100 livros clássicos para download – dica do blog “Brasil que eu Quero”

Dica do Blog “Brasil que eu quero” 

Uma compilação com 100 obras, entre autores brasileiros e estrangeiros, escolhidas entre os 10 mil títulos disponíveis no portal Domínio Público. A lista, traz desde livros seminais, formadores da cultural ocidental, como “Arte Poética”, de Aristóteles, até o célebre “Ulisses”, de James Joyce, considerado um dos livros mais influentes do século 20, além de clássicos brasileiros e portugueses. Todo o acervo do portal DP é composto por obras em domínio público ou que tiveram seus direitos de divulgação cedidos pelos detentores legais. No Brasil, os direitos autorais duram setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente à morte do autor.

A Divina Comédia — Dante Alighieri
Ulysses — James Joyce
A Metamorfose — Franz Kafka
Don Quixote. Vol. 1 — Miguel de Cervantes Saavedra
Don Quixote. Vol. 2 — Miguel de Cervantes Saavedra
Cândido — Voltaire
Uma Estação no Inferno — Arthur Rimbaud
Iluminuras —Arthur Rimbaud
A Esfinge sem Segredo — Oscar Wilde
Viagens de Gulliver — Jonathan Swift
Poemas — Safo
O Elixir da Longa Vida — Honoré de Balzac
Arte Poética — Aristóteles
Via—Láctea — Olavo Bilac
As Viagens — Olavo Bilac
Contos para Velhos — Olavo Bilac
A Mensageira das Violetas — Florbela Espanca
Poemas Selecionados — Florbela Espanca
Livro de Mágoas — Florbela Espanca
Charneca em Flor — Florbela Espanca
Livro de Sóror Saudade — Florbela Espanca
O Livro D’ele — Florbela Espanca
O Guardador de Rebanhos — Fernando Pessoa
Poemas de Fernando Pessoa — Fernando Pessoa
Poemas de Ricardo Reis — Fernando Pessoa
Primeiro Fausto — Fernando Pessoa
O Pastor Amoroso — Fernando Pessoa
A Cidade e as Serras — Eça de Queirós
Os Maias — Eça de Queirós
Contos —Eça de Queirós
A Ilustre Casa de Ramires — Eça de Queirós
A Relíquia — Eça de Queirós
O Crime do Padre Amaro — Eça de Queirós
Vozes d’África — Castro Alves
Os Escravos —  Castro Alves
O Navio Negreiro — Castro Alves
Espumas Flutuantes — Castro Alves
Eu e Outras Poesias — Augusto dos Anjos
Eterna Mágoa — Augusto dos Anjos
Os Sertões — Euclides da Cunha
Canção do Exílio — Antônio Gonçalves Dias
Dom Casmurro — Machado de Assis
Esaú e Jacó — Machado de Assis
Quincas Borba — Machado de Assis
Contos Fluminenses — Machado de Assis
O Alienista — Machado de Assis
As Academias de Sião — Machado de Assis
Memorial de Aires — Machado de Assis
Romeu e Julieta — William Shakespeare
A Comédia dos Erros — William Shakespeare
A Megera Domada — William Shakespeare
Macbeth — William Shakespeare
Hamlet — William Shakespeare
Otelo, O Mouro de Veneza — William Shakespeare
O Mercador de Veneza — William Shakespeare
Antônio e Cleópatra — William Shakespeare
Ricardo III — William Shakespeare
Os Lusíadas — Luís Vaz de Camões
Redondilhas — Luís Vaz de Camões
Canções e Elegias — Luís Vaz de Camões
A Carta — Pero Vaz de Caminha
Fausto — Johann Wolfgang von Goethe
Lira dos Vinte Anos — Álvares de Azevedo
Noite na Taverna — Álvares de Azevedo
Obras Seletas — Rui Barbosa
Odisseia — Homero
Iliada — Homero
História da Literatura Brasileira — José Veríssimo Dias de Matos
Utopia — Thomas Morus
A Carne — Júlio Ribeiro
Édipo—Rei — Sófocles
Memórias de um Sargento de Milícias — Manuel Antônio de Almeida
A Dama das Camélias — Alexandre Dumas Filho
A Dança dos Ossos — Bernardo Guimarães
A Escrava Isaura — Bernardo Guimarães
A Orgia dos Duendes — Bernardo Guimarães
Seleção de Obras Poéticas — Gregório de Matos
Contos de Lima Barreto — Lima Barreto
Diário Íntimo — Lima Barreto
O Livro de Cesário Verde — José Joaquim Cesário Verde
Brás, Bexiga e Barra Funda — Alcântara Machado
Schopenhauer — Thomas Mann
A Capital Federal — Artur Azevedo
Antigonas — Sofócles
A Poesia Interminável —  Cruz e Sousa
Antologia — Antero de Quental
A Conquista — Coelho Neto
As Primaveras — Casimiro de Abreu
Carolina — Casimiro de Abreu
A Desobediência Civil — Henry David Thoreau

Sobre a suspensão de dois blogues com livros para Donwnload

Os blogues Letras USP e Livros de Humanas eram duas das ferramentas de assistência estudantil mais importante na atualidade. Organizado por estudantes da USP ambos era o ponto de encontro de milhares de estudantes que buscavam desesperadamente de livros e capítulos de livros para realizar seus estudos, se prepararem para provas e produzirem trabalhos acadêmicos.

Com as bibliotecas sem livros para atender a demanda, com os livros esgotados ou caros demais para serem comprados, esses blogues eram como um salva-vidas para muitos estudantes.

Resultados de uma iniciativa de auto-organização de estudantes que sentiam a necessidade de fazer algo para resolver um problema real e concreto para atender uma necessidade que as instituições de ensino superior  não dão conta.

O sistema WordPress derrubou ambas bibliotecas por conta de uma solicitação movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR).

É um equívoco brutal. Corta-se o acesso à cultura e aos livros e não há nada no lugar.  Fica evidente que é o lucro que interessa e não o direito ao conhecimento e a cultura para todo estudante universitário se formar de modo adequado.

Se a ABDR existisse no mundo antigo, atacaria sem piedade a Biblioteca de Alexandria no Egito helênico? A ABDR mandaria apedrejar todos os escribas-copistas dos manuscritos lá guardados? Ou optaria em queimar a própria biblioteca?

É uma política obscurantista, retrógrada e reacionária.  Longe de buscar uma solução para o problema, o que buscam  busca-se destruir o acesso ao conhecimento. Inclusive conhecimento que estava lá cujo conteúdo ou estava em domínio público ou seus autores não estavam dispostos a reclamar pela ampla divulgação do conteúdo.

Esse é o medo das transformações tecnológicas na leitura do livro. Os leitores digitais vão fazer com a indústria editorial o que o iPod e o MP3 Player fez com as grandes gravadoras.

Para enfrentar isso, o mercado editorial precisa tocar na questão chave do problema: o preço do livro! Com a chegada dos leitores eletrônicos só a redução do preço do livro pode evitar a generalização da pirataria. E o preço do livro deveria ser um pouco menor que o valor de SMS para que ninguém fique em dúvida que é mais barato comprá-lo do que gastar tempo em encontrar uma cópia pirata.

É essa a questão chave para o mercado editorial e para a democratização do acesso a cultura produzida na forma de livros.

Dessa forma, se continuar desse jeito, porque a sociedade não vai questionar a justa e ampla isenção fiscal e tributária que a cadeia do livro possui?

Afinal, se a sociedade isenta a cadeia produtiva de livros é para facilitar o acesso aos livros e não para dar lucro aos seus proprietários das editoras.

Quando os livros deixam de ser vendidos (por estarem esgotadas ou pela falência da editora por exemplo) a sociedade não pode pagar com isso com o desaparecimento do livro ou a limitação do seu acesso as bibliotecas físicas num onde as tecnologias pode ajudar a multiplicar os leitores e o acesso ao conhecimento.

É um debate duro. Intenso. E sem dúvidas necessário.

Leia a entrevista com o criador do Blogue Livros de Humanas feito para o Blogue Prosa do O Globo.

