Madame Satã – O Importante é Ser Eu e Não o Outro

Um dos lugares mais legais de São Paulo, num documentário resgatando sua história e sua importância.

Em vinte e um de outubro de 1983, na Rua Conselheiro Ramalho, 873, nasceu o Restaurante Cultural Madame Satã. Uma revolução na noite paulistana. A partir do sonho de dois irmãos – um deles ex-seminarista – e de duas irmãs, que participavam de teatro mambembe nas periferias da cidade, a casa começou a surgir. Continuar lendo

“Nossa, Nossa”… “O pop não poupa ninguém”

Os fenômenos culturais são algo interessante. Como explicar como encaramos as músicas que fazem sucesso?

Lembrei-me das críticas ao sucesso da Banda Mais Bonita da Cidade quando Oração virou o hit mais tocado do momento. Um música em que cabia até uma penteadeira.

O mesmo se dá com o Michel Teló.

Eu não conhecia a música “Ai se te pego” do Michel Teló.

Escutei pela primeira vez, em francês, no Trabalho Sujo de meu xará Alexandre Matias, nessa versão aqui:

 

Por acaso, eu tinha comprado a Revista Época que dava a capa ao cantor. Mas não lí a matéria. O assunto não me interessava. Queria ler a entrevista com o Umberto Eco assumindo que estava lendo livros eletrônicos.

Mas as redes sociais, a temperatura aumentava. Como uma febre. Versões e mais versões pipocam. Entre meus amigos roqueiros, a palavra “lixo” era a qualificação mais usada.

Mas com um pouco de conversa percebemos que se trata de um raiva inicial. Na verdade, uma certa generalização, sem sentido e sem conteúdo daquilo que a jornalista Bia Abramo definiu como “bom-gostismo”.

Não se trata de uma boa música.

É uma música cientificamente construída para dar certo. É uma canção da velha industria cultural, adaptando-se as novas formas de gerar receita para para o mercado fonográfico ainda buscando fontes de receitas pós-internet.

Mas há três críticas de jornalistas culturais que merecem ser lidas. A primeira é “Michel Teló exporta a sanfona de Luiz Gonzaga para o mundo” do Pedro Alexandre Sanches , de onde tirei o título para essa nota. Depois o artigo “Sertanejos universais” de Luís Antônio Giron, a partir das críticas que a revista Época recebeu sobre a capa que deu ao músico. Por fim, “Porque eu amo Michel Teló” de Alex Antunes no seu blog o dedo do meio é a mensagem.

Para quem não gosta de Michel Teló, vale a pena ler. Para quem gosta também vale a pena ler. Agora, para quem é fã de boa crítica, é obrigatória a leitura.

Veja, se trata de um fenônemo no mínimo curioso. Até soldados do exército de Israel, pegos dançando. Esses são espertos, pois dançar é melhor que oprimir palestinos:

E o mais interessante é que as piadas e versões não vão parar. Ou seja, vamos dar muitas risadas ainda.

A que mais gostei foi a Dart Vader:

“Música é amor, é ato político” – Criolo

Acabei de ver o vídeo. Dica da Bia Abramo.  Muito bom.

O nome da música é “Lion Man”. O vídeo é tão bom, que parece coisa gringa. Équipe de filmagem ducaralho. Turma do audio porreta.

Você até pode não gostar de Criolo ou de Rap. Mas é preciso reconhecer a qualidade. Assista sem preconceito sonoro.

Cultura: O funk e a juventude pobre carioca – Bia Abramo

Hoje conversando com minha amiga Carol Pinho, professor no Gama, cidade-satélite do Distrito Federal, ela me contou que ao propor um projeto de dança na Escola onde trabalha, no debate pedagógico, levantaram a necessidade de proibir o Funk como parte da dança. É um típico absurdo. Não faz sentido proibir algo que é curtido pela juventude. Na música e na arte não existe proibido. É a liberdade de opinião e expressão que deve imperar. Recomendo muito a leitura do artigo da jornalista Bia Abramo, um exelente texto sobre a questão.

Cultura: O funk e a juventude pobre carioca


O funk, assim como a axé-music, o rap e a chamada música sertaneja, sofre os efeitos de uma espécie perversa de exclusão estético-ideológica do que se chama de MPB

por Bia Abramo*

É sempre assim: quando alguma manifestação cultural criada pela juventude pobre rompe as barreiras sociogeográficas e passa a aparecer com destaque em meios de comunicação, a primeira reação é de alarme, choque e desconfiança. Assim aconteceu com o punk paulistano no final da década de 70, assim também foi recebido o rap da periferia de São Paulo ali pelo meio da década de 80 e não é de se espantar que tenha voltado a ocorrer no final de 2000 com o funk carioca. Seus músicos e compositores vêm dos morros e favelas do Rio de Janeiro, seu público – que nas letras é caracterizado como composto por popozudas, tigrões, tchutchucas – é original também. Enquanto as músicas com batida monocórdica e refrões repetitivos (“tá dominado/tá tudo dominado”) saíam de quase todas as rádios, TVs e barraquinhas de CDs piratas espalhadas pelas cidades brasileiras, uma onda de horror moralista seguiu-se à invasão do funk.

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Carcará – João do Vale e Chico Buarque

Duas versões da mesma canção. Cada uma delas com um dado de cada época da montagem.

Me lembrei desta canção essa semana, durante a aula, explicando um gráfico sobre a migração da população do campo para a cidade.  Foi uma feliz lembrança, pois me lembrei da minha amiga Ana Maria Cardoso que foi companheira de João do Vale.

Os dois vídeos são trechos da peça “Opinião” de Augusto Boal.

Trecho do documentário: “João do Vale – Muita Gente Desconhece”, resultado de mais de 10 anos de pesquisa feita pelo diretor Werinton Kermes:

Versão de 1982 da peça/show “Opinião”:

Carcará

Composição – João do Vale / José Cândido

Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará