O petróleo brasileiro, o pré-sal e o vestibular

A questão da energia e do petróleo deve ser um dos temas de atualidades mais relevantes para o ENEM 2011.

A crise nuclear no Japão e a guerra declarada pela OTAN e pela ONU à Líbia, cujo questão principal é o controle das reservas petrolíferas líbias vão forçar essa discussão.

No Brasil o debate do Petróleo vem de longe. Desde Monteiro  Lobato, passando pela campanha da UNE nos anos 50 do “Petróleo é Nosso” até as descobertas das reservas petrolíferas na camada do pré-sal no litoral brasileiro colocam para a nação discutir com quem deve ficar essa riqueza e o que deve ser feito dela.

A vinda do Obama ao Brasil é um sinal de que os estadunidenses estão de olho no petróleo brasileiro. Inclusive colocaram no Atlântico Sul a 4ª frota da marinha americana, com o mais moderno porta-aviões dos EUA para vigiar as águas onde estão o petróleo do pré-sal e também a região onde está a Venezuela (maior reserva de petróleo da América do Sul).

A riqueza do petróleo brasileiro é algo que precisa ser discutido. Ela deve ser nossa.  Deve ser colocada para antender as necessidades da nação brasileira, do povo brasileiro.  Por isso é justa a posição dos trabalhadores petroleiros de exigirem uma “Todo o petróleo para uma Petrobrás 100% estatal”.

O pré-sal e o tsunami na geopolítica do petróleo

por João Antônio de Moraes, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros — FUP.

Uma nova ordem mundial começa a alterar a geopolítica do petróleo e, mais do que nunca, precisamos entender este processo e tratar o pré-sal como uma riqueza extremamente estratégica. O acidente nuclear no Japão, as mudanças políticas no Norte da África e no Oriente Médio e a visita de Barack Obama ao Brasil são fatos correlatos que colocam em alerta os movimentos sociais na defesa da nossa soberania energética.

O tsunami japonês varreu, pelo menos temporariamente, os planos de expansão nuclear de dezenas de países que apostam nesta fonte de energia como principal alternativa para reduzir a dependência de hidrocarbonetos (óleo e gás natural). A tendência é que estes recursos se tornem cada vez mais estratégicos para saciar a fome de energia do planeta. Hoje os combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás) são responsáveis por mais de 80% da matriz energética global. As estimativas da Agência Internacional de Energia são de que o consumo de petróleo continue aumentando em termos absolutos, ultrapassando nos próximos dez anos a marca de 100 milhões de barris por dia.

Em função disso, já estamos assistindo à corrida das principais nações em busca de novas fronteiras produtoras de petróleo e gás para garantir suas necessidades de abastecimento. Não por acaso, o Brasil foi o primeiro pouso de Barack Obama na América Latina. Por trás de sua “cordial” visita, estão intenções nada amistosas. Os Estados Unidos são o maior consumidor de petróleo do planeta (utilizam 25% da produção global) e também o mais vulnerável em meio à onda de revoltas que assola o Norte da África e o Oriente Médio, principal fonte abastecedora do país.

Em troca de petróleo, o império norte-americano tem apoiado e sustentado ditaduras e governos autoritários nestas regiões, intervindo militarmente sempre que seus interesses são ameaçados. É o que está acontecendo agora na Líbia, da mesma forma como aconteceu no Irã, no Iraque e no Afeganistão. Mas as movimentações de peças no tabuleiro de xadrez do mundo árabe levam os analistas políticos a acreditarem que uma nova coalizão de forças colocará em xeque a posição confortável que os Estados Unidos usufruíam no Oriente Médio até então.

Para que Washington diminua sua dependência da região, o Brasil é a bola da vez. Com o pré-sal, nosso país será uma das maiores reservas de petróleo do planeta e é de olho nesta riqueza que os Estados Unidos vêm tentando fechar acordos e parcerias com o governo brasileiro e a Petrobrás. A FUP e os movimentos sociais são contrários à tese de que o pré-sal deve fazer do Brasil um grande exportador de petróleo. Queremos que este estratégico recurso seja explorado de forma sustentável para desenvolver toda a sua cadeia produtiva. Desde a construção de navios e plataformas até a indústria petroquímica e plástica.

É desta forma que o país irá gerar emprego e renda e não exportando petróleo cru para abastecer países ricos, como os Estados Unidos, que durante décadas exploram e usufruem de recursos energéticos alheios para sustentar seus absurdos níveis de consumo. O pré-sal, como disse a presidenta Dilma, é o passaporte para que as gerações futuras tenham um país desenvolvido, com oportunidades para todos. Mas isso só será possível investindo na cadeia produtiva do petróleo aqui no Brasil, fomentando a indústria nacional, gerando emprego e renda para milhões de brasileiros.

Fonte: http://www.fup.org.br/