Suspensão de blog com livros piratas cria discussão na web

Uma mensagem de violação dos termos de uso anunciou semana passada aos milhares de visitantes diários do blog Livros de Humanas a suspensão da página, que era hospedada pelo WordPress. Criado em 2009 por um aluno da USP, o blog formou em pouco mais de dois anos uma biblioteca maior do que a de muitas faculdades brasileiras. Até sair do ar, reunia 2.496 títulos, entre livros e artigos, de filosofia, antropologia, teoria literária, ciências sociais, história etc. Um acervo amplo, de qualidade, que podia ser baixado imediatamente e de graça.

Muitas pessoas, é claro, adoravam a página. Entre elas, no entanto, não estavam os editores dos livros reunidos ali. A biblioteca do Livros de Humanas era toda formada sem qualquer autorização.

– É óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente – diz o criador da página, que mantém anonimato, numa entrevista por e-mail. – Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país.

O mesmo argumento foi defendido nos últimos dias no Twitter por intelectuais como o crítico literário Idelber Avelar, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, a escritora Verônica Stigger e o poeta Eduardo Sterzi. Do outro lado da discussão, críticas à pirataria. A Editora Sulina, que vinha pedindo a remoção da página, falou em “apropriação indevida” e o escritor Juremir Machado escreveu: “Quem chama pirataria de universalização da cultura é babaca q ñ vende livro, mas quer q alguém pague a conta. Livro tem de ser barato e pago”.

O caso chama atenção para a ampliação da circulação de arquivos digitais de livros na internet, uma prática que dá novo sentido e escala à discussão sobre a circulação de cópias xerocadas no meio acadêmico.

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As origens da biomedicina, o racismo e ausência de ética na ciência

Henrietta Lacks

Livro resgata mulher que transformou a biomedicina

Obra é passeio assustador por ética em pesquisas e estigmas raciais dos EUA

Família não sabia de experimentos com células de paciente, relata “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA

Por anos, a americana Deborah Lacks teve pesadelos com os experimentos macabros que cientistas do mundo todo andavam fazendo com sua pobre mãe, Henrietta.

A mãe de Deborah tinha sido inoculada com o vírus da poliomielite, clonada milhões de vezes, submetida a explosões atômicas e à microgravidade do espaço sideral. Tudo isso depois de morrer de câncer e ressuscitar, tornando-se imortal.

É claro que há um mal-entendido trágico nessa história. Henrietta Lacks morreu em 4 de outubro de 1951. Mas o câncer de colo de útero que a matou deu origem, em laboratório, às células HeLa, a mais importante linhagem “imortal” de células humanas, que viraram ferramentas indispensáveis para a biomedicina. Essa revolução tecnológica aconteceu sem o conhecimento ou o consentimento da morta ou de sua família, conta a bióloga e escritora Rebecca Skloot em “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”, que acaba de chegar ao país.

NÓDOA

A obra é um passeio esclarecedor -e assustador- pelo nascimento da biotecnologia e da (falta de) ética em pesquisa com seres humanos. E também pelas mazelas raciais do sul dos EUA: os Lackses eram negros da zona rural da Virgínia, nascidos e criados numa cabana de escravos, plantando tabaco.

“Aparentemente os cientistas nunca se deram ao trabalho de explicar o que foi feito das células de Henrietta porque achavam que os Lackses seriam incapazes de entender aquilo”, disse Skloot à Folha.

“Isso foi antes do movimento dos direitos civis, no atendimento a negros pobres numa ala de indigentes do hospital [da Universidade Johns Hopkins], então a transparência nem era uma consideração para os médicos”, lembra a autora.
“Aliás, mesmo pacientes brancos tinham seus tecidos retirados e usados para pesquisa sem consentimento.” A coisa piorou décadas depois, quando o marido e os filhos de Lacks foram procurados para estudos genéticos, dada a importância crescente das células HeLa.

“Para pessoas como eles e para o público em geral, a diferença entre clonar uma pessoa e clonar apenas suas células fica completamente borrada”, diz Skloot. “Mas, no fim das contas, eles conseguiram entender a importância das células, e o fato de que a mãe deles não sofria com os experimentos.”

A VIDA IMORTAL DE HENRIETTA LACKS


AUTOR Rebecca Skloot

EDITORA Companhia das Letras

TRADUÇÃO Ivo Korytowski

QUANTO R$ 42 (464 págs.)

AVALIAÇÃO ótimo

Fonte:  Folha de S. Paulo, 26/3/2011