ENEM: Notas de corte do Sisu vão baixar em 2012 – Mateus Prado

Provas mais fáceis e maior número de vagas vão facilitar a conquista por lugar em universidade pública com nota do Enem

Notas de corte menores que as deste ano, principalmente nos cursos mais concorridos, é o que podemos esperar para quando o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) fizer sua primeira chamada em janeiro de 2012. Os dois principais motivos são a diminuição da notas dos alunos que acertaram, em cada prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), bem mais que a média dos acertos dos concluintes do ensino médio e o aumento de 30% no número de vagas distribuídas pelo Sisu no primeiro semestre.

Com a prova mais fácil em 2011, os candidatos acertaram mais questões do que se tivessem feito as provas dos dois anos anteriores. Como o Enem faz primeiro um cálculo absoluto dos acertos dos candidatos, com pesos levemente diferentes para as questões, e depois faz, com essa nota absoluta, um cálculo de desvio padrão de cada um, com uma média de acertos maior sobrou menos espaço entre a média de acertos de cada candidato e quem acertou acima dessa média.

A nota que cada um consultou na internet e depois vai receber em casa, na verdade, não é nota, e sim um número que significa o desvio ou a distância que o aluno teve em relação a um aluno com nota média. Por isso, acertar o mesmo número de questões em provas diferentes não significa ter o mesmo resultado. Em Matemática, por exemplo, prova em que os alunos acertam, em média, menos questões, era preciso bem menos acertos que em Linguagens ou em Humanas para ter um resultado bem superior.

Esse desvio, ou essa distância, ficou menor. Quem acertou todas as 45 questões, de cada prova, teria uma nota média, descontada a redação, de 902,7 em 2009 e de 887,8 em 2010. Em 2011 essa média das notas máximas caiu para 852,2. A conta é complicada, mas uma prova mais fácil no Enem resulta em nota mais baixa, comparativamente, para alunos melhor preparados. É por isso que a maioria das pessoas que fizeram a prova deste ano e do ano passado acertou mais questões agora e mesmo assim teve nota menor que em 2010.

Soma-se a isso que, neste ano, são oferecidas mais de 108 mil vagas no Sisu do primeiro semestre. São 25 mil vagas a mais que as oferecidas no ano passado. Se elas não estivessem disponíveis no Sisu, a maioria das pessoas que as ocupariam por vestibular também disputaria alguma vaga no sistema. O resultado é que o aumento de vagas aumenta o número de pessoas interessadas em prestar o Enem, mas não na mesma proporção que aumenta o número de vagas. Com isso, os concorrentes se dispersam, diminuindo a nota necessária para os alunos entrarem em uma universidade pública pelo Sisu, em quase todos os cursos.

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Artigo publicado no Portal IG Educação.

Saiu as notas do ENEM! Vá verificar a sua!

Acabou de ser divulgado pelo MEC que as notas individuais do ENEM já podem ser consultadas.

Segundo o portal IG:

O Ministério da Educação (MEC) antecipou a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), previstos inicialmente para o início de janeiro. Os candidatos que participaram das provas aplicadas em outubro podem consultar sua pontuação a partir desta quarta-feira.

Confira o resultado do Enem no site do Inep

A nota pode ser usada para ingresso em 95 instituições públicas pelo Sistema de Seleção Unificado(Sisu) que está aberto a partir da próxima segunda-feira, 26.

Para acessar os resultados, o estudante precisa informar seu CPF e a senha cadastrada durante o período de inscrição. Caso o participante tenha perdido a senha é possível recuperá-la no sistema. O boletim apresenta o desempenho do candidato nas quatro provas objetivas (linguagens, matemática, ciências humanas e da natureza), além da nota de redação.

A metodologia utilizada na correção do Enem é a Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo estatístico que permite que diferentes edições da prova sejam comparáveis. Para o cálculo da nota, leva-se em conta não apenas o número de acertos do candidato, como nos vestibulares tradicionais, mas o nível de dificuldade de cada item. Uma questão que teve baixo índice de acertos é considerada “difícil” e, portanto, tem mais peso na pontuação final. Aquelas que têm alto índice de acertos são classificadas como “fáceis” e contam menos pontos na nota final. Dessa forma, dois participantes que acertaram o mesmo número de itens podem ter médias finais diferentes.

Na TRI não existe uma pontuação máxima e mínima que o candidato pode atingir – com exceção da redação, que não é corrigida por esse modelo e cuja nota varia de 0 a 1000. A partir do desempenho dos participantes, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) constrói uma escala de notas máximas e mínimas que permite ao aluno comparar seu desempenho com o dos demais estudantes. A escala será divulgada posteriormente pelo Inep.

Fonte: Último Segundo