“A Última Pergunta” – um conto de Isaac Asimov

Asimov

Breve introdução ao conto “A Última Pergunta” de Isaac Asimov

A ficção cientifica é o palco onde a humanidade explora sua imaginação. É o terreno onde se produz o futuro, quando não se adapta as regras e limites do presente. É o terreno do novo, do revolucionário, da evolução ilimitada ao progresso que deveria ser o norte.

O fato é que a ficção é a construção do futuro no presente.  É o dia de amanhã produzido pelas ideias de hoje. Em nossa época a ficção se materializa para a maioria na forma cinematográfica. A literatura de ficção é por demais maltratada pelo mercado editorial que sempre a classifica como uma “sub” literatura.

Mas ela também tem limites que são os limites da consciência da sua época. Hoje a ficção é determinada pelo desprezo da imaginação e da criação por um “Futuro” com “F” maiúsculo. É aquilo que o crítico Fredric Jameson observou no seu “ Archaeologies of the Futureque em nossa época o futuro assume duas formas majoritárias: o hecatombe (destruição, devastação, holocausto…)  seja nuclear (Mad Max, p.ex.) , seja zumbi (Walking Dead, p.ex.), seja robótico/cibernético (Matrix e Exterminador do Futuro, p.ex.) ou catastrófico ambiental (Um dia depois do Amanhã, p.ex.). Ou mais do mesmo que vivemos (como Blade Runner:  O Caçador de Andróides ou Minority Report p.ex.), uma repetição de nossa época (dos sofrimentos, das desigualdades, dos problemas) sem mudanças no modo de viver da humanidade. É verdade que poderíamos incluir aquela ficção que é similar ao antigo, por exemplo as novelas de cavalaria, como o caso de Guerra nas Estrelas (Star Wars) onde o que temos é o antigo contado nos moldes da ficção cientifica. 

Há exceções maravilhosas como a Jornada nas Estrelas (Star Trek) onde o futuro é desbravador no melhor sentido da palavra, é ir “onde ninguém jamais esteve”. Seja na série clássica, seja na Nova Geração, onde o capitão Jean Luc Picard chegou a explicar que a humanidade já havia superado as relações monetárias (e isso só pode acontecer com a planificação econômica, ou seja com o socialismo). 

Mas o maior gênio da melhor ficção é sem dúvidas Isaac Asimov. O impacto de sua obra não é apenas na imaginação, mas na própria ciência cujo ideias impactaram e impactam que os lê. Talvez sua juventude como marxista tenha ajudado a pensar num futuro de emancipação humana. Sem compromisso com o socialismo até o fim da vida explica profundamente o conjunto de sua obra associado a um futuro progressivo. Um futuro pela qual vale a pena sonhar.

O conto “A Última Pergunta” é talvez aquele que mais tenha me impactado. Sua

Por isso publico para vocês lerem. Espero que gostem.

Dedico essa publicação aos meus amigos Gustavo Rosa, Luã Cupollilo e Priscilla Chandretti.

Alexandre Linares

A Última Pergunta – conto de Isaac Asimov

A última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em dire-ção à luz . A questão nasceu como resultado de uma aposta de cinco dólares mo-vida a álcool, e aconteceu da seguinte forma.

Alexander Adell e Bertram Lupov eram dois dos fiéis assistentes de Multi-vac. Eles conheciam melhor do que qualquer outro ser humano o que se passava por trás das milhas e milhas da carcaça luminosa, fria e ruidosa daquele gigantes-co computador. Ainda assim, os dois homens tinham apenas uma vaga noção do plano geral de circuitos que há muito haviam crescido além do ponto em que um humano solitário poderia sequer tentar entender.

Multivac ajustava-se e corrigia-se sozinho. E assim tinha de ser, pois ne-nhum ser humano poderia fazê-lo com velocidade suficiente, e tampouco da forma adequada. Deste modo, Adell e Lupov operavam o gigante apenas sutil e superfi-cialmente, mas, ainda assim, tão bem quanto era humanamente possível. Eles o alimentavam com novos dados, ajustavam as perguntas de acordo com as neces-sidades do sistema e traduziam as respostas que lhes eram fornecidas. Os dois, assim como seus colegas, certamente tinham todo o direito de compartilhar da glória que era Multivac.

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Condições, fuga da realidade e absurdos

Discuti o tema em sala de aula nas turmas de Santo André e Guarulhos. É sempre uma discussão boa.

O uso de drogas na nossa sociedade é algo verdadeiramente questionável.  Perder os sentidos, desligar-se da realidade ou ver a realidade deformada pela ação de substâncias entorpecentes.

Não existe uma resposta única. Há casos e casos. Alguns são de covardia, onde encarar a realidade é tão doloroso que é mais fácil fugir dela. Outros falta de noção simplesmente, onde a incapacidade de dicernimento leva a pessoa a fazer isso sem pensar em nada. Aqui entra aqueles que seguem o embalo dos “amigos” sem consciência do que estão fazendo.
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