiedade estampadas no rosto, perguntou à senhora Nu: ‘Para onde me levas?’ Ela voltou-se para o jovem soberano, com as lágrimas correndo em fio, e […] confortou-o, atando-lhe os longos cabelos com as suas vestes cor de pomba. Com os olhos cegos pelas lágrimas, o pequeno imperador juntou as delicadas mãozinhas. Voltou-se primeiro para oriente, despedindo-se do deus Ise, e depois para ocidente, recitando o Nembutsu [uma oração ao Amida Buddha]. A senhora Nu tomou-o nos braços e, dizendo ‘Nas profundezas do oceano está o nosso capitólio’, afundou-se finalmente com ele entre as ondas.»

Toda a armada Heike foi destruída só sobrevivendo quarenta e três mulheres. Estas damas da corte imperial viram-se forçadas a vender flores e outros favores aos pescadores da costa, perto do palco da batalha. Os Heike praticamente desapareceram da história.

Mas o miserável rebanho das ex-damas da corte e dos filhos que tiveram dos pescadores estabeleceram um festival em comemoração da batalha, o qual se realiza no dia 24 de Abril de cada ano.

Os pescadores descendentes dos Heike vestem-se de serapilheira e, com a cabeça coberta de negro, dirigem-se para o santuário de Akama, que contém o mausoléu do imperador afogado, onde assistem a uma peça que narra os acontecimentos que se seguiram à batalha de Danno-ura. Durante séculos, o povo imaginou ver exércitos de samurais que tentavam em vão esvaziar o mar, para o limpar do sangue, da derrota e da humilhação. Os pescadores dizem que os samurais Heike ainda vagueiam pelos fundos do mar do Japão — sob a forma de caranguejos.

De facto encontram-se neste local caranguejos com marcas curiosas nas carapaças, marcas e recortes que se assemelham de um modo perturbante ao rosto de um samurai. Quando apanham estes caranguejos, os pescadores não os comem, mas voltam a deitá-los ao mar, em comemoração dos trágicos acontecimentos de Danno-ura.

Esta lenda levanta um problema interessante. Como é que a cara de um samurai foi gravada na carapaça de um caranguejo?

A resposta parece ser que foram os homens que fizeram a cara. As marcas da carapaça dos caranguejos são hereditárias. Mas nestes bichos, tal como nas pessoas, existem muitas linhas genéticas.

Suponhamos que entre os antepassados longínquos deste caranguejo surgiu por acaso um cuja carapaça lembrava vagamente um rosto humano. Já antes da batalha de Danno-ura, os pescadores teriam provavelmente tido relutância em comer um caranguejo assim. E ao voltar a deitá-la ao mar, eles iniciaram um processo evolutivo: se fores um caranguejo de carapaça vulgar, os homens comem-te — a tua linha deixará poucos descendentes; se a tua carapaça se parecer, por pouco que seja, com uma cara, eles deitam-te de volta ao mar e poderás ter mais descendentes.

Os caranguejos investiram substancialmente nas marcas das carapaças. Com o passar das gerações, tanto de caranguejos como de pescadores, os animais cujas carapaças mais se assemelhavam a um rosto de samurai sobreviveram preferencialmente, até que acabou por se produzir, não só uma face humana, não só uma cara de japonês, mas o rosto feroz de um temível samurai.

Nada disto tem o que quer que seja a ver com o que os caranguejos querem. A selecção vem do exterior. Quanto mais te pareceres com um samurai, melhor para ti. A seu devido tempo, acabou por haver grandes quantidades de caranguejos-samurais.”

O próprio biólogo Alysson Muotri cita em seu artigo o trecho do Carl Sagan acima.

E desenvolve o impacto da seleção artificial terá na vida em nosso planeta.

Vale a pena ler um trecho:

“De qualquer forma, a saga dos caranguejos Heike é um potencial exemplo do processo de seleção onde certas linhagens sobrevivem não por causa de forças da natureza, mas pela intenção humana. Esse caso específico é conhecido por biólogos e foi amplamente difundido por Carl Sagan em um episódio de “Cosmos” (alguém lembra?).

Na verdade, é apenas um dos milhares de exemplos desse tipo de seleção artificial, onde os homens decidem quais tipos de organismos sobreviverão no futuro. Hoje em dia, a seleção artificial é conscientemente utilizada em microbiologia, genética e biotecnologia, para a descoberta e desenvolvimento de novas drogas, por exemplo.

Fora dos laboratórios, o homem também modifica o ambiente a todo momento, nem sempre de forma consciente. Ainda não compreendemos as conseqüências de nossas ações no ambiente. Ações corriqueiras como o uso de detergentes, plásticos etc., influenciam o ecossistema e vão direcionar as espécies que vão habitar o planeta no futuro.

Interessante notar que, mesmo com tanta capacidade mental e tecnológica, o homem corre o risco de não estar entre as espécies selecionadas, gerando a própria extinção.”

Quem quiser ler o artigo inteiro pode clicar aqui.