Soldados da ONU ofereceram comida em troca de sexo na Costa do Marfim

Essa matéria é uma boa descrição do papel da ONU e de suas missões de “paz”.

Essas missões não tem nada nenhuma relação com a paz e com a humanidade.

 

Wikileaks: soldados da ONU ofereceram comida em troca de sexo na Costa do Marfim

Oito em cada 10 meninas da cidade de Toulepleu, na Costa do Marfim, entrevistadas por funcionários da ONU (Organização das Nações Unidas), revelaram ter feito sexo em troca de comida com soldados do Benin ligados à missão de paz no país. A preocupante revelação aparece em um despacho de janeiro de 2010 divulgado pelo Wikileaks

Toulepelu é palco de conflitos étnicos há mais de dez anos. Segundo dados da Cruz Vermelha, a população na cidade teria diminuído de cerca de 40 mil habitantes para três mil após o início dos conflitos.

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Haiti, país ocupado – Eduardo Galeano

Batalha em San Domingo, pintado por January Suchodolski representando uma luta entre as tropas polonesas ao serviço francês e os rebeldes do Haiti -- Importante registrar que os oficiais republicanos poloneses mudaram de lado e passaram a ajudar os revolucionários haitianos na luta pela liberdade.

Eduardo Galeano
Escritor e jornalista uruguaio

28 de setembro de 2011

Consulte qualquer enciclopédia. Pergunte qual foi o primeiro país livre na América. Receberá sempre a mesma resposta: os Estados Unidos. Porém, os Estados Unidos declararam sua independência quando eram uma nação com seiscentos e cinquenta mil escravos, que continuaram escravos durante um século, e em sua primeira Constituição estabeleceram que um negro equivalia a três quintas partes de uma pessoa.

E se procuramos em qualquer enciclopédia qual foi o primeiro país que aboliu a escravidão, receberá sempre a mesma resposta: a Inglaterra. Porém, o primeiro paios que aboliu a escravidão não foi a Inglaterra, mas o Haiti, que ainda continua expiando o pecado de sua dignidade.

Os negros escravos do Haiti haviam derrotado o glorioso exército de Napoleão Bonaparte e a Europa nunca perdoou essa humilhação. O Haiti pagou para a França, durante um século e meio, uma indenização gigantesca por ser culpado por sua liberdade; porém, nem isso alcançou. Aquela insolência negra continua doendo aos amos brancos do mundo.

Sabemos muito pouco ou quase nada sobre tudo isso.

O Haiti é um país invisível.

Somente ganhou fama quando o terremoto de 2010 matou a mais de duzentos mil haitianos.

A tragédia fez com que o país ocupasse, fugazmente, as primeiras páginas nos meios de comunicação.

O Haiti não é conhecido pelo talento de seus artistas, magos do ferro-velho capazes de converter o lixo em formosura; nem por suas façanhas históricas na guerra contra a escravidão e a opressão colonial.

Vale à pena repetir uma vez mais para que os surdos escutem: O Haiti foi o país fundador da independência da América e o primeiro a derrotar a escravidão no mundo.

Merece muito mais do que a notoriedade nascida de suas desgraças.

Atualmente, os exércitos de vários países, incluindo o meu [Uruguai], continuam ocupando o Haiti. Como se justifica essa invasão militar? Alegando que o Haiti coloca em perigo a segurança internacional.

Nada de novo.

Ao longo do século XIX, o exemplo do Haiti constituiu uma ameaça paras a segurança dos países que continuavam praticando a escravidão. Thomas Jefferson já havia dito: do Haiti provinha a peste da rebelião. Na Carolina do Sul [EUA], por exemplo, a lei permitia encarcerar qualquer marinheiro negro, enquanto seu barco estivesse no porto, devido ao risco de que pudesse contagiar com a peste antiescravagista. E no Brasil, esse peste se chamava ‘haitianismo’.

No século XX, o Haiti foi invadido pelos ‘marines’, por ser um país inseguro para seus credores estrangeiros. Os invasores começaram a apoderar-se das alfândegas e entregaram o Banco Nacional ao City Bank de Nova York. E, já que estavam lá, ficaram por dezenove anos.

O cruzamento da fronteira entre a República Dominicana e o Haiti se chama El Mal Paso.

Talvez esse nome é um sinal de alarme: você está entrando no mundo negro, da magia negra, da bruxaria…

O vodu, a religião que os escravos trouxeram da África e que se nacionalizou no Haiti, não merece ser chamada de religião. Desde o ponto de vista dos proprietários da Civilização, onde não faltam fieis capazes de vender unhas de santos e penas do arcanjo Gabriel, conseguiu que essa superstição fosse oficialmente proibida em 1845, 1860, 1896, 1915 e 1942, sem que o povo prestasse atenção nisso.

Porém, desde alguns anos, as seitas evangélicas se encarregam da guerra contra a superstição no Haiti. Essas seitas vêm dos Estados Unidos, um país que não tem o Andar no. 13 em seus edifícios, nem a fila 13 em seus aviões, habitado por civilizados cristãos que creem que Deus criou o mundo em uma semana.

Nesse país, o predicador evangélico Pat Robertson explicou na televisão o terremoto de 2010. Esse pastor de almas revelou que os negros haitianos haviam conquistado a independência da França a partir de uma cerimônia vodu, invocando a ajuda do Diabo desde as profundezas da selva haitiana. O Diabo, que lhes deu a liberdade, enviou o terremoto como cobrança.

Até quando os soldados estrangeiros continuarão no Haiti? Eles chegaram para estabilizar e ajudar; porém, já se passaram sete anos e lá estão, desestabilizando esse país que não os aceita.

A ocupação militar do Haiti está custando às Nações Unidas mais de oitocentos milhões de dólares ao ano.

Se as Nações Unidas destinassem esses fundos à cooperação técnica e à solidariedade social, o Haiti poderia receber um bom impulso ao desenvolvimento de sua energia criadora. E, assim, se salvaria de seus salvadores armados, que têm certa tendência a violar, matar e contagiar com enfermidades fatais.

O Haiti não necessita que ninguém venha a multiplicar suas calamidades. Tampouco necessita a caridade de ninguém. Como bem diz um antigo provérbio africano, a mão que dá está sempre por cima da mão que recebe.

Porém, o Haiti, sim, necessita de solidariedade, de médicos, de escolas, de hospitais e de uma colaboração verdadeira que torne possível o renascimento de sua soberania alimentar, assassinada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Mundial (BM) e por outras sociedades filantrópicas.

Para nós, latino-americanos, essa solidariedade é um dever de gratidão: será a melhor maneira de dizer obrigado a essa pequena grande nação que, em 1804, nos abriu as portas da liberdade, com seu exemplo contagioso.

(Esse artigo é dedicado a Guillermo Chifflet, que foi obrigado a renunciar à Câmara de Deputados do Uruguai, quando votou contra o envio de soldados ao Haiti).

[Texto lido ontem pelo escritor uruguaio na Biblioteca Nacional, no marco da mesa-debate “Haití y la respuesta latinoamericana”, na qual participou juntamente com Camille Chalmers e Jorge Coscia].

Tradução: ADITAL

Líbia: ONU quer proteger os cívis? Com “bombardeios humanitários”?


Bombardeio do aeroporto de Trípoli, capital da Líbia,
por forças da OTAN autorizadas pela ONU

A hipocrisia é reinante quando falamos em guerra. A questão Líbia é sem dúvida um tema que vai aparecer nos vestibulares e no ENEM, pois diz respeito a dyas questões chaves do mundo atual: petróleo e guerra.

Quando assisto a Televisão fico indignado com a manipulação.  A visão parcial faz com que ninguém veja que dos dois lados existem seres humanos. Homens, mulheres e idosos e crianças sãos as vítimas. Não é o ditador Khadafi ou os comandantes da ONU/OTAN quem estão sofrendo.

A ideia de “intervenção humanitária” é nada mais nada menos do que a fachada para invasão e roubo do povo líbio. Querem roubar suas riquezas naturais: seu gás e petróleo.

Essa guerra também é para movimentar a indústria bélica. Cada míssil disparado pela marinha dos EUA custava mais de um milhão de dólares. Milhões para indústria da guerra. Fome e morte para o povo líbio. É isso que significa a “guerra humanitária”.

Bispo de Trípoli diz que 40 morreram por bombas da coalizão

O bispo apostólico da Igreja Católica na Líbia, Giovanni Innocenzo Martinelli, afirmou nesta quinta-feira que ao menos 40 pessoas morreram nos bombardeios da coalizão internacional sobre Trípoli, capital do país africano.

“Os chamados “bombardeios humanitários” causaram dezenas de vítimas entre civis em alguns bairros de Trípoli”, disse Martinelli à agência de notícias vaticana Fides.

Ele afirma que um dos ataques das forças internacionais, que têm como alvo oficial as Forças Aéreas do ditador Muammar Khadafi, atingiram um edifício residencial. O bombardeio teria causado a morte de 40 pessoas, diz o bispo.

O bispo afirmou ainda que vários hospitais de Trípoli foram atingidos por bombas, um deles no bairro de Misda, no sul da capital.

O governo líbio acusa, desde o início da operação internacional, as forças da coalizão de matarem dezenas de civis em seus bombardeios. Funcionários do governo chegaram a levar repórteres internacionais para os locais atacados e para hospitais e necrotérios, mas a evidência de morte de civis é inconclusiva diante da censura imposta por Trípoli à imprensa e possível manipulação.

Os países ocidentais dizem não ter evidência confirmada de morte de civis por seus ataques aéreos, aplicados sob resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para impor uma zona de restrição aérea no país e proteger os civis das forças de Khadafi.

“Embora se saiba que os bombardeios buscam atacar somente alvos militares, é certo também que quando eles atingem alvos militares que estão no meio de bairros civis, a população também é envolvida”, declarou o bispo.
“Eu coletei relatos de várias testemunhas confiáveis”, disse Martinelli à Fides.

Segundo ele, a situação em Trípoli torna-se cada dia mais difícil. “A escassez de combustível se agravou, como demonstram as filas intermináveis de carros nos postos de gasolina. No plano militar, parece que há um impasse, já que, aparentemente, os rebeldes não têm força suficiente para avançar”.

Ele insistiu ainda em uma solução diplomática “para pôr fim ao derramamento de sangue entre os líbios”, além de oferecer a Khadafi “uma saída digna” do poder.

Fonte: Jornal de Floripa