“Hoje matei 13 crianças palestinas”

Israel

O soldado israelense Davi Ovadia publicou, em 30 de julho de 2014,  na internet,  sua foto apontando seu fuzil, com as seguintes palavras:  “Matei hoje 13 crianças palestinas. O resto dos desgraçados muçulmanos mandarei para  o inferno mais tarde”.

Esse é mais um dos muitos exemplos do  auto-proclamado “alto padrão do exército de Israel”.

Para o primeiro ministro Netaniahu, o exército israelense tem padrão moral sem par.  Alega que Israel não intenciona atingir nenhuma pessoa inocente.

No mesmo dia da declaração de Netaniahu, o chefe para assuntos humanitários da ONU,  Valerie Amos,  em vídeo-conferência no Conselho de Segurança da ONU, declarou que mais de 80% das vítimas em Gaza são civis e que o mundo está assistindo horrorizado o desespero das crianças e civis palestinos sob o ataque israelense.

O mundo deveria estar horrorizado não apenas com o padrão imoral do exército de Israel, mas também com todas as declarações e atos do Estado judeu. O genocídio em Gaza é fruto de uma cultura racista e assassina, que domina a sociedade israelense, e inclusive muitos judeus fora de Israel.

Citam-se apenas algumas declarações de políticos, religiosos, acadêmicos e militares israelenses sobre árabes e especificamente sobre palestinos.
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Cortina de fumaça – A capacidade nuclear do Irã representa uma ameaça à região? – Marcia Camargos

NÃO

Até que se prove o contrário, o atual programa nuclear iraniano é pacífico e visa solucionar um grave deficit energético. Vale lembrar que Teerã ergueu em 1967 seu primeiro Centro de Pesquisas Nucleares, e planejou a construção de até 20 usinas nucleares. A orientação vinha do Stanford Institute, indicando a necessidade de 20 mil megawatts de energia atômica até 1994.

A partir da Revolução Islâmica, os Estados Unidos suspenderam o apoio, barraram a cooperação com empresas francesas e alemãs e impediram acordos com África do Sul, China e Argentina.

Já o recente relatório da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU apontou, ali, indícios de atividade com propósitos militares, mas nem chegou perto de comprovar que os persas estejam em vias de produzir a bomba.

E na suposição de que, um dia, dominem sua tecnologia, ela funcionaria, antes, como fator de dissuasão e autodefesa, pois o Irã não tem histórico de invasão de países próximos. Sua última guerra foi desencadeada pelos Estados Unidos, que, ao apoiar Saddam Hussein contra a República Islâmica ainda vulnerável no período pós-revolução, deram aos dirigentes o pretexto para endurecer o discurso e consolidar a teocracia.

Contudo, e a despeito da negação do Holocausto por alguns dos seus governantes, o Irã abriga uma colônia judia das mais antigas do mundo, formada por 25 mil pessoas que gozam de liberdade de fé, frequentando as diversas sinagogas lotadas no shabat.

Diante disso, cabe perguntar por que Israel se opõe a um Irã nuclear. As respostas são simples. Além de evitar um contrapeso à sua própria eficiência atômica e ver crescer o poder político do Irã, o país usa a retórica como cortina de fumaça para distrair a opinião pública em relação ao que faz na Palestina.

Israel mantém em alto nível a tensão com o Irã como forma de ocultar suas constantes agressões.

Não por acaso, justamente agora, quando a Palestina pede seu ingresso na ONU, surge a ameaça de bombardear e destruir os reatores iranianos. E isso ocorre mesmo com a mídia israelense alertando que uma intervenção na terra dos aiatolás não destruiria o know-how, mas apenas estruturas físicas recuperáveis com rapidez.

Azeitar a máquina de guerra sempre ávida por novas frentes de combate também faz parte do leque das cogitações belicistas e dos interesses econômicos israelenses.

Não há de se negar que o Irã quer assumir o papel de potência regional, mas não deseja uma guerra contra Israel, e em hipótese alguma se movimentaria nesse sentido para defender os palestinos.

Ou seja, construir uma bomba é mais uma questão estratégica do que bélica. E na eventualidade de, no futuro, afinal conseguir produzir meia dúzia delas, pensará mil vezes antes de atacar um vizinho com mais de 200 ogivas nucleares livres de inspeções e das leis internacionais, já que Israel não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear nem integra a AIEA.

Quanto à região, ela não ficará menos segura se o Irã tiver a bomba. Em tal contingência, contudo, quem sairia perdendo é a sociedade civil, que vem se rebelando para exigir democracia e liberdade de expressão. Ou seja, um Irã nuclear fortalecerá o regime que seguirá usando Israel como bode expiatório para desviar a atenção de profundos problemas internos, e vice-versa.

Enquanto isso, o ponto crucial e nevrálgico, sintomaticamente “esquecido”, é o desarmamento mundial, que passa ao largo do debate.

MARCIA CAMARGOS é historiadora com pós-doutorado pela USP. Escreveu, entre outros, “O Irã sob o Chador” (em coautoria).

Fonte:  Folha de S.Paulo, 12/11/2011

O “Filho de África” reclama as jóias da coroa de todo um continente – John Pilger


Sudão do Sul, país recém criado. A 14 de Outubro, o presidente Barack Obama anunciou o envio de forças especiais americanas para a guerra civil do Uganda. Nos próximos meses, tropas de combate americanas serão enviadas para o Sudão do Sul, Congo e República Centro-Africana. Obama assegurava também, satiricamente, que estas apenas “actuarão” em “auto-defesa”. Com a Líbia securizada, está então em marcha uma invasão americana do continente africano.

A decisão de Obama é descrita pela imprensa como “bastante invulgar”, “surpreendente” e até como “esquisita”. Nada está mais longe da verdade. É a lógica própria à política externa americana desde 1945. Recordemos o caso do Vietname. A prioridade era então fazer frente à influência da China, um rival imperial, e “proteger” a Indonésia, considerada pelo presidente Nixon a “maior reserva de recursos naturais da região” e como “o maior prémio”. O Vietname estava simplesmente no caminho dos EUA; a chacina de mais de 3 milhões de vietnamitas e a destruição e envenenamento daquela terra era o preço a pagar para alcançar este objectivo. Como em todas as invasões americanas posteriores, um rastro de sangue desde a América Latina até ao Afeganistão e ao Iraque, a argumentação era sempre a da “auto-defesa” e do “humanitarismo”, palavras há muito esvaziadas do seu significado original.

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A Líbia e o mundo do petróleo

O artigo abaixo é uma reflexão do professor Noam Chomsky sobre o lugar do petróleo na guerra em curso das forças euro-americanas na Líbia. Ainda que eu não concorde integralmente com os argumentos de Chomsky, considero que a reflexão e os dados são úteis para vocês que estão se preparando para a prova do ENEM e dos demais vestibulares.

Noam Chomsky é professor e pesquisador do MIT, onde obteve a cátedra de línguas modernas e linguística, com atividade acadêmica e científica intensa e ininterrupta. Publicou diversos ensaios e estudos teóricos, como “Reflexões sobre a Linguagem”, “Linguagem e Mente” e “A Gramática Generativa”. É também um importante ativista político. Para saber mais sobre ele clique aqui para ler uma pequena biografia sobre ele.

Noam Chomsky

A Líbia e o mundo do petróleo

O mundo do petróleo raramente está longe quando se trata de assuntos que envolvem o Oriente Médio e o norte da África. Esse mundo oferece um guia útil para entender as reações ocidentais diante dos levantes populares no mundo árabe. Argumenta-se que o petróleo não pode ser considerado um motivo para a intervenção na Líbia porque o Ocidente já tem acesso ao mesmo sob o regime de Kadafi. Isso é certo, mas irrelevante. Afinal, o mesmo poderia ser dito sobre o Iraque sob o regime de Saddam Hussein.

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Tentando entender a guerra na Líbia

Um interessante artigo sobre os ataques realizados por forças armadas da Europa e dos EUA.

O ataque euro-americano à Líbia nada tem a ver com “proteção de civis” por John Pilger

O ataque euro-americano à Líbia não tem nada a ver com a proteção de ninguém; só os irremediavelmente ingênuos acreditam nesse disparate. É a reação do Ocidente aos motins populares em regiões estratégicas, ricas em recursos e o início de atividades hostis contra o novo rival imperialista, a China.

O presidente Barack Obama já assegurou o seu lugar na História. É o primeiro presidente negro da América a invadir a África. O ataque à Líbia é chefiado pelo Comando África dos EUA (US Africa Command), instituído em 2007 para assegurar os lucrativos recursos naturais do continente, roubando-os às populações empobrecidas e à influência comercial da China, em crescimento rápido. A Líbia, juntamente com Angola e a Nigéria, é a principal fonte de petróleo da China. Enquanto os aviões americanos, britânicos e franceses vão incinerando líbios “maus” e “bons”, assiste-se à evacuação de 30 mil trabalhadores chineses, provavelmente de forma permanente. As afirmações de entidades ocidentais e dos meios de comunicação de que “um coronel Kadhafi criminoso e enlouquecido” está a planear o “genocídio” contra o seu próprio povo, continuam a carecer de provas. Isto faz recordar as afirmações fraudulentas que exigiram a “intervenção humanitária” no Kosovo, o desmembramento final da Jugoslávia e a instalação da maior base militar americana na Europa.
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Líbia: ONU quer proteger os cívis? Com “bombardeios humanitários”?


Bombardeio do aeroporto de Trípoli, capital da Líbia,
por forças da OTAN autorizadas pela ONU

A hipocrisia é reinante quando falamos em guerra. A questão Líbia é sem dúvida um tema que vai aparecer nos vestibulares e no ENEM, pois diz respeito a dyas questões chaves do mundo atual: petróleo e guerra.

Quando assisto a Televisão fico indignado com a manipulação.  A visão parcial faz com que ninguém veja que dos dois lados existem seres humanos. Homens, mulheres e idosos e crianças sãos as vítimas. Não é o ditador Khadafi ou os comandantes da ONU/OTAN quem estão sofrendo.

A ideia de “intervenção humanitária” é nada mais nada menos do que a fachada para invasão e roubo do povo líbio. Querem roubar suas riquezas naturais: seu gás e petróleo.

Essa guerra também é para movimentar a indústria bélica. Cada míssil disparado pela marinha dos EUA custava mais de um milhão de dólares. Milhões para indústria da guerra. Fome e morte para o povo líbio. É isso que significa a “guerra humanitária”.

Bispo de Trípoli diz que 40 morreram por bombas da coalizão

O bispo apostólico da Igreja Católica na Líbia, Giovanni Innocenzo Martinelli, afirmou nesta quinta-feira que ao menos 40 pessoas morreram nos bombardeios da coalizão internacional sobre Trípoli, capital do país africano.

“Os chamados “bombardeios humanitários” causaram dezenas de vítimas entre civis em alguns bairros de Trípoli”, disse Martinelli à agência de notícias vaticana Fides.

Ele afirma que um dos ataques das forças internacionais, que têm como alvo oficial as Forças Aéreas do ditador Muammar Khadafi, atingiram um edifício residencial. O bombardeio teria causado a morte de 40 pessoas, diz o bispo.

O bispo afirmou ainda que vários hospitais de Trípoli foram atingidos por bombas, um deles no bairro de Misda, no sul da capital.

O governo líbio acusa, desde o início da operação internacional, as forças da coalizão de matarem dezenas de civis em seus bombardeios. Funcionários do governo chegaram a levar repórteres internacionais para os locais atacados e para hospitais e necrotérios, mas a evidência de morte de civis é inconclusiva diante da censura imposta por Trípoli à imprensa e possível manipulação.

Os países ocidentais dizem não ter evidência confirmada de morte de civis por seus ataques aéreos, aplicados sob resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para impor uma zona de restrição aérea no país e proteger os civis das forças de Khadafi.

“Embora se saiba que os bombardeios buscam atacar somente alvos militares, é certo também que quando eles atingem alvos militares que estão no meio de bairros civis, a população também é envolvida”, declarou o bispo.
“Eu coletei relatos de várias testemunhas confiáveis”, disse Martinelli à Fides.

Segundo ele, a situação em Trípoli torna-se cada dia mais difícil. “A escassez de combustível se agravou, como demonstram as filas intermináveis de carros nos postos de gasolina. No plano militar, parece que há um impasse, já que, aparentemente, os rebeldes não têm força suficiente para avançar”.

Ele insistiu ainda em uma solução diplomática “para pôr fim ao derramamento de sangue entre os líbios”, além de oferecer a Khadafi “uma saída digna” do poder.

Fonte: Jornal de Floripa