Sobre as bases genéticas da orientação sexual

A entrevista do pastor Silas Malafaia para a apresentadora e jornalista Marília Gabriela serviu para trazer a tona o debate sobre a ciência e a orientação sexual.

O Manifesto da Sociedade Brasileira de Genética (SBG) é muito interessante por isso. Ao se apoiar na justa resposta do biólogo Eli Vieira, a SBG faz um verdadeiro serviço a a luta contra a homofobia, crime que deve ser repudiado de modo veemente.

Abaixo reproduzo o manifesto e na sequência também publico o vídeo do biólogo Eli Vieira.

Ler e assistir esses argumentos sem dúvida vão auxiliar você leitor refletir e combater esse mal que é o preconceito homofóbico.

Parabéns aos dirigentes da Sociedade Brasileira de Genética. Parabéns ao Eli Vieira.

Manifesto da Sociedade Brasileira de Genética sobre bases genéticas da orientação sexual

A Sociedade Brasileira de Genética endossa as informações fornecidas pelo biólogo Eli Vieira em resposta ao pastor e psicólogo Silas Malafaia acerca das bases genéticas da orientação sexual.

A orientação sexual humana é uma característica multifatorial, influenciada tanto pelos genes como também pelo ambiente. Há fortes evidências de que o substrato neurobiológico para a orientação sexual já está presente nos primeiros anos de vida. Não há evidência de nenhuma variável ambiental controlável capaz de modificar de maneira permanente a orientação sexual de um indivíduo. Assim, essa faceta do comportamento humano é resultado de uma interação complexa entre genes e ambiente, em que nenhum dos dois tem efeito determinante por si só. Alegar que a genética nada tem a contribuir na compreensão da origem deste comportamento é ignorar meio século de avanços na nossa área.

Entendemos, também, que os fatos acerca dessa questão são desvinculados do debate ético sobre os direitos das pessoas que manifestam orientações sexuais e identidades de gênero.

No entanto, neste momento histórico em que o físico Stephen Hawking faz campanha para que o governo britânico se retrate pelos males que causou a Alan Turing, homossexual e pai do computador, expressamos que nós, como cientistas, desejamos um mundo mais igualitário, em que as pessoas não sejam julgadas pela sua orientação sexual ou identidade de gênero, mas apenas pela firmeza de seu caráter. Um mundo assim é um mundo mais receptivo ao pensamento científico, que se constrói de forma humilde e tentativa, em vez de dogmática e impositiva.

7 de março de 2013

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Veja também o vídeo do biólogo Eli Vieira:

Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica

Martinho Lutero pregando as 95 teses na porta da igreja

Na quinta-feira, 27 de outubro, na turma de Diadema lecionei sobre a Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica.

Esse é um tema importante e costuma cair na Fuvest e nos vestibulares da Fatec. Além de já ter aparecido em provas do ENEM anteriores. Sobre isso recomendo a leitura de dois textos:

Basta clicar aqui para ler as 95 teses de Martinho Lutero afixadas na Igreja de Wittemberg em tradução bilíngue de Alexander Martins Vianna para a revista Espaço Acadêmico. Esse documento é a base da reforma protestante. Recomendo também ler o verbete da wikipédia as 95 Teses, sobre Lutero, Calvino e a Reforma Protestante.

Hereges sendo queimados pela Inquisição, parte da Contrarreforma Católica

Sobre a Contrarreforma Católica recomendo a leitura dos trechos do livro Directorium inquisitorum, também chamado de Manual do Inquisidor clicando aqui. Escrito pelo padre dominicano Nicolas Eymerich é um livro fundamental para entender o pensamento da Contrarreforma.

Para saber mais sobre o tema recomendo lerem o verbete sobre o Index Librorum Prohibitorum que chegou a proibir aos católicos a leitura das obras de “cientistas, filósofos, enciclopedistas ou pensadores como Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Giordano Bruno, Nicolau Maquiavel, Erasmo de Roterdão, Baruch de Espinosa, John Locke, Berkeley, Denis Diderot, Blaise Pascal, Thomas Hobbes, René Descartes, Rousseau, Montesquieu, David Hume ou Immanuel Kant tenham pertencido a esta lista, sendo algumas dessas tendo sido removidas mais tarde. Alguns famosos romancistas ou poetas incluidos na lista são: Laurence Sterne, Heinrich Heine, John Milton, Alexandre Dumas (pai e filho), Voltaire, Jonathan Swift, Daniel Defoe, Vitor Hugo, Emile Zola, Stendhal, Gustave Flaubert, Anatole France, Honoré de Balzac, Jean-Paul Sartre, Níkos Kazantzákis, e o sexologista holandês Theodoor Hendrik van de Velde, autor do manual sexual “The Perfect Marriage”.

Religião e obesidade – um estudo no mínimo engraçado

Estudo sugere que pessoas que vão à igreja com frequência têm mais chance de se tornarem obesas.

O jornalista Cássio Leite Vieira comenta os resultados numa matéria publicada na revista Ciência Hoje.

A reportagem que trata deste estudo afirma:

(…) Esse foi o caso de Matthew Feinstein, estudante do quarto ano da Escola de Medicina da Universidade Northwestern (Estados Unidos), que acaba de apresentar um trabalho no qual mostra que pessoas que vão à igreja pelo menos uma vez por semana têm 50% a mais de chance de se tornarem (ou se manterem) obesas na meia idade – no caso, índice de massa corporal igual ou acima de 30.

Por quê? Só há por enquanto hipóteses. Feinstein tem a sua: talvez, a associação entre felicidade (amigos, fé religiosa, alegria etc.) e comida (do tipo não saudável) seja a resposta ou parte dela, arrisca o autor. Muitas religiões têm como tradição festas e sobremesas depois dos trabalhos religiosos.

Os autores – há entre eles pesquisadores com doutorado – analisaram os dados de 2.433 pessoas que foram acompanhadas por 18 anos, participantes do estudo epidemiológico de longo termo Cardia.

Feinstein alerta para o fato de que aquelas que vão frequentemente à igreja não têm a saúde pior que as que não vão. Elas têm apenas mais chance de se tornarem obesas. (…)

Quer ler a matéria completa? Clique aqui